| Subject: Re: A lista de Reich - Como comprar votos na CDH de Genebra |
Author:
João Luís
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Date Posted: 3/04/05 9:57:54
In reply to:
VICTOR DALTON
's message, "Re: A lista de Reich - Como comprar votos na CDH de Genebra" on 2/04/05 17:22:23
Agora se percebe porque é que as Ilhas Marshall e o Palau alinharam com os USA no voto contra Cuba. Ambos dependem do FMI e do Banco Mundial...
>Havana. 29 Março de 2005
>
>DA IMPRENSA ESTRANGEIRA
>A lista de Reich
>• Como comprar votos na Comissão de Direitos Humanos
>de Genebra
>
>POR VICTOR DALTON — extraído do Rebelión
>
>COMO é bem sabido, no ano passado, a 60ª Comissão de
>Direitos Humanos (CDH) de Genebra aprovou, com
>vantagem de um voto, uma resolução de condenação a
>Cuba, apresentada por Honduras, porém redigida nos
>EUA. Como foi que a maior potência do mundo conseguiu
>apoio para essa resolução? Um exame disso poderia
>ajudar a entender o funcionamento da CDH e as chaves
>dessas negociações.
>
>Na pretensão de impor esse projeto de resolução contra
>Cuba, custe o que custar, os representantes formais ou
>informais dos EUA utilizaram todo tipo de ameaças e
>pressões contra os países que integravam a Comissão.
>
>Vários países centro-americanos receberam avisos de
>que podiam fazer retornar milhares de seus emigrados
>que trabalham nos EUA e pôr fim às remessas familiares
>para suas nações de origem.
>
>Alguns países africanos foram ameaçados de que podiam
>perder os benefícios da Lei para o Crescimento e as
>Oportunidades da África (AGOA), norma estadunidense
>que estabelece facilidades para o acesso de algumas
>exportações africanas ao mercado norte-americano.
>
>A outros países das várias regiões pretenderam
>intimidar com chantagens.
>
>A outros solicitaram o voto contra Cuba ou a
>abstenção, em troca de não bloquear algum empréstimo
>do Fundo Monetário Internacional, onde os EUA têm
>direito de veto.
>
>Em 14 de abril de 2004, o subsecretário de Estado,
>Roger Noriega, confirmou que a Casa Branca manteve
>contatos com países da América Latina e da Europa,
>solicitando apoio para o projeto anticubano. Disse
>que, inclusive, o próprio presidente Bush estaria se
>encarregando pessoalmente do tema, através de
>telefonemas. E pôs como exemplo o diálogo com o
>presidente Fox, segundo revelou a agência DPA.
>
>O secretário assistente para organismos internacionais
>no Departamento de Estado, Kim Holmes, disse
>publicamente que os EUA estavam lutando com força,
>realizando gestões com vários países para estes
>apoiarem o projeto anticubano.
>
>Por seu lado, o porta-voz do Departamento de Estado
>confirmou
>
>por sua vez, que o presidente, o secretário de Estado
>e outros funcionários tinham estado realizando
>chamadas telefônicas aos países membros da Comissão,
>identificando os interesses prioritários dos EUA, que
>têm a ver com a situação dos direitos humanos.
>
>Algumas das pressões fizeram-se de maneira tão
>escandalosa que foram conhecidas pela opinião pública.
>Um destes casos foi o da República Dominicana, sob o
>governo do presidente Hipólito Mejía, que tinha
>comunicado às autoridades cubanas que ia se abster na
>votação do projeto anticubano. Esse compromisso
>manteve-se até o dia 14 de abril, à tarde, quando
>restavam menos de 12 horas para o voto em Genebra
>onde, surpreendentemente, o governo cubano soube de
>que a República Dominicana votaria contra Cuba.
>
>Hipólito Mejía expressou publicamente, em Miami, que
>tinha recebido chamadas telefônicas para ameaçar o
>país, do subsecretário de Estado Roger Noriega e do
>enviado especial do presidente Bush para as Américas,
>o anticubano Otto Reich.
>
>Na América Latina, nomeadamente, existe uma clara
>correspondência entre o grau de soberania, dignidade e
>popularidade de um governo e as possibilidades de
>sucesso das pressões e chantagens de Washington para
>comprometer o apoio destes ao projeto anticubano.
>
>Os governos da região afetados por escândalos de
>corrupção, fraude e baixo nível de apoio social, que
>têm uma dependência extrema de Washington em matéria
>de assistência financeira e de repressão dos setores
>populares descontentes e que representam os interesses
>das oligarquias-clientes do capital multinacional, são
>os mais propensos a cumprirem os ditames anticubanos
>da superpotência, na contramão da vontade de seus
>povos.
>
>A lista de «estadistas» bajuladores na região inclui
>personagens tais como os ex-presidentes Carlos Menem
>(que virou multimilionário, graças a seu «honesto»
>desempenho) e Jorge Batlle (ex-presidente uruguaio que
>concluiu seu período de governo com o mais baixo nível
>de aceitação na história de seu país e que estendeu a
>impunidade ante as graves violações dos direitos
>humanos, como assassinatos extrajudiciais,
>desaparecimentos forçados e torturas).
>
>Quem foram os homens e mulheres encarregados deste
>trabalho sujo na sede das Nações Unidas em Genebra?
>Para garantir a aprovação do projeto anticubano em
>Genebra, a delegação governamental dos EUA foi
>«fortalecida» com pessoal de experiência na execução
>da política de hostilidade anticubana e no uso do
>porrete contra governos do sul, entre eles Frank
>Almaguer, de origem cubana.
>
>Almaguer foi embaixador de Washington em Tegucigalpa,
>desde 1999 até 2002. Anteriormente, tinha cumprido
>outras tarefas de intervencionismo na América Central
>e outros países da América Latina, desenvolvendo suas
>missões com a fachada «humanitária» dos chamados
>Corpos de Paz e da Usaid.
>
>Nunca antes tinha sido tão claro o engajamento de uma
>administração norte-americana com os elementos mais
>reacionários e agressivos das gangues armadas de
>Miami. Talvez o exemplo mais escandaloso tenha sido a
>inclusão, como membro da delegação de Washington, no
>60º período de sessões da Comissão, do cidadão de
>origem cubana, Luis Zúñiga Rey.
>
>Zúñiga Rey foi preso em agosto de 1974 e julgado pelos
>tribunais ao entrar ilegalmente em Cuba, procedente
>dos EUA, com explosivos e armas, como parte de uma
>operação da CIA que incluía várias ações terroristas.
>Após libertado, retornou aos EUA como responsável
>pelas ações paramilitares da Fundação Nacional Cubano
>Americana, e organizou e financiou atentados com
>bombas, nos anos 90, contra hotéis cubanos e outras
>ações terroristas contra hospitais cubanos.
>
>O artigo do relator especial sobre o uso de
>mercenários, no 56º período de sessões da CDH, revelou
>que Zúñiga Rey recrutou o cidadão guatemalteco Percy
>Francisco Alvarado Godoy para realizar estudos sobre
>pontos vulneráveis e susceptíveis de atentados
>terroristas em Cuba, tais como hotéis, termoelétricas
>e usinas de petróleo.
>
>Zúñiga Rey interveio nos debates do 60º período de
>sessões da CDH representando o país que se diz
>engajado e promotor do combate contra o terrorismo.
>
>Grupos violentos de origem cubana domiciliados nos
>EUA, em colaboração com a administração Bush que os
>recebe e aplaude, influenciaram para somar ao
>espetáculo da farsa anticubana em Genebra
>congressistas norte-americanos beneficiados por suas
>«generosas» contribuições financeiras.
>
>Pelos corredores e salas de Genebra também esteve
>negociando apoio ao projeto anticubano, ameaçando de
>aplicar retaliações o congressista republicano do Nova
>Jersey, Chris Smith, estado que, juntamente com a
>Flórida, recebe grupos armados de origem cubana como
>Alpha 66 e Comandos L.
>
>Smith contou com o apoio da senhora Poblete,
>assistente da congressista de origem cubana Ileana
>Ross-Lehtinen, com papel de destaque no seqüestro do
>garoto Elián González e conhecida por seu ativismo
>para acirrar o bloqueio contra o povo cubano.
>
>Portanto, a votação da CDH do ano passado foi o
>resultado das pressões e chantagens aos países do
>Terceiro Mundo, cujos governos vendem sua legitimidade
>aos EUA pondo como pretexto Cuba. Tudo isto
>encarregado pelo governo norte-americano a pessoas
>fortemente ligadas a ações armadas contra a Ilha.
>Qualquer parecido com os direitos humanos e sua
>defensa é uma ironia.
>
>
>in granma internacional
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