| Subject: Autárquicas: Jerónimo de Sousa quer encontro com direcção do PS sobre alianças |
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LUSA
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Date Posted: 12/03/05 22:38:37
12-03-2005 21:06:00. Fonte LUSA.
Autárquicas: Jerónimo de Sousa quer encontro com direcção do PS sobre alianças
Porto, 12 Mar (Lusa) - O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, exigiu hoje uma reunião das direcções nacionais do seu partido e do PS como condição prévia para eventuais acordos para as eleições autárquicas de Outubro.
"Estamos à espera de uma resposta ao nosso pedido de encontro das direcções nacionais. Estranhamos o silêncio da direcção do PS sobre esta matéria", afirmou Jerónimo de Sousa no Coliseu do Porto, no final de um comício comemorativo dos 84 anos do PCP.
O secretário-geral do PCP salientou que, sem o acordo dos responsáveis nacionais, "não passam de boas intenções" as alianças propostas para várias autarquias por dirigentes locais socialistas.
Jerónimo de Sousa referiu-se, nomeadamente, à proposta do presidente da "distrital" do Porto do PS, Francisco Assis, de uma convergência entre as três forças de esquerda (PS, CDU e BE) para desalojar a coligação PSD/CDS-PP da liderança da Câmara do Porto.
Momentos antes, num longo discurso, o líder comunista recordou os acordos eleitorais que o PS estabeleceu com o PSD em 1985 "para retirar câmaras à CDU" em "40 municípios".
Jerónimo de Sousa acusou também os socialistas de terem patrocinado com o CDS-PP, em 2001, uma candidatura "para tentar retirar a maioria à CDU no concelho de Montemor", além de terem formalizado com o mesmo partido coligações em oito concelhos da Madeira.
"Não esperem que o PCP seja apenas uma bengala", frisou, acusando o PS de ter propósitos "claros" de "reduzir a influência do PCP e da CDU nas autarquias", fazendo-o "embrulhado em cativantes apelos a possíveis acordos com o PCP sem qualquer intenção séria".
As críticas de Jerónimo de Sousa estenderam-se ao Bloco de Esquerda, que responsabilizou pela vitória de Santana Lopes na Câmara de Lisboa em 2001, ao recusar participar na coligação PS/CDU, fazendo dela "o seu adversário principal".
O líder comunista criticou também o Governo que hoje tomou posse, por, em sua opinião, não dar garantias de uma "efectiva mudança nas políticas".
Para Jerónimo Sousa, é "inquietante" que estejam em "lugares nucleares da governação conhecidas figuras comprometidas com políticas e soluções económicas neo-liberais".
O secretário-geral do PCP lamentou que o novo ministro das Finanças, Campos Cunha, tenha defendido a "quase certa inevitabilidade do aumento dos impostos", não para fazer justiça fiscal, mas sim para "penalizar o mundo do trabalho".
Em alternativa, Jerónimo de Sousa defendeu um aumento dos impostos sobre as grandes empresas com "lucros escandalosos", como as da banca privada (16,5 por cento), Galp (333 milhões de euros) e Portugal Telecom (500 milhões de euros).
"Como é que se compreende que a PT, com 500 milhões de lucros, pense liquidar mais mil postos de trabalho?", questionou, realçando que "a crise não é para todos".
Antes do discurso de Jerónimo de Sousa, o membro do Comité Central do PCP José Pedro Rodrigues revelou que o seu partido vai processar a Câmara do Porto por ter retirado quinta-feira os cartazes espalhados pela cidade a anunciar o comício dos 84 anos.
FZ.
Lusa/Fim
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