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Ângelo Teixeira Marques
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Date Posted: 13/03/05 10:48:14
In reply to:
LUSA
's message, "Autárquicas: Jerónimo de Sousa quer encontro com direcção do PS sobre alianças" on 12/03/05 22:38:37
Jerónimo de Sousa critica "discurso da tanga" do ministro das Finanças
Ângelo Teixeira Marques, Público, 13/03/05
Comunistas denunciam campanha para "aceitação resignada dos sacrifícios em nome de uma crise que não é para todos"
Criticas e desafios ao PS, alfinetadas no Bloco de Esquerda (BE) e a aclamação do "êxito" das políticas e personagens saídas do último congresso, foram os pontos fortes da intervenção de Jerónimo de Sousa ontem no Coliseu do Porto, num comício comemorativo do 84º aniversário do PCP.
O líder comunista não gostou de, há uma semana, ter ouvido o novo ministro das Finanças ponderar um eventual aumento de impostos, quando diversas instituições bancárias, a Galp e a PT "apresentaram centenas de milhões" de euros de lucro. "A crise não é para todos e o que objectivamente pode estar em marcha é a encenação de uma nova versão do discurso da tanga" com o objectivo de "forçar a aceitação passiva e inevitável das mesmas políticas e das mesmas receitas aplicadas por Durão Barroso". Face ao silêncio do PS sobre a revisão do Pacto de Estabilidade e Crescimento, e à "presença em lugares nucleares da governação de conhecidas figuras comprometidas com políticas e soluções económicas neoliberais", Jerónimo de Sousa vincou que "pode estar pela frente não um governo com uma decidida vontade política de encetar um novo rumo para o país, mas uma bem orquestrada campanha que ampliando e empolando a crise leve à aceitação resignada dos sacrifícios em nome de uma crise que não é para todos".
Critícas ao Bloco de Esquerda
O líder dos comunistas anunciou que vai apresentar, no Parlamento, iniciativas para a revogação do Código do Trabalho, a criação de aumentos intercalares das reformas e do salário mínimo, a despenalização do aborto e a alteração da lei dos partidos. O PCP defende que Portugal exija, "o mais rapidamente possível", a aplicação da cláusula de salvaguarda (prevista pela Organização Mundial do Comércio) do mercado têxtil nacional que possa blindar a invasão de têxteis chineses. E, neste ponto, surgiu o seu primeiro apontar do dedo ao Bloco. " Ao contrário do BE que, pela voz do seu deputado Europeu, proclama que antes de mais é preciso desenvolver os direitos sociais na Ásia, nós afirmámos: tal é importante, mas há que defender agora os direitos sociais dos trabalhadores portugueses", apontou Jerónimo Sousa. "O Bloco de Esquerda já defende entregar a terceiros, a defesa dos interesses nacionais", concluiu.
Outra farpa ao BE seria lançada pelo dirigente comunista, na abordagem às eleições autárquicas, acusando o partido de Francisco Louçã de "ter aberto caminho à vitória de Santana Lopes e do PSD" para a câmara da capital, ao afastar-se da coligação "Mais Lisboa" e " fazendo dela o seu adversário principal". Jerónimo Sousa exortou a direcção nacional do PS a decidir - "estamos à espera de uma resposta - sobre a possibilidade de carimbar com o PCP acordos em municípios onde já existem conversas entre dirigentes locais, "como no Porto, por exemplo". Todavia, deixou o aviso de que "não pensem no PCP para ser apenas uma bengala", até porque, depois de ter obtido mais votos e deputados, Jerónimo de Sousa não conseguiu esconder a satisfação de ter contrariado todos os que anteviram o colapso do partido.
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