| Subject: PS - cavalo de Tróia |
Author:
João Carlos o 1º
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Date Posted: 23/06/05 16:14:17
O momento histórico que vivemos é muito rico em ensinamentos. Um, que me parece fundamental, é a demonstração pela prática, da incapacidade da social-democracia se constituir como uma alternativa à direita.
Isso tornou-se hoje evidente na Europa, nomeadamente no fracasso relativo à Europa Social que está a resultar, aliás, devido ao descontentamento dos cidadãos europeus, na impossibilidade de aprovação do tratado europeu e da formação duma europa federal.
Por outro lado, é especialmente evidente a nível nacional, a incapacidade da social-democracia em definir uma alternativa, à política que a direita defende para Portugal.
Este parece-me ser uma ensinamento especialmente significativo deste momento histórico, com consequências ao nível das estratégias da esquerda, nomeadamente ao nível das políticas de alianças.
Cada vez se torna mais claro, que políticas de alianças com a social-democracia que se traduzam num "cheque em branco" ao partido socialista apenas com a contrapartida esperada de ganhar alguns "lugares" no aparelho de estado, não são mais do que tácticas oportunistas sem qualquer valor estratégico para a evolução da sociedade num sentido socialista.
E é também curioso notar como consegue ser mais fácil a um partido socialista implementar as políticas de direita, que os próprios partidos da direita têm tantas vezes tanta dificuldade em implementar!
A questão do papel actual da social-democracia tem de ser urgentemente reequacionado, pois cada vez se apresenta mais como um verdadeiro "cavalo de Tróia" da direita.
É, talvez, justo afirmar-se que, sem a existência dos partidos socialistas, seria mais difícil às forças de direita e ultra-direita desenvolverem as suas políticas!
Daqui decorre que hoje o combate à direita passa também por desmascarar os partidos sociais-democratas (PS e restantes da família europeia) e não tanto por procurar alianças com tais partidos a qualquer custo!!! Isto, independemente de se dever considerar a existência dum largo sector influenciado pelo PS, que é, no entanto de esquerda, mas que não tem influência real (e vai tendo progressivamente cada vez menos) nas orientações concretas da política do PS.
Estarão também, eventualmente criadas as condições para o surgimento de novas forças políticas duma área que não se confunde com o PCP, mas que não se confunde com renovações ou com bloquistas. Uma nova área correspondente em traços gerais à linha Manuel Alegre, que, por enquanto continua, por inércia e tradição, ainda agarrada às estruturas orgânicas dum PS que não tem já, porém, qualquer ponto de contacto com qualquer projecto que se possa denominar de transformação da sociedade num sentido libertador da exploração do homem pelo homem.
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