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Subject: Guarda Felisberto sem T-shirt


Author:
Ferreira Fernandes, CM, 19/06/05
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Date Posted: 25/06/05 10:27:02
In reply to: LUÍS CLARO, A Capital, 14/06/05 's message, "PCP quer encerrar sites racistas" on 24/06/05 17:41:58

Guarda Felisberto sem T-shirt

Ferreira Fernandes, CM, 19/06/05

As acções a preto e branco, de Carcavelos ao Martim Moniz, estão na moda. É normal, num caso e outro são feitas por calaceiros. E pensar a partir da cor da pele não dá trabalho.

Tenho orgulho em ser branco”, disse um imbecil que se manifestava ontem no Martim Moniz. Eu, a ter de ter um sentimento tão forte, teria mais orgulho nas camisas que compro do que em ser branco. Nasci branco por um conjunto de acasos a que sou estranho. Não fiz nada (e não podia fazer nada) para ser branco. Já as camisas que compro são fruto de mim, do meu gosto e do meu esforço. Na verdade, não exigem tanto de mim que me levem a ter orgulho, só falei das camisas para arrumar o pobre diabo que ontem se manifestou por tolices. Eu prefiro ter os orgulhos que saiam do meu esforço. O único tipo que, no limite, pode dizer que tem “orgulho em ser branco” é Michael Jackson. Tão parvo como os do Martim Moniz, mas ao menos sai-lhe da pele.

Estes orgulhos epidérmicos tem o vício das coisas fáceis: juntam os calaceiros. Nos bandidos do arrastão da praia de Carcavelos também deve ser a única frase mais completa que conseguem: “Tenho orgulho na minha pele”. Frase feita, tudo o mais deriva daí. Como não vão mais longe nas convicções do que olhar para o braço e constatar que ele é negro, aquele que não é isso, negro, eles ignoram. Daí que percorrer com violência uma praia onde a maioria são os “outros”, os não negros, não lhes faz acudir nenhum remorso. Os outros não existem. Como se faz mal àqueles que não existem, mesmo quando são bebés numa praia?

Contou-me o Expresso, ontem, que o embaixador cabo-verdiano, Onésimo Silveira, se juntou com representantes da Cova da Moura – um bairro dos arredores de Lisboa, fundado em grande parte por imigrantes caboverdianos e onde tem havido vários incidentes – para gritar a sua vergonha com a imagem do seu país que passa em casos como o arrastão.

Na verdade, a maioria dos implicados são portugueses. Embora de pais caboverdianos, foi em Portugal que nasceram, têm vivido e vão viver – são imensamente mais filhos de Portugal do que qualquer outra coisa. Mas entendo o esforço do embaixador: ele sabe como a acção dos canalhas salpica a maioria dos homens e mulheres, caboverdianos honrados – desde as mulheres-a-dias a médicas, de trolhas a artistas – que tanto têm beneficiado Portugal. Onésimo Silveira podia não ter mostrado aquilo que um diplomata nunca gosta de mostrar, indignação, mas preferiu vir à luta.

Bem-vindo. Porque este assunto está cheio de ausências, de silêncios, de hipocrisias e de cobardias. Há demasiados Woody Allen, no filme ‘Bananas’, escondendo-se atrás de um jornal enquanto na carruagem do seu comboio (que podia ser da linha de Sintra) uns jovens roubam uma velhinha.

Há demasiada tolice. A Associação Moinho da Juventude, que trabalha na Cova da Moura, tem esta coisa parva: distribui T-shirts com as caras dos que foram mortos no bairro. Sem critério: se for bandido, morto pela polícia, tem direito a ser arvorado no peito, como se fosse um herói. É assim com as trombas do Celé, assassino na Holanda, fugido para a Cova da Moura, passador de droga, organizador de bando, com vários guarda-costas adolescentes até que, felizmente, a polícia o parou.

Eu disse que os ‘heróis’ das T-shirts eram escolhidos sem critério. Não é bem assim. Em 2002, Felisberto Silva, um filho do bairro, também negro e que fora visitar o pai que ainda morava na Cova da Moura, esse, não tem cara em T-shirt. E no entanto, também foi abatido. Só que ele era da PSP e foi morto por bandidos.

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Subject Author Date
Contra o racismo e a xenofobiaGrupo de Trabalho do PCP para a Imigração e Minorias Étnicas25/06/05 10:30:31


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