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Subject: Saramago, Cuba, El País e os outros


Author:
Pascual Serrano
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Date Posted: 30/06/05 3:37:39
In reply to: entrevista de José Saramago 's message, ""Cuba irradia solidariedade"" on 26/06/05 22:20:05

- Saramago, Cuba, El País e os outros
Pascual Serrano
http://infoalternativa.fateback.com/midia/midia013.htm

Os leitores do diário El País só conhecem um comentário do Prémio Nobel da Literatura José Saramago a respeito de Cuba. São uma dúzia de linhas assinadas pelo escritor que este diário publicou em Abril do ano 2003 sob o título Até aqui cheguei [1]. Por motivo dos fuzilamentos naquele mês, José Saramago expressava o seu desacordo e afirmava que Cuba tinha perdido a sua confiança, ferido as suas esperanças e defraudado as suas expectativas.

Nunca mais voltou a recolher o diário madrileno posição alguma de Saramago sobre a Ilha. Para aqueles que têm a desgraça de viver desinformados por confiar no El País, vamos recordar algumas das declarações do Nobel desde então até hoje.

Seis meses depois publicou­‑se simultaneamente no diário La Jornada do México, em Juventud Rebelde de Cuba e nos digitais Cubadebate e Rebelión, uma longa entrevista da jornalista Rosa Miriam Elizalde a José Saramago. Terminava com esta afirmação: «Eu não rompi com Cuba. Continuo a ser um amigo de Cuba, mas reservo­‑me o direito de dizer o que penso, e dizê-lo quando entenda que devo fazê-lo» [2]. O problema é que o diário espanhol também se reserva publicar o que diz Saramago só quando é contra Cuba. Nunca fez nenhuma referência a este comentário. No entanto, fizeram­‑se eco meia centena de meios de comunicação na Internet, metade deles com versão em papel.

A Aliança de Intelectuais Anti­‑imperialistas emitiu um comunicado pouco depois onde aplaudia «a valentia e honestidade do Prémio Nobel da Literatura José Saramago». Na opinião desta associação, que afirmou compartilhar a posição do escritor, «essa postura reflecte a coerência do intelectual comprometido, que expressa as suas diferenças e críticas, mas nunca esquece pôr-se do lado do débil e de quem luta por um mundo melhor, neste caso Cuba».

Abril de 2005. Manchete da Reuters: «Cuba recupera apoio de Saramago e Galeano antes da votação na ONU». A notícia recolhia o apoio a Cuba de vários prémios Nobel juntamente com 150 intelectuais [3]. O manifesto recordava que em Cuba «não tem existido um só caso de desaparecimento, tortura ou execução extrajudicial e onde, apesar do bloqueio, se tem alcançado índices de saúde, educação e cultura reconhecidos internacionalmente», e denunciava a tentativa dos Estados Unidos de condenar a Ilha na Comissão de Direitos Humanos de Genebra. Nem uma palavra desse manifesto saiu nas páginas de informação dos grandes meios espanhóis. Isso sim, amigos de Cuba tiveram que contratar um anúncio pago para que El País o publicasse... nas páginas de Desporto.

Junho de 2005. «Sou amigo de Cuba em qualquer circunstância e fui­‑o sempre», afirmava Saramago numa conferência na Universidade de Havana. O que não o impediu de reiterar, em presença do ministro da Cultura cubano, que considerava um erro os fuzilamentos do ano 2003. Nem El País nem nenhum grande meio espanhol informou da presença do Nobel em Cuba, e muito menos das suas palavras de apoio.

Junho de 2005. Numa nova entrevista [4], de novo para La Jornada e Juventud Rebelde, no Palácio do Segundo Cabo, em Havana velha, Saramago afirma: «apesar de que o que disse então, com muita dor e sem querer romper definitivamente com Cuba, foi celebrado, manipulado, usado. Depois deram­‑se conta que as coisas não iam por aí e começaram a aparecer versões: Saramago está outra vez com Cuba e não sei o quê. Enfim, o que importa é que estou aqui, que sou amigo de Cuba e que a manipulação mediática não me tira o sonho. Tenho outras coisas que me tiram o sonho».

E continua Saramago nesta entrevista: «Mas como em torno de Cuba se inventou todo esse aparelho de calúnias, a mim não me surpreende nada que muitas pessoas o ignorem. Há uma acção diabolizante, sistemática, que se reproduz por todos os meios possíveis da estrutura de poder no mundo, que tenta ocultar essa verdade óbvia que Chomsky resgatou. Pelo que se diz continuamente parece que o mundo não tem outro problema senão Cuba, quando esta ilha não é um dos países que mais preocupações dá aos habitantes do planeta. Mais bem o contrário. Cuba não é, e não foi nunca, um país de onde tenha saído uma acção terrorista. Coisa que não pode dizer os Estados Unidos». Silêncio absoluto em Espanha. Para a imprensa hispânica Saramago não estava em Cuba.

Passaram mais de dois anos das críticas de José Saramago a Cuba, mas os leitores de El País e da grande imprensa espanhola continuam sem conhecer a opinião do prémio Nobel a respeito de Cuba. Ou se o recordam é para dizer o seguinte que escreve David Gistau em El Mundo contra o escritor: «Já desculpou o verdugo, o serralheiro totalitário. Já se reconciliou com Fidel, talvez por nostalgia desse geyperman revolucionário a que se encomenda a intelectualidade neocomunista para que os vingue de todos os seus ressentimentos anti­‑americanos».

Assim, dia a dia, com as declarações de uma figura relevante da cultura e com outra, com um tema ou com outro, com qualquer acontecimento, é como se vai moldando o engano das sociedades. Até que o balão cada vez mais inchado da mentira lhes expluda na cara. Só falta o alfinete.

_______

[1] José Saramago, Até aqui cheguei, 14/04/2003 (n. IA).

[2] Rosa Miriam Elizalde, «Eu não rompi com Cuba». Entrevista com José Saramago, 12/10/2003 (n. IA).

[3] Manifesto – Detenhamos uma nova manobra contra Cuba (traduzido de Rebelión),15/03/2005 (n. IA).

[4]Rosa Miriam Elizalde, José Saramago: Cuba irradia solidariedade, 19/06/2005 (n. IA).

Ver http://infoalternativa.fateback.com/midia/midia013.htm para links dos artigos referidos nas notas

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Subject Author Date
EUA: JORNALISTAS PARA A PRISÃOresistir.info30/06/05 17:22:00


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