| Subject: Disparates ou falsa autoridade? |
Author:
São José Almeida
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Date Posted: 2/07/05 15:01:54
In reply to:
Jerónimo de Sousa
's message, "Sobre a reunião do Comité Central" on 30/06/05 22:17:04
Disparates ou falsa autoridade?
São José Almeida, Público, 02/07/05
Há pouco mais de um mês, o ministro da Administração Interna, António Costa, foi à Assembleia da República e anunciou que o Governo ia contratar directamente e não por concurso os helicópteros de combate a incêncios. E justificou (…) com o facto de as duas empresas inicialmente apresentadas a concurso se terem associado em consórcio e aumentado em mais de noventa por cento o preço (…). Esta semana, o Governo divulgou que a adjudicação directa foi feita precisamente ao mesmo consórcio (…), sendo que o preço agora acordado excede em muito o do ano passado para uma oferta de menor capacidade. Ficam as perguntas. Porque razão foi António Costa à Assembleia dizer o que disse acusando um consórcio de chantagem e de cartelização?(…) Será que se trata só de uma questão de gestão de imagem de autoridade e de falsa intenção de moralização da vida pública?
As dúvidas sobre a imagem de autoridade e de moralização que o Governo quer transmitir e a forma como o faz estendem-se também a outras áreas e aí aparece também por vezes furada como um passador. Veja-se a título de exemplo o debate mensal (…) dedicado à educação. José Sócrates surgiu a anunciar, com foros de grande efeito, que a primeira fase da colocação dos professores estava terminada quinze dias antes da data que o próprio Governo tinha prometido. O normal cumprimento de procedimentos (…) é apresentado como algo extraordinário (…) e vendido como um raro momento de rigor e competência (…). Um facto banal vendido com foros de espanto para provar uma autoridade num sector onde, (…) o Governo se tem caracterizado pelos dislates e pelas afirmações provocatórias do ponto de vista do regime democrático, que a ministra (…) fez quando descobriu a tese peregrina, disparatada e perigosa de que um tribunal dos Açores (…) não fazia lei na República. (…). O modo, aliás, como o Governo lidou com a greve dos professores levanta algumas dúvidas (…) e leva a pensar sobre o que fará o Governo se for decretada uma greve no sector da saúde ou nos transportes públicos.
O debate sobre educação e a questão na greve serviu também para o governo facilitar na demagogia pela forma como atacou os sindicatos – como se fosse esse o problema da educação – ao anunciar, também como grande medida, a diminuição dos professores destacados em trabalho sindical (...). É claro que a medida é positiva (…) mas é estranho que o PS erga isso como grande medida (…).
Mas em matéria de gestão de imagem de autoridade e credibilidade esta semana ficou também marcada pela anedota da correcção e dos erros (…) do Orçamento Rectificativo, que deram a imagem a raiar o ridículo de um ministro que é apresentado como o cúmulo do rigor, eficácia e competência e que surgiu reduzido à caricatura de quem se engana nas contas (…).
Um conjunto de episódios (…) que podem nem passar de simples disparates ou erros (…) mas que podem também indiciar uma prática de show-off, de propaganda de uma ideias de autoridade, de gestão de uma imagem de competência governativa e de autoridade de Governo preocupantes, porque sem conteúdo real.
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