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RAUL VAZ, DN, 10 de Junho de 2005
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Date Posted: 10/06/05 8:05:44
In reply to:
tugir
's message, "Lá vai Lisboa..." on 9/06/05 17:08:46
Editorial
O erro capital de Carrilho
Manuel Maria Carrilho esquece o essencial não será a mulher e o filho que irão governar Lisboa. Quando muito, poderão ajudar a ganhar eleições. Que Carrilho sozinho não sabe se pode vencer
RAUL VAZ, DN, 10 de Junho de 2005
O que ficou da apresentação da candidatura de Manuel Maria Carrilho à Câmara de Lisboa está no vídeo que mostra Bárbara Guimarães, a mulher, e Dinis Maria, o filho. A mulher, figura pública, gostaria que "fosse o papá" a ganhar as eleições; a criança, de 16 meses, concorda, dizendo o que já aprendeu a dizer "papá, papá, papá".
Se alguma vantagem tinha sobre os seus opositores - além de ter Bárbara, Dinis e ideias -, Carrilho perdeu-a, usando erradamente a imagem da mulher e do filho. As ideias dissiparam-se num vídeo candidamente intitulado Manuel Maria Carrilho, o homem por trás do projecto.
E perdeu essa vantagem por não ser o momento apropriado para mostrar a sua intimidade. Na sua vertigem, Carrilho desbaratou uma arma que poderia utilizar com naturalidade num registo de campanha eleitoral. E o tempo de acção, neste caso, faz toda a diferença.
Carrilho deveria ter tido a noção da cerimónia - esse cuidado que escasseia e rigorosamente não existiu ao usar-se a inocência de uma criança para se atingir um objectivo. A história não tem desculpa, percebendo--se que foi arquitectada com pormenor a mãe, figura pública; a criança, filho de quem é. Há coisas que não se conjugam e para elas só há uma atitude: rejeição.
O caso é ainda mais claro conhecendo-se alguns antecedentes que hoje são de abordagem possível. É legítimo pensar-se que Manuel Maria Carrilho usou a sua relação com Bárbara Guimarães para proveito pessoal. É duro admiti- -lo, poderá ser injusto, mas é assim, quando as coisas parecem ser o que são.
Vem à memória o acordo - "negócio" poderá ser uma palavra excessiva - do exclusivo do casamento com o Expresso - e as cenas de conflito com um fotógrafo à porta da residência do político. Aparentemente, Carrilho procurava preservar a sua vida familiar - mesmo quando se mostrava um cidadão comum nas revistas cor-de--rosa.
Manuel Maria Carrilho é um homem inteligente e determinado e a prova disso é a forma como chegou a candidato do PS a Lisboa.
Mas a tentação, quase obsessiva, de alavancar essa candidatura com a imagem de uma família feliz - capaz de seduzir qualquer consumidor da imprensa cor-de-rosa - tornou-se o seu principal calcanhar de Aquiles.
Tal como Pedro Santana Lopes, Manuel Maria Carrilho pode queixar-se da imprensa politicamente correcta e terá alguma razão - a embirração com o personagem tem muito de irracional. Mas Carrilho é refém da imagem de glamour que insiste em veicular.
Esquece, porém, o essencial não será a mulher e o filho que irão governar Lisboa. Quando muito, poderão ajudar a ganhar eleições. Que Carrilho sozinho não sabe se pode vencer.
P.S. Pedro Santana Lopes pode começar a sentir-se vingado. Comparado com o vídeo da família Carrilho, o seu Menino Guerreiro era, apesar do mau gosto, absolutamente genuíno.
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