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João Miguel Tavares, DN, 10 de Junho de 2005
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Date Posted: 10/06/05 8:12:36
In reply to:
tugir
's message, "Lá vai Lisboa..." on 9/06/05 17:08:46
Manuel, Bárbara e Dinis
João Miguel Tavares, DN, 10 de Junho de 2005
O mesmo Manuel Maria Carrilho que há um ano e meio quase bateu num fotógrafo de revistas cor- -de-rosa que procurava captar as primeiras imagens do seu filho Dinis, entregou agora o seu filho Dinis para ser fotografado pelas revistas cor-de-rosa e filmado pela rapaziada da campanha à Câmara de Lisboa. É sempre agradável ver como os grandes princípios mudam ao sabor das ambições políticas de um progenitor. O Dinis, o antes desprotegido Dinis, é agora uma bandeira do Manuel, um cartaz com pernas que convida os lisboetas a votarem no "papá". Vou ali tomar uns sais de fruto e já volto.
Carrilho - como garantiu José Sócrates - pode ter sido o melhor ministro da Cultura do pós-25 de Abril, multiplicando-se em projectos e intervenções públicas que acordaram o meio. Numa área habitualmente gerida por boys anónimos ou independentes que se fecham no Palácio da Ajuda a contar a mísera mesada que têm para distribuir, Carrilho impôs um estilo vanglorioso, conquistando um peso político muito superior à importância do seu ministério. Mas ontem como hoje, nunca escondeu o desejo de ser o Jack Lang do pedaço, ou até mais do que isso - um futuro timoneiro, ao mesmo tempo culto, autoritário e visionário.
E para chegar ao poder, o egocêntrico Manuel Maria Carrilho está disposto a tudo, incluindo empenhar a Bárbara e o Dinis nessa suprema tarefa de ser presidente da Câmara de Lisboa, que evidentemente não é um fim em si mas apenas mais uma etapa que lhe permita no espaço de década e meia chegar a São Bento ou a Belém. Só que para isso tem de conquistar as graças do povo, tarefa árdua tendo em conta o seu nariz empinado e o perfil distante de professor universitário. Daí a Bárbara. Daí o Dinis. Quando vemos as fotos da Caras com os três a passear pela Feira do Livro ou o inacreditável vídeo da sua campanha, percebemos que aquilo não é bem uma família - aquilo é mais um projecto político.
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