Author:
Ruben de Carvalho
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Date Posted: 18/06/05 9:52:42
Os profissionais e os pedantes
Ruben de Carvalho, DN, 18/06/05
O trabalho da comunicação social portuguesa na última semana ficará como uma página profissionalmente dignificante.
Jornais, rádios, televisões responderam com rapidez noticiosa e profundidade documental ao desaparecimento de Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal.
É de sublinhar a capacidade - e tal foi particularmente notório na televisão - para apresentar trabalhos de memória histórica, revelando domínio de arquivos e capacidade de sobre eles trabalhar atempadamente. Tanto mais de valorizar quanto a luta pela memória colectiva é um dos mais agudos problemas culturais do nosso presente social.
Verificou-se, entretanto, um fenómeno significativo.
Em circunstâncias anteriores - cite-se a agressão norte- -americana ao Iraque - houve uma peculiar dicotomia a componente profissional e redactorial posicionou-se, frequentemente para além de exigível isenção, de forma favorável à política de Bush, mas acabou por ser recentrada pela opinião dos comentadores da imprensa, rádio ou televisão, onde se verificou um mais amplo pluralismo e objectividade.
Foi quase a perfeita simétrica que ocorreu esta semana. Enquanto as redacções produziram um dignificante trabalho informativo, comentadores com responsabilidades produziram textos tão lamentáveis quanto os freudianos desabafos de Vasco Pulido Valente ou as significativas miopias de Pacheco Pereira.
Mas o óscar da parvoíce caberá certamente ao homem que resolveu tirar o "r" à Revolução do 25 de Abril, António Costa Pinto, que, pedante, às 15.00 de quarta-feira, decretava que "apenas" acompanharia o funeral de Álvaro Cunhal o "núcleo duro do PCP"!
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