VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

21/04/26 13:48:15Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 123[4]5678 ]
Subject: O federalismo


Author:
Daniel Oliveira
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 8/06/05 13:17:14

Daniel Oliveira, O Barnabé, abril 21, 2004

O federalismo

Se alguma vez se vier a debater a política europeia na próxima campanha para as eleições europeias, a questão do federalismo pairará, como um fantasma, sobre todos os debates.

O federalismo aparece, quase sempre, como um equívoco. Ele tem sido utilizado como arma de arremesso entre euro-cépticos e euro-conformados. E a sua longa tradição política tem sido abastardada.

Começo assim, para depois explicar: sou federalista. Defendo, do ponto de vista teórico, a construção de uma unidade política europeia, confederada, que retire espaço de soberania aos estados actuais.

Também sou regionalista: defendo um processo de regionalização que retire poderes ao Estado central. Perdendo poderes para “cima” e para “baixo”, acredito que se pode reforçar o espaço da democracia e da eficácia nas decisões políticas.

Numa economia globalizada, só um espaço económico e político europeu comum pode ter peso suficiente para ter influência nos destinos do Mundo e na democratização das instituições internacionais.

Se defendo uma alternativa à globalização neo-liberal, tenho de defender a construção de espaços políticos que a travem e que favoreçam a construção de uma globalização regulada e solidária. Acredito que a Europa é um desses espaços prioritários.

Também acredito que a democracia exige maior proximidade dos cidadãos em relação às políticas “locais”.
Os municípios têm uma dimensão que não garante nem a massa crítica nem um âmbito territorial suficientes. Para facilitar, defendo um municipalismo adaptado à nova realidade económica, com espaços territoriais mais amplos.

A resolução de problemas relativos ao ambiente, aos transportes ou à habitação, para pegar em três exemplos, põem-se, quase sempre, ou a nível global ou nível regional. Quase sempre nos dois, muito poucas vezes no espaço nacional.

Resumindo: acho que os Estados-Nação são a mais ineficaz das formas de acção política. É a Europa das Regiões que deve encontrar tradução política.

No entanto, penso que a construção europeia, tal como tem sido comandada, é a mais anti-democrática das invenções da democracia.

Ela não tem correspondido à participação cidadã e tem retirado ao espaço da democracia muitas das decisões fundamentais para os cidadãos.

Hoje, cerca de 60% da legislação produzida é de origem comunitária. No entanto, nem o Parlamento Europeu tem reais poderes sobre a condução da Europa, nem os europeus se sentem minimamente próximos das instituições europeias.

A burocracia europeia tem substituído as democracias nacionais. As segundas podem ser pouco eficazes, mas, apesar de tudo, sempre são mais democráticas.

Ser federalista não significa defender o federalismo eurocrata. Aceito, sem dificuldade, que o federalismo que hoje defendo não tem apoio maioritário na Europa. E se o federalismo que defendo só pode e deve ser construído democraticamente, ele está, por enquanto, condenado ao fracasso.

Como não sou vanguardista, penso que o melhor caminho para a construção de um federalismo democrático só pode ser o aprofundamento da própria democracia nas instituições europeias e transição gradual e voluntária de poderes.

Só eles podem ganhar os cidadãos, ainda muito ligados às suas especificidades nacionais.

O comportamento arrogante de Bruxelas, com directivas normalizadoras cegas e burocráticas, tem feito exactamente o contrário: acentuar as resistências.

Desde a fundação da Comunidade do Carvão e do Aço nunca deverá ter havido tantos anti-europeístas como hoje.

O federalismo democrático é o caminho oposto ao que é proposto pela Constituição Europeia. Ser contra ela não significa, assim, ser nacionalista.

Essa será a posição explícita e respeitável da Nova Democracia e do PCP e a posição envergonhada (e bem menos respeitável) do CDS/PP.

Ser contra esta Constituição é também defender um federalismo democrático europeu.

Só haverá unidade europeia com uma refundação europeia: a que substitua o governo dos governos por um governo dos cidadãos, que reforce em muito os poderes do Parlamento Europeu, que aceite, em casos fundamentais, a lógica referendária, que crie um Senado com representação paritária de todos os países e que dê ao poder político europeu o papel de controlo e regulação da actividade económica.

Tudo é o contrário do que tem sido feito.

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Estas suas serôdias ideias já eram defendidas no tempo do meu avô.Fernando 9/06/05 21:08:25


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.