| Subject: Editorial III |
Author:
Avante
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Date Posted: 10/06/05 11:19:42
In reply to:
Avante
's message, "Editorial II" on 10/06/05 11:16:34
>A onda de calor, porém, parece ter perturbado mais as
>hostes socialistas que os portugueses em geral. E
>escrevemos «parece» porque não é de crer que o Governo
>e os seus indefectíveis tenham perdido o norte, embora
>haja alguns sinais de desnorte em declarações avulsas
>e contraditórias de governantes e afins. Quanto aos
>portugueses em geral, o calor vem-lhes de dentro, da
>indignação de muitos, da frustração de alguns, do
>protesto de quase todos.
>As iniciativas que o PCP promoveu nos últimos dias da
Outras medidas, desta vez anunciadas a conta-gotas e sem as solenidades próprias da Assembleia da República, vieram juntar-se às primeiras e têm vindo a fazer manchete na comunicação social.
A questão dos preços dos medicamentos foi a primeira bola a sair do saco. Baixam mas aumentam, vá-se lá saber porquê. E alguns deles - poucos - que, por serem absolutamente necessários à sobrevivência de doentes crónicos, têm sido gratuitos, vão agora passar a ser parcialmente pagos, o que atinge gravemente as bolsas de muita gente que se vê de repente com a necessidade de fazer face a despesas incomportáveis.
A última - por enquanto - é a do «aumento» dos funcionários públicos, que vai situar-se nos 2 por cento! Aumento? Como assim, se fica abaixo da inflação, portanto nem sequer chega para manter o poder de compra entretanto perdido?
Com a recusa do PS em aumentar o salário mínimo nacional, conforme tinha proposto o PCP, e com a fixação em 2 por cento nos aumentos dos funcionários públicos, o Governo mostra qual a orientação que se propõe seguir - a de alargar a todos os trabalhadores estas medidas salariais restritivas.
A revelação de que o Governo e a sua maioria não pretende fazer alterações significativas ao «Código Laboral» da direita, mostra ainda de que lado está o PS de Sócrates - do lado do capital. Nenhuma medida é tomada, de resto, no sentido de tributar as mais-valias das sociedades financeiras nem se vê que haja a intenção de cortar nas benesses da banca, nos off-shores, nas operações de venda de títulos. O capital é sagrado... E não deixa de acumular lucros fabulosos.
Perante a indignação geral contra a diferença de critérios, Jorge Coelho, em plena campanha eleitoral para as autárquicas, clama em Évora que a banca e as seguradoras devem também contribuir para os sacrifícios, parecendo exigir do Governo que tome medidas nesse sentido. Sócrates, como se viu, dá-lhe toda a liberdade de exigir o que quiser, já que precisa de reduzir ao máximo o prejuízo eleitoral que se avizinha para o PS. Cravinho vem a seguir, a querer «normalizar o regime fiscal da banca». Generoso, o Diário de Notícias titula: «Governo aperta cerco aos bancos e seguradoras». Quem não acredita nisso é o «patrão da banca», João Salgueiro. Ninguém acredita, aliás.
A perturbação parece ter ganho algumas cabeças encaloradas, principalmente no seguimento dos protestos e das derrotas dos referendos ao tratado constitucional europeu. Ao NÃO da França seguiu-se o da Holanda; a Inglaterra anunciou a suspensão do referendo que pretendia realizar; outros governos admitem já o adiamento. Freitas do Amaral também o admite em entrevista «pessoal», mas vai à estranja afirmar que tudo continua como dantes, como Sócrates manda. E o Presidente da República, diz que lá por Portugal ser pequeno não é razão para abandonar o referendo. A onda de calor parece ter começado a produzir efeitos, sem falar naqueles, também desastrosos, que incendeiam já o País, uma vez mais sem instrumentos adequados para o combate aos fogos.
>passada semana, reagindo na hora certa às medidas
>anunciadas pelo Governo na Assembleia da República e
>apelando à participação nas manifestações e jornadas
>de trabalhadores marcadas para os próximos dias 17 e
>28, encontraram eco em todo o País e deram conta da
>indignação que alastra. A campanha nacional de
>esclarecimento, entretanto, não ficará confinada à
>data inicialmente prevista e que mobilizou milhares de
>camaradas. O esclarecimento e a exigência de um rumo
>diferente para a política nacional deve continuar e
>estão a ser recebidos nos meios populares com muito
>interesse e atenção às posições dos comunistas que
>criticam fortemente os aumentos de impostos indirectos
>e o ataque violento aos trabalhadores, a começar,
>nomeadamente, pelos da administração pública.
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