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Subject: A guerra que podia ter sido evitada


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Para que nunca mais aconteça o fascismo
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Date Posted: 18/05/05 23:51:14
In reply to: Para que nunca mais aconteça o fascismo 's message, "Calendário da guerra – 1939, 1940, 1941" on 18/05/05 1:01:11

Para que nunca mais aconteça o fascismo, Editorial Avante, 1996

A Revolução de Outubro, o Tratado de Brest-Litovsk e a intervenção militar imperialista contra o poder soviético

Com a tomada do Poder pela classe operária na Rússia, em Outubro de 1917, deu-se o mais importante acontecimento deste século. (…).

O carácter proletário do Estado soviético trouxe-lhe obviamente a inimizade de todos os governos capitalistas, inimizade essa que se revelou através da agressão militar, da hostilidade e do bloqueio económico.

Contudo, com enormes dificuldades e sacrifícios, a Rússia soviética conseguiu vencer todos os seus inimigos externos e internos. Iniciou-se então a reconstrução de um país devastado e espoliado, tarefa essa que foi realizada com êxito, apesar do isolamento a que fora votada pelas potências imperialistas.

No início dos anos 30 a União Soviética era um Estado reconhecido apenas por uma parte da comunidade internacional apesar da solidariedade e simpatia com que contava da classe operária de todo o mundo. A burguesia internacional e os seus governos continuavam a alimentar esperanças de que o primeiro país socialista do mundo pudesse ser abatido.

A defesa e consolidação do poder soviético implicaram pesadas perdas territoriais: a Lituânia, a Estónia, a Letónia, a Bielorrúsia e a parte ocidental da Ucrânia ficaram sob ocupação alemã.

Em Março de 1918, as forças armadas de Inglaterra, França e EUA desembarcaram em Murmansk e Arcangel e ocupam a região do Norte. Em Abril, as tropas do Japão (e dos EUA) desembarcam em Vladivostok e começam a ocupar o Extremo Oriente. A Ásia Central e a Transcaucásia são invadidas pela Grã-Bretanha. Baku é tomada.

A Alemanha, ainda ontem em guerra com as potências da Entente, alia-se-lhes no combate contra o poder soviético. Viola os compromissos de Brest-Litovsk, apodera-se da Finlândia, ocupa os países bálticos, a Bielorrússia e a Ucrânia. Tropas turcas, romenas, gregas e outras desembarcam no litoral do mar Negro (Odessa, Sebastopol, etc.).

Na luta armada contra o país dos sovietes tomam parte 14 Estados. Três quartos do território e 60% da população soviética chegaram a estar sob o terror branco e a ocupação estrangeira. Só com a libertação do Extremo Oriente, em Outubro de 1922, e o abandono dos agressores japoneses, ficou o território soviético livre de guardas brancos e intervencionistas.

Na Grã-Bretanha, Churchill, então influente ministro inglês, tinha apelado para “estrangular o comunismo no seu próprio berço”. Este objectivo estava derrotado.

A caminho de uma nova guerra mundial

A disposição básica da segunda guerra de redivisão já era perceptível nos resultados da primeira.

Assim as nações imperialistas que ficaram fora da primeira divisão do Mundo, (…) (casos da Alemanha, da Itália, do Japão, etc.), as nações nas quais o capital teve menos oportunidade de expansão interna, começaram dentro em pouco, a preparar-se para uma segunda redivisão.

A campanha começou realmente com a invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, e continuou com a absorção da Etiópia pela Itália (1935), com a Guerra Civil de Espanha (1936), a renovada invasão da China pelo Japão (1937) e finalmente a série de agressões alemãs directas no continente europeu, iniciada com a ocupação da Áustria em 1938.

Hitler não explica tudo

O nazismo alemão com o seu chefe Hitler, tornou-se a expressão mais acabada e brutal do fascismo, na sua forma de ditadura terrorista, agressão e crime.

Mas já noutros países os fascistas se tinham apoderado do poder através de golpes antidemocráticos: na Itália, com Mussolini, em 1923, em Portugal com o golpe do 28 de Maio, que levou Salazar ao poder. Em poucos meses, os fascistas apoderaram-se do poder na Hungria, Áustria, Polónia, Roménia, Bulgária. Mais tarde em Espanha, com Franco, apoiado por Hitler, Mussolini e Salazar.

O ascenso do fascismo na Europa fez-se nas condições da “grande depressão” que nos anos 30 abalou os países capitalistas mais desenvolvidos lançando-os numa grave crise social e política.

Hitler, com a sua demagogia, aproveitou-se dos sentimentos de frustação, desespero e desejo de desforra na Alemanha, após a derrota de 1918.

Teve o seu avanço facilitado pelo enfraquecimento das forças progressistas alemãs após o esmagamento do movimento revolucionário em 1919, e pelas hesitações e cedências da social-democracia alemã, com a sua recusa de unidade antifascista.

Ganhou forças, tomou o poder com o seu partido nazi nas eleições de 1933 e implantou a sua ditadura terrorista, com o apoio e ao serviço do grande capital financeiro alemão. Este não só via com bons olhos o conteúdo ideológico fundamental do nazismo (nacionalismo, racismo, xenofobia e anticomunismo exarcebados), como estava interessado no seu programa de militarização, liquidação das liberdades democráticas, expansão territorial e dominação mundial de uma “nova ordem” fascista.

A ascensão do nazi-fascismo

Nascimento do partido nazi

Ninguém diria a 1 de Abril de 1929, data em que foi formado o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, que este então minúsculo partido viria a governar a Alemanha e que o seu líder, Adolf Hitler, viria a tornar-se o ditador mais sangrento da História.

O Partido Nazi, como ficou conhecido, foi de início apenas mais um partido cujos objectivos consistiam na recusa do Tratado de Versalhes e na vingança da humilhação sofrida pela Alemanha após a derrota na Primeira Guerra Mundial. (…)

Outra característica que o partido nazi evidenciou foi a militarização de grande parte da sua organização que se agrupava nas chamadas Secções de Assalto (SA), grupos de arruaceiros que além de garantirem a segurança dos comícios nazis intervinham violentamente nos comícios de outros partidos, nomeadamente do comunista. O símbolo adoptado pelo novel partido foi o da suástica (…)

Anos difíceis para Hitler

Em Novembro de 1923, Hitler, cujo partido crescera entretanto, ensaia um golpe na Baviera que fica conhecido como o “Putsch da Cervejaria”. O falhanço desse golpe, (…) levou-o à prisão e a uma condenação de cinco anos. Contudo, nove meses depois foi solto, facto que comprova as simpatias e conivências que já então existiam para o futuro do ditador.

Na prisão, Hitler escreveu (…) Mein Kampf (Minha Luta). Nesse livro, Hitler explana as teses que viriam a transformarem-se na filosofia de acção do Estado nazi. Todas essas teses viriam a ser postas em prática (…)

No fim da década de 20, o dinheiro começou a afluir ao partido nazi proveniente de alguns grandes industriais bávaros e renanos que apreciavam a forma contundente como Hitler se opunha aos sindicatos e aos marxistas. Entre eles contavam-se Fritz Thyssen (proprietário da maior empresa siderúrgica alemã) e Emil Kirdorf (“rei” do carvão do Ruhr). Contudo, apesar desses apoios, os nazis sofreram um revés eleitoral em 1928 conseguindo apenas 800.000 votos num corpo eleitoral de 30 milhões.

A depressão Económica

No ano seguinte vem a grande depressão económica. A Alemanha (…) é profundamente atingida pelo colapso de Wall Street. A produção alemã caiu 50% entre 1929 e 1932. As falências de empresas sucederam-se aos milhares. Os desempregados atingiram seis milhões nos finais de 1930.

O ascenso eleitoral

A miséria e a fome grassavam na Alemanha. Hermann Muller, o último chanceler social-democrata da República de Weimar, resigna em 1930. Sucede-lhe Hermann Brunning, o líder do Partido Católico do Centro, que ao não conseguir a aprovação pelo Parlamento dum plano financeiro de emergência solicita a Hindenburg a sua dissolução e a convocação de eleições.

Hitler, dispondo de imponentes meios financeiros postos ao seu dispor pelo grande capital, leva a cabo uma campanha tonitruante e demagógica. Consegue 6.400.000 votos e 107 lugares, um resultado (…) que transformou os nazis na segunda força política da Alemanha.

Os comunistas obtiveram igualmente um bom resultado ganhando mais de 1 milhão de votos, conseguindo 4.600.000 votos e 77 lugares. Os sociais-democratas e os partidos burgueses perderam bastantes votos.

Após o sucesso eleitoral dos nazis em 1930, Hitler viu reforçados os apoios financeiros à sua causa, o leque de capitalistas apoiantes alargou-se enormemente.

O período de 1931-1932 continuou a ser de profunda depressão económica e miséria. O chanceler Brunning, conhecido pelo “Chanceler da Fome”, adoptou uma política antipopular que mergulhou as classes mais desfavorecidas numa situação insustentável.

Os compromissos da social-democracia

O movimento operário reforçava-se, mas a nefasta influência dos sociais-democratas não era negligenciável. De facto os sociais-democratas sempre preferiram a aliança com os partidos burgueses à aliança com o Partido Comunista.

A sombra tutelar do pensamento de Friedrich Ebert, o chanceler social-democrata que jugulara brutalmente, por conta dos latifundiários prussianos (junkers), a insurreição popular “spartakista” de 1919 (assassínios de Karl Liebknecht e de Rosa Luxemburg), continuava a influenciar decisivamente o Partido Social-Democrata.

Nas eleições presidenciais de 1932, os sociais-democratas preferiram apoiar o velho e reaccionário marechal Hindenburg, (…). Hitler também concorreu, assim como Thalman, o líder do Partido Comunista.

Na primeira volta das eleições Hindenburg teve 18 milhões de votos, Hitler 11 milhões e Thalman 5 milhões. Na segunda volta, Hindenburg venceu Hitler, mas não era de subestimar o facto de o líder nazi ter duplicado a sua votação em dois anos.

A burguesia opta definitivamente por Hitler

Após a vitória de Hindenburg, Brunning consegue aprovar um decreto que proíbe a organização paramilitar nazi – as SA – que contava já com 400.000 homens. Contavam com cada vez maiores simpatias no Exército e, com o auxílio do General Schleicher, um manobrador que tinha grande influência sobre Hindenburg, conseguem forçar a demissão do Chanceler Brunning, e do ministro da Defesa, o general Groener.

Franz von Papen, um aristocrata ultra-reaccionário, é nomeado chanceler e dissolve o Parlamento de acordo com a vontade dos nazis e suspende a proibição dos SA.

Nas eleições de Julho de 1932 os nazis obtêm um êxito retumbante (13.700.000 votos e 230 lugares em 608). Os sociais-democratas continuam a perder posições (133 lugares) e os comunistas transformaram-se no terceiro partido com 89 deputados (ganham 12). Os partidos burgueses perdem todas as posições à excepção do Centro Católico. A pequena e média burguesia estavam a passar-se em massa para os nazis.

Goering, o mais próximo colaborador de Hitler, é eleito Presidente do Reichstag. Hitler exige a chefia do governo e cria um ambiente de terror e de pró-guerra civil com as suas Secções de Assalto. Hindenburg nega todo o poder a Hitler e aconselha-o a formar um governo de coligação, que ele recusa.

Sociais-democratas recusam entendimento com os comunistas

Perante o impasse, novas eleições em Novembro, que redundam num recuo dos nazis (perdem 2 milhões de votos e 34 lugares). Os comunistas continuam a subir (100 lugares). Os sociais-democratas continuam a baixar (121 lugares), mas recusam qualquer entendimento com os comunistas. Os restantes partidos burgueses recuperaram os votos perdidos pelos nazis, que continuam a ser os mais votados (196 lugares). De qualquer modo a posição de Hitler enfraqueceu-se.

Hitler chanceler

O general Schleicher, a eminência parda do regime e ministro de Defesa, deixa de apoiar o chanceler von Papen. (…). Von Papen vinga-se de Scleicher aliando-se a Hitler.

Hindenburg acaba por nomear Hitler chanceler em 30 de Janeiro de 1933. Von Papen e Hungenberg, ligados aos partidos do Centro e Nacionalista, respectivamente, são vice-chanceleres. O Exército, onde os simpatizantes nazis eram cada vez mais numerosos no corpo de oficiais, apoia a nova fórmula do governo.

Inicia-se o período mais negro da história da Alemanha.

A guerra podia ter sido evitada

Em Setembro de 1939 os exércitos nazis invadiram a Polónia, iniciando a Segunda Guerra Mundial.

Mas a guerra começou de facto muito antes, com a remilitarização da Alemanha e a sua expansão territorial, beneficiando da complacência (…) dos principais países ocidentais, interessados na repressão e esmagamento das forças progressistas da Europa, seduzidos pelo ódio anticomunista promovido pelo nazismo e esperançados em virar contra a URSS o militarismo alemão e as suas ambições duma nova partilha do mundo.

A Inglaterra e a França consentiram a militarização alemã (1936), a intervenção militar de Hitler e Mussolini contra a República Espanhola (1937-1939), a anexação da Áustria (1938), negociaram com Hitler o Pacto de Munique (1938) que permitiu o desmembramento e ocupação de Checoslováquia, inviabilizaram os acordos propostos pela URSS para garantir a defesa dos países ameaçados pela agressão hitleriana.
Hitler teve o caminho aberto para se lançar na guerra.

As guerras preparatórias

O fascismo prepara a guerra

A década de 30 é marcada por uma nova crise do capitalismo. O fascismo – a ditadura terrorista dos monopólios – implantou-se em vários países. (…)

Com a ascensão de Hitler ao poder, em 1933, a Alemanha reganha o seu fulgor imperialista e inicia uma política de exigências expansionistas, pondo em causa o papel da França, a principal potência imperialista do continente. Os dirigentes da França e da Inglaterra, então ainda a maior potência imperialista do mundo, adoptam uma política de cedência e concessão em relação a Hitler, na esperança de que este concretizasse as suas ameaças expansionistas a leste, atacando a União Soviética.

Assim, perante a passividade da França e da Inglaterra, assiste-se à ocupação italiana da Etiópia; à intervenção ítalo-alemã na Guerra de Espanha ao lado dos fascistas; à ocupação militar da Renânia pela Alemanha; e à anexação da Áustria. Em Setembro de 1938, na Conferência de Munique, a França e a Inglaterra entregam vergonhosamente a Checoslováquia a Hitler.

O Japão invade o nordeste da China (Manchúria)

O Japão foi a primeira potência imperialista a lançar-se no caminho da revisão do sistema de Versalhes-Washington, na luta pela redivisão imperialista do Mundo.

O governo reaccionário do Kuomintang, empenhado em tentar esmagar a revolução chinesa, capitula.

As contradições entre os EUA e a Grã-Bretanha de um lado e o Japão de outro agravam-se bruscamente, mas o imperialismo americano e britânico esperam que o Japão se lance contra a URSS na Primavera de 1933, deixando-lhe as mãos praticamente livres.

Em Março de 1932 é formado na Manchúria (Norte da China) o Estado fantoche de Manchuco.

Em 1936 Japão e Alemanha firmam o Pacto-Anti-Komintern (a que a Itália fascista adere um ano mais tarde).

Em 1937 os imperialistas japoneses lançam-se abertamente na tentativa de dominar completamente a China.

Itália fascista invade a Etiópia

A conquista da Etiópia pela Itália foi consequência directa da política de conivência com o agressor por parte da Inglaterra, França e EUA e, em particular, da confabulação imperialista anglo-franco-italiana.

Em 7 de Janeiro de 1935, é assinado em Roma, entre Laval e Mussolini, o acordo franco-italiano de partilha de esferas de influência em África que deixa aos fascistas italianos as mãos livres para a invasão da Etiópia.

Perante as ameaças de invasão, a Etiópia pede ajuda à Sociedade das Nações. A URSS apela para medidas especiais que impeçam a agressão, o que é recusado pela França, Inglaterra e outros membros da Sociedade das Nações.

Em 9 de Dezembro, no mais rigoroso segredo, a França e a Grã-Bretanha concertam posições sobre o abandono da Etiópia à Itália fascista.

Os EUA por seu lado fazem vista grossa sobre os preparativos de agressão.
Em 31 de Agosto a Câmara de Representantes e o Senado norte-americanos aprovam a célebre “política de neutralidade” que, proibindo o fornecimento de armas a países beligerantes, de facto priva a Etiópia de se defender enquanto a Itália continua a fornecer-se no mercado norte-americano.

As tropas nazis passam o Reno

Violando frontalmente as restrições impostas pelo Tratado de Versalhes e pelo Tratado de Locarno as tropas nazis ocupam a zona desmilitarizada do Reno (…).

A França, o país mais directamente visado pela provocação e então a potência militarmente mais forte da Europa não se opõe à aventura.

A URSS ligada à França pelo tratado de 1935 manifesta a sua prontidão para ajudar a França a conjurar a provocação nazi. Mas a reacção francesa acalenta a esperança de dirigir sobre a URSS os nazis alemães.

A este respeito são significativas as confidências do primeiro-ministro Flandin ao embaixador norte-americano em Paris em 8 de Março, segundo as quais a remilitarização e fortificação da zona do Reno seriam utilizadas pela Alemanha “para fixar a sua atenção no Sul e no Leste: na Áustria, Checoslováquia, Polónia e URSS”.

Os acontecimentos subsequentes confirmaram tais esperanças inteiramente, salvo no que respeita à própria França que acabou por ser ela a própria vítima da “política de apaziguamento” em relação ao perigo nazi.

Os ingleses e franceses, em lugar de combaterem a política agressiva da Alemanha nazi, preferiram entender-se e traficar com ela. Manifestam a disposição de rever o Tratado de Locarno e retirar a cláusula de desmilitarização do Reno. Estudam a devolução à Alemanha das suas antigas colónias em troca da entrada daquela na Sociedade das Nações.

Posição da URSS: tal atitude “significaria o regresso à política de prémio ao agressor, a rotura do sistema de segurança colectiva, o fim da Sociedade das Nações” (…) “a única resposta digna a Hitler seria reforçar por todos os meios a segurança colectiva, incluindo as medidas de represália contra a Alemanha que a Sociedade das Nações considere possível adoptar”.

Sublevação fascista contra a República de Espanha

Em 16 de Fevereiro a Frente Popular vencera as eleições. Mas a coligação reaccionária fascista (…) não se conforma com a derrota. Estimulada pela impunidade dos agressores fascistas na Etiópia e no Reno e segura do seu apoio prepara imediatamente e desencadeia depois a contra-revolução armada.

Tem início a “Guerra Civil” de Espanha, de facto uma contra-revolução sangrenta que os fascistas espanhóis vão vencer (…) graças ao apoio e à intervenção militar directa da Itália fascista e da Alemanha nazi.

A “não intervenção” das potências ocidentais

A política adoptada nesta situação pela Grã-Bretanha, França e EUA patenteia uma clara posição de classe, hostil à classe operária e às forças progressistas de Espanha, anticomunista, posição que prevaleceu sobre toda e qualquer ordem de considerações. Política de abandono do governo legítimo da República às mãos dos agressores fascistas, conduzida hipocritamente a coberto das máscaras de “não intervenção” e da “neutralidade”.

Churchil afirmou abertamente que a eventul vitória dos fascistas era um “mal menor” que o triunfo do Governo republicano.

Em 25 de Julho o governo de Léon Blum proíbe a exportação de armas para Espanha e encerra a fronteira franco-espanhola.

Em Agosto de 1936 o governo de Léon Blum propõe a “não intervenção”. Forma-se em Londres o Comité de Não Intervenção.

A posição da União Soviética

Perante a manifesta violação da “não intervenção” pelos fascistas alemães e italianos e pelos monopólios dos países capitalistas, e depois de reiterados avisos, a URSS declara oficialmente a 28 de Outubro que “não pode considerar-se afectada pelo acordo em maior grau que qualquer dos outros signatários”, e de facto, durante toda a guerra, só a URSS cumpriu o seu dever de ajuda política, económica e militar à defesa da República. Quando a 7 de Novembro de 1936 os fascistas começaram a ofensiva contra Madrid, o legítimo governo espanhol já dispunha dos primeiros aviões e tanques de fabrico soviético.

Em 7 de Janeiro de 1937 é estendida pelos EUA a Espanha a legislação sobre “neutralidade” da qual mais tarde Franco diria: “A legislação sobre a neutralidade e a rapidez com que foi promulgada e posta em prática constitui um gesto que os nacionalistas não esquecerão nunca”.

A “política de apaziguamento” e a capitulação de Munique

A “política de apaziguamento” da França e da Inglaterra em relação à Alemanha nazi, consistiu numa série de cedências e falta de resposta militar às escaladas de sucessivas agressões e provocações expansionistas do nazismo alemão nos anos imediatamente anteriores ao desencadeamento da II Guerra Mundial (1936-1939).

- Em 7 de Março de 1936 a Alemanha de Hitler invadiu, com um exército de 30.000, a zona desmilitarizada do Reno, sem qualquer resposta das potências ocidentais, apesar da sua enorme superioridade militar.

- Entre 1936 e 1939, a Alemanha nazi e a Itália fascista intervêm directamente ao lado dos fascistas espanhóis na Guerra Civil de Espanha, sob o silêncio cúmplice das potências ocidentais, que definem uma “política de não intervenção”.

- De 11 a 13 de Março de 1938, a Alemanha nazi dá mais um passo na agressão: faz a anexação da Áustria (Anschluss). A resposta a Ocidente foi a mesma de sempre: silêncio, cumplicidade, deixar andar…Em Portugal, Salazar apoia.
Por exemplo, em 27 de Maio de 1938 (…) Bonnet, ministro dos Negócios Estrangeiros francês declara ao embaixador alemão em Paris que “o governo francês aprecia os esforços sinceros empreendidos pelo governo alemão a bem da paz”.

- Em 29 e 30 de Setembro de 1938 tem lugar a Conferência e o Pacto de Munique entre Hitler, Mussolini, Chamberlain (PM inglês) e Daladier (PM francês) donde o governo checoslovaco bem como a URSS são excluídos. A região dos Sudetas – pertencente à Checoslováquia – é cedida à Alemanha nazi que alguns meses depois (14-16 de Março de 1939) invade e ocupa a Boémia e a Morávia perante (…) a passividade das potências ocidentais.

O objectivo dos governantes ocidentais era claro: virar contra a URSS a agressão nazi que procuravam “acalmar” a ocidente à custa de cedências e abdicações sucessivas.

Os antecedentes de Munique

A região dos Sudetas (…) foi desde sempre reivindicada por Hitler a pretexto de nela residir uma importante colónia alemã.

Com o apoio dos nazis, os alemães dos Sudetas organizaram-se e começam a exigir a autonomia desse território.

O presidente Benes, da Checoslováquia, convoca a 6 de Setembro os líderes alemães dos Sudetas e cede a todas as suas reivindicações, de acordo com as pressões de Londres e de Paris.

Pouco tempo antes, um editorial do Times aconselhava o governo checo a ceder os Sudetas à Alemanha, pois fazendo-o ficariam um “Estado mais homogéneo”. Esquecia esse editorial que cedendo a Checoslováquia os Sudetas perderia não só as defesas naturais das montanhas da Boémia, mas também a sua linha de fortificações militares ficando assim completamente indefesa perante a Alemanha.

Os líderes Sudetas recusam o acordo com Benes, por terem recebido instruções de Berlim nesse sentido.

A 10 de Setembro, durante o Congresso do partido nazi, em Nuremberga, Hitler renova as ameaças de invasão da Checoslováquia, se a questão dos Sudetas não for resolvida segundo as suas exigências.

O discurso de Hitler origina uma revolta nos Sudetas que o governo checo se vê obrigado a sufocar pela força. Heilen, o líder alemão dos Sudetas, foge para a Alemanha e declara que a única solução é a anexação dos Sudetas pela Alemanha.

A Inglaterra e a França “negoceiam” com Hitler

No dia 13 de Setembro, o governo francês reúne para discutir a situação e fica dividido (…) sobre se deveria ou não honrar os seus compromissos para com a Checoslováquia. Daladier apela a Chamberlain para que tente encontrar uma solução com Hitler.

Chamberlain e Hitler encontram-se em Munique a 15 de Setembro e o ditador nazi compromete-se a não tomar nenhuma iniciativa militar até que conferenciem novamente.

Após a partida de Chamberlain, que vai conferenciar com Daladier, Hitler acelera os preparativos militares para invadir a Checoslováquia e pressiona os governos húngaro e polaco para intensificarem as suas reivindicações territoriais em relação àquele país.

Pouco tempo depois, o Exército de Libertação dos Sudetas, com o apoio de unidades SS alemãs, ocupa as cidades fronteiriças de Asch e Eger.

Entretanto os governos francês e inglês conferenciavam e preparavam a traição à Checoslováquia, de quem eram aliados, mas que nem sequer consultaram.

(…) Daladier e Chamberlain chegam a uma posição comum que consistia na obrigação da Checoslováquia em devolver à Alemanha todos os territórios dos Sudetas com mais de 50% de alemães (…).

A Inglaterra e a França propunham-se como garantia das “novas fronteiras”, funcionando essa garantia como substituição dos tratados que o Estado checo tinha com a França e a URSS.

Posto perante esta posição o governo checo recusou-a, mas os enviados diplomáticos francês e inglês ameaçaram que se desinteressariam do futuro da Checoslováquia se não fosse aceite.

Chamberlain cede às exigências de Hitler

A 21 de Setembro, Litvinov, Comissário dos Negócios estrangeiros da URSS, declarava em Genebra que a URSS honraria os seus compromissos para com a Checoslováquia. Mas, nesse mesmo dia, a Checoslováquia aceitou o plano anglo-francês.

O governo demitiu-se no dia seguinte e sucedeu-lhe um “governo de unidade nacional” (…) de Jan Sirovy. Chamberlain parte para Godesberg a 22 de Setembro para novo encontro com Hitler. O plano anglo-francês é liminarmente recusado por Hitler, que exige a Chamberlain a evacuação checa dos territórios cedidos até 28 de Setembro. Chamberlain acaba por propor a data de 1 de Outubro e Hitler aceita-a.

No regresso, Chamberlain não consegue convencer o seu gabinete a aceitar o ultimato de Hitler. O governo francês também se opõe e inicia a mobilização geral, que também já fora iniciada na Checoslováquia. Hitler continua a mostrar-se intransigente frente aos enviados diplomáticos britânicos e ameaça com a guerra.

A França mobiliza 65 Divisões ao fim de 6 dias junto da fronteira alemã. A Checoslováquia mobiliza 1 milhão de homens. As forças francesas e checas superavam no dobro as alemãs.

Chamberlain volta a pressionar o presidente Benes para que aceite a ocupação alemã a partir de 1 de Outubro. Contrafeita, a Inglaterra inicia a mobilização geral e Chamberlain faz um discurso ao país no qual mostra o seu interesse pelo futuro da Checoslováquia.

Os malabarismos de Hitler

Face à situação criada, Hitler recua e garante a Chamberlain que não pretende acabar com a existência da Checoslováquia e que se compromete solenemente em respeitar o território remanescente desse país.

Chamberlain agarra com as duas mãos as “garantias” de Hitler e propõe uma Conferência Internacional em que participem a Alemanha, a Itália, a Inglaterra e representantes do governo checo.

Chamberlain e Hitler estão de acordo em mais um ponto: a exclusão da URSS, potência directamente envolvida na situação por via do Tratado Checo-Soviético de Assistência Mútua.

Hitler aceita e propõe um encontro para o dia seguinte (29) em Munique, excluindo no entanto os representantes checos (…).

Hitler e Mussolini concertam as suas posições para a Conferência, o que não acontece com Chamberlain e Daladier, tal era o seu demissionismo.

A entrega vergonhosa

O acordo foi imediatamente encontrado. Hitler conseguiu tudo o que reivindicava. A Alemanha ocuparia o território predominantemente alemão “de 1 a 7 de Outubro”. O território restante (…) seria ocupado até 10 de Outubro.

Nenhuma instalação do território evacuado pela Checoslováquia podia ser destruída. Posteriormente, a Comissão Internacional organizaria plebiscitos nos territórios onde existissem dúvidas sobre se a maioria dos habitantes era alemã. Por fim delimitaria as novas fronteiras.

Num anexo ao acordo a França e a Inglaterra mantinham a oferta de garantias das novas fronteiras contra uma opressão internacional.

A Alemanha e a Itália comprometiam-se no mesmo sentido, quando a questão das minorias polaca e húngara fosse resolvida. Escusado será dizer que nunca houve quaisquer plebiscitos nem nenhum dos países respeitou os seus compromissos.

Os representantes checos (…) foram informados do facto consumado por Daladier e Chamberlain. Ainda esboçaram resistência, mas os seus interlocutores ameaçaram-nos de que se não aceitassem teriam de se haver sozinhos com os alemães.

Os checos acabaram por capitular. Benes renunciou à presidência por pressão de Berlim. A 30 de Novembro sucedeu-lhe o Dr. Emil Hacha, um homem senil e reaccionário.

No seu regresso a Inglaterra, Chamberlain ainda foi aclamado por muitos como pacificador. Contudo, Churchill não deixou de afirmar na Câmara dos Comuns, perante os protestos gerais: “Sofremos uma derrota total e completa”. Em França os comunistas votam contra o acordo de Munique, os socialistas abstêm-se e os restantes aprovam-no.
Em Portugal, Salazar elogia Chamberlain.

Em Novembro, a Polónia ocupa o território de Teschen, que abrangia uma população de 220.000 pessoas. A Hungria ocupa por decisão de Ribbentrop e Ciano, a Eslováquia Meridional, um território onde viviam 800 mil pessoas.

A Checoslováquia fora arruinada. Sem perder uma única vida, Hitler conseguira adicionar à Alemanha a Áustria e os Sudetas (mais de 10 milhões de pessoas) e um vasto território estratégico.

A conferência de Munique foi uma página vergonhosa da História da Inglaterra e da França.

O Acordo de Munique é o culminar da denominada “política de apaziguamento” de Chamberlain e Daladier. A URSS, que fora afastada dessa Conferência denuncia o carácter ilegal desse acordo.

Seis meses depois de Munique, Hitler ocupa completamente a Checoslováquia; rompe o tratado de não agressão com a Polónia e faz-lhe exigências a pretexto de Dantzig; exige as antigas colónias atribuídas à França e à Inglaterra em consequência do Tratado de Versalhes; rompe o acordo naval com a Inglaterra; e ocupa o porto lituano de Klaipeda.

Tornava-se claro que os nazis alemães não respeitavam as próprias conclusões de Munique (declarações franco-alemã e anglo-alemã que constituíam verdadeiros acordos de não agressão). Perante estes acontecimentos, as massas populares e mesmo certos sectores da burguesia de França e Inglaterra exigem dos seus governos a alteração da política de concessões e cedências aos nazis.

As propostas soviéticas

Em todo este período, o Partido Comunista e o governo soviético desenvolveram esforços coerentes e firmes no sentido da unificação de esforços de todos os que se opunham à ameaça nazi-fascista.

- Em 1933, O Partido Comunista e o governo soviético propuseram a criação de um sistema de segurança colectiva na Europa, conduzindo a alguns desenvolvimentos e concretizações positivas na assinatura dos tratados soviético-checoslovaco (16 de Maio de 1935) e soviético-francês (2 de Maio de 1935), destinados a prevenir a ameaça de agressão alemã.

- Em 1936, ao abrigo deste tratado, a URSS manifesta a sua disponibilidade para ajudar a França quando Hitler invade as zonas desmilitarizadas do Reno (1936), ajuda que não foi aceite pelo governo francês.

- Em 28 de Setembro de 1937, o Pravda escrevia a propósito da Áustria (anexada em Março de 1936 pela Alemanha nazi): “A manutenção da independência da Áustria exige acções rápidas e unidas de todos os países interessados em garantir a Paz na Europa. Só essas acções podem deter o agressor e prevenir a criação de um novo foco de guerra”.

- Poucos dias após a invasão da Áustria (em 17 de Março de 1938) o governo soviético – o único que o condenou – afirmava em declaração oficial: “Amanhã pode já ser tarde, mas hoje ainda estamos a tempo disso, se todos os Estados particularmente as grandes potências, assumirem a posição firme e inequívoca relativamente ao problema de defesa colectivo da paz”.

- Em Setembro de 1938, poucos dias antes da assinatura do Pacto de Munique, e em resposta a um pedido do governo checoslovaco da época, a URSS declarava-se pronta a prestar ajuda à Checoslováquia, face a uma agressão da Alemanha, cumprindo o tratado de 1935. Com este objectivo foi, aliás, deslocado para as fronteiras ocidentais da URSS um grande agrupamento de tropas soviéticas, onde se manteve até 25 de Outubro de 1938 – pronto a combater na Checoslováquia. A capitulação do governo checoslovaco em Munique em conluio com os governos da Inglaterra e da França, retirou qualquer sentido e eficácia à disponibilidade do governo soviético.

A 18 de Março de 1938, a URSS, apesar das fundadas razões para desconfiar das intenções dos círculos dirigentes da França e da Inglaterra, propõe a realização de uma Conferência em que participem representantes da URSS, Inglaterra, França, Polónia, Roménia e Turquia.

A 16 de Abril, Litvinov, comissário soviético dos Negócios Estrangeiros, propõe ao embaixador britânico em Moscovo a realização de um Pacto de Assistência Mútua entre a URSS, a Inglaterra e a França. Esse Pacto deveria ser reforçado por uma convenção militar entre os três Estados que garantiriam auxílio a todos os Estados da Europa Central e Oriental que se sentissem ameaçados pela Alemanha.

Esta proposta não teve resposta concreta e a 4 de Maio, Churchill, num discurso na Câmara dos Comuns, lamentava que a oferta soviética ainda não tivesse qualquer resposta por parte do governo inglês, pois considerava que “não existiam meios para manter uma frente oriental contra a agressão nazi sem a participação activa da União Soviética”.

A 8 de Maio, Chamberlain discursa nos Comuns e desdenhosamente afirma que a recusa às propostas soviéticas se deve a “uma espécie de muralha entre os dois governos extremamente difícil de penetrar”. Churchill, agora secundado por Loyd George, avisa de novo Chamberlain que deve negociar imediatamente com a URSS.

Pressionado por críticas de todos os sectores, Chamberlain decide-se a iniciar discussões com a URSS a 27 de Maio. A 30 de Maio, Molotov, o novo comissário soviético dos Negócios Estrangeiros, retoma a proposta de Litvinov de um pacto tripartido de assistência mútua de carácter puramente defensivo e que desse garantias a todos os Estados na Europa Central e Oriental, incluindo todos os Estados europeus limítrofes da URSS.

De imediato, tanto a Polónia como a Roménia, assim como os Estados Bálticos e a Finlândia recusaram qualquer garantia por parte da URSS.

A Polónia e a Roménia excluíram qualquer possibilidade de as tropas soviéticas cruzarem os seus territórios para enfrentar uma eventual agressão alemã.

Perante o impasse criado, Molotov convidou o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico a deslocar-se a Moscovo para negociações. Este recusou, por indicação de Chamberlain, mas os ingleses decidiram enviar um funcionário de segundo plano, William Strang, para negociar com os dirigentes soviéticos. Apesar de tudo, as negociações políticas continuaram com uma impressionante lentidão.

Em Julho, Molotov propõe a assinatura simultânea do Acordo político com o militar, hipótese que desagrada aos ingleses, mas com a qual acabam por concordar, por pressão dos franceses.

A missão militar inglesa, aliás como a francesa, é muito pouco representativa, sendo chefiada por um almirante reformado, Drax, que nem sequer levava credenciais para negociar. Por outro lado, levava instruções do seu governo para negociar vagarosamente e não revelar aos soviéticos qualquer informação sigilosa de carácter militar. A preocupação de andar devagar era tão grande que os ingleses viajavam de barco, demorando quase uma semana, quando podiam ter utilizado o avião.

As negociações iniciaram-se, sendo a delegação soviética dirigida pelo marechal Voroshilov, comissário da Defesa, e composta ainda pelos comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea. Isto comprova o empenho soviético nas negociações, ao contrário dos ingleses e franceses que haviam enviado delegações de segundo nível e com poderes de decisão limitadíssimos. O embaixador alemão em Moscovo, Schulenburg, em telegrama enviado ao seu governo a 4 de Agosto declara: “o governo soviético está firmemente a concluir um tratado com a França e a Inglaterra”.

A duplicidade da Inglaterra

Entretanto, a par das morosas negociações de Moscovo, decorriam contactos entre enviados secretos ingleses (H.Wilson e R, Hudson) e os nazis. Nesses contactos os ingleses fizeram propostas de colaboração aos nazis que previam nomeadamente a concretização de um acordo sobre a delimitação das esferas de influência a nível mundial, “a fim de abrir novos mercados mundiais e de explorar aqueles que existem”.

Segundo esse projecto, a Europa do Leste e Sudeste ficaria na esfera de influência da Alemanha. Por outro lado, a Inglaterra propunha, no caso de o acordo se concretizar, desinteressar-se pelo futuro da Polónia e cessar as negociações com a URSS.

O embaixador alemão em Londres, Dirksen, escrevia em relatório enviado a Berlim a 3 de Agosto que “segundo os círculos dirigentes britânicos os laços estabelecidos ao longo dos últimos meses com outros Estados (alusão às garantias dadas pela Inglaterra à Polónia, Roménia, Grécia e Turquia) não são mais do que um meio subsidiário com vista a chegar-se a um entendimento efectivo com a Alemanha”, e que “esses laços cessarão logo que se atinja o único objectivo importante e digno de esforços: um acordo com a Alemanha”.

A atestar o carácter dúplice da sua política, a Inglaterra assinara a 22 de Julho um acordo com o Japão (Arita-Cragie), segundo o qual se comprometia a não apoiar qualquer acção ou medida que pudesse impedir o Japão de atingir os seus objectivos na China.

Ora a conclusão deste acordo constituía um apoio diplomático à agressão que o Japão militarista perpetrava nessa altura contra a Mongólia e a URSS na região de Khalkhine Gol.

A situação em Agosto de 1939

Hitler torna claro o seu propósito de invadir a Polónia. Os dirigentes reaccionários polacos mantêm-se intransigentes quanto à questão do trânsito de tropas soviéticas e a Inglaterra e a França pouco fazem para os demover.

Se os nazis ocuparem a Polónia. As tropas alemãs estacionarão nas imediações das cidades de Minsk e Vitessk, que constituem o “tampão” estratégico de acesso a Moscovo. Nessa situação a URSS ficaria numa posição extremamente perigosa no plano militar.

Por outro lado, no Extremo Oriente, o Japão invade a Mongólia e desencadeia hostilidades contra o exército mongol e o Exército Vermelho vindo em auxílio da República Popular da Mongólia.

O risco de conflagração generalizada entre o Japão e a URSS é uma realidade. A URSS corre o grave risco de a curto prazo ter de sustentar a guerra em duas frentes contra dois poderosos inimigos: a Alemanha e o Japão. Mais, a URSS corre o risco de ter de ir para a guerra completamente isolada, pois as negociações militantes com a Inglaterra e a França não sofrem progressos significativos.

O tratado de não agressão germano-soviético

Em meados de Agosto os alemães, na sequência de propostas anteriores, de “normalização de relações”, propõem à URSS a realização de um tratado de não agressão. O governo da URSS só responde quando perde as esperanças de chegar a um acordo com a Inglaterra e a França. Os nazis chegam a esta posição porque temiam que o confronto militar com a URSS fosse demasiado oneroso, preferindo adiá-lo para uma altura em que o seu potencial militar fosse aumentando à custa de outros países europeus.

A 23 de Agosto de 1939, a URSS assina o tratado de não agressão com a Alemanha.
Em Setembro os alemães invadem a Polónia, o que provoca a declaração de guerra à Alemanha pela Inglaterra e a França.

As tropas soviéticas ocupam a Ucrânia Ocidental e a Bielorrússia, territórios espoliados pela Alemanha pelo Tratado de Brest-Litovsk, facto que desmente a tão propagandeada “partilha” dos “despojos” da Polónia.

O tratado de não agressão germano-soviético só foi possível devido ao manifesto desinteresse da Inglaterra e da França em concluírem um tratado com a URSS. Foram responsáveis por isso os círculos dirigentes desses países (assim como da Polónia e da Roménia) , devido ao seu anticomunismo visceral.

O tratado de não agressão permitiu à URSS preparar-se melhor no plano militar durante quase dois anos. Por outro lado, em Junho de 1941, quando os nazis atacaram a URSS, a situação internacional era diferente, pois a Inglaterra estava em guerra com a Alemanha e os EUA também estavam envolvidos, por via do seu apoio à Inglaterra. Assim, as condições eram bem mais favoráveis à formação de uma coligação anti-hitleriana do que em 1939.

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A justificação do vergonhoso tratado gernano soviéticoAugusto Mendes19/05/05 12:48:39


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