Author:
antónio perez metelo
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Date Posted: 19/05/05 11:38:00
In reply to:
RAUL VAZ
's message, "À procura de um número" on 17/05/05 22:27:11
O alarme está dado. Ninguém de boa-fé se atreve a negar a evidência o Estado que temos deve servir melhor os portugueses custando-lhes menos. Tal como está, as contas não quadram. Tal como tem evoluído nos últimos cinco anos, por mais austeridades transversais, sempre limitadas no tempo, que se imponham, ou vendas de pechisbeques ou de jóias em ouro de lei que se negoceiem, a situação do desequilíbrio das contas públicas continua a piorar.
Novas receitas para estancar a hemorragia têm-se multiplicado nos últimos dias na boca dos economistas mais eminentes do País. Mas nem todas têm o mesmo impacto no conjunto da economia. Reduzir regalias, congelar promoções e novas entradas e moderar aumentos na função pública diminuem o peso das despesas com o pessoal do Estado, rubrica entre todas rígida e difícil de comprimir. Mas reduz também o poder de compra de mais de 700 mil funcionários e a capacidade de consumo destes e das suas famílias. Aumentar impostos indirectos sobre bens de consumo gera de imediato nova receita para o Estado, mas alarga o efeito de travagem no consumo dos trabalhadores no sector privado. Tudo o que venha onerar a poupança, por corte de benefícios fiscais, ou represente adiamento de obras públicas prioritárias, é bom para os encaixes públicos e para o controlo da despesa, mas acaba por ter efeito negativo no investimento global.
Não há uma parede intransponível que consiga isolar as medidas restritivas inadiáveis na esfera pública dos seus efeitos de travagem num crescimento económico ainda hesitante e débil. A pedagogia pedida pelo governador do Banco de Portugal para as medidas de ataque ao défice não pode limitar- -se ao anúncio de novo período de austeridade em nome de uma expansão futura, que nunca parece chegar. Deve explicitar com verdade e rigor a razão da escolha de cada medida, do seu peso relativo e dos efeitos positivos que dela se esperam retirar. E não pode omitir o seu impacto negativo, sob pena de tudo isto soar a falso. Quando não há prosperidade para distribuir, o mínimo que se exige é que cada cidadão seja tratado pelo Governo como tal. Para evitar o desânimo, que nos lançaria em nova recessão, convençam-nos de que, dentro das alternativas possíveis, a escolhida é a melhor para a economia e para cada um de nós.
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