| Subject: A única força organizada, que tinha de facto feito uma corajosa luta contra o regime, era o PCP |
Author:
Lígia Monteiro
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Date Posted: 22/05/05 15:27:35
Lígia Monteiro, psiquiatra, em Pùblica, 22/05/05
Mª João Seixas - Como é que recebeste o 25 de Abril?
Lígia Monteiro – Com a maior alegria. Sabia que a ditadura que nos calhou em sorte, encabeçada por um senhor arcaico e paroquial, que bem aproveitou o facto de estarmos para aqui num canto da Europa, sem nos termos confrontado com nenhuma situação extrema (a da Segunda Grande Guerra, por exemplo), atolados neste modo de viver em banho-maria, de nos consolarmos com os nossos “brandos costumes”, mantidos numa pobreza de educação, medonha, só poderia acabar com uma revolução. A guerra colonial veio forçar tudo (aí tens o contributo de uma estúpida situação extrema!) e levar os militares a fazer o 25 de Abril,
Mª João Seixas – O tempo foi-se afastando dessa alegria inicial?
Lígia Monteiro – Logo no 1º de Maio de 1974, que vivi intensamente, comecei a dar-me conta do que aí vinha. Naquele dia só havia antifascistas à minha volta, centenas de milhares de antifascistas, assim, de um dia para o outro.
A única força verdadeiramente organizada, que tinha de facto feito uma corajosa luta contra o regime, era o PCP. Deixemo-nos de tretas, tinham sido eles a dar, anos a fio, o corpo ao manifesto e tinha chegado a hora, vi-o naquela grande manifestação, de fazer a cobrança desses anos. Não tive ilusões.
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