| Subject: A catequese do Bloco |
Author:
Paulo Chitas
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Date Posted: 14/05/05 12:14:47
A catequese do Bloco
Paulo Chitas, Visão, 12-05-05
(…) Louça bem avisou (…) que apesar dos jornais e dos jornalistas, o BE não é aristocrático. E se restassem dúvidas, bastava percorrer a sala onde se juntaram mais de seis centenas de militantes e simpatizantes: muitos estudantes, nomeadamente de Ciências Sociais, activistas feministas, dos direitos das minorias étnicas, dos gays e das lésbicas, professores e alguns sindicalistas.
O deputado também lembrou que não estava a ser “entronizado” (…) e que, no BE, são todos “plebeus”. Para lhe dar razão, até houve um desacato, na tarde de sábado, quando um militante enervado pelos apodos de “mentiroso” teve de ser refreado por outros, depois de acusar um “camarada” ausente de realizar purgas ideológicas na sua estrutura de base.
Tirando o incidente, os trabalhos decorreram com a elevação necessária. E uma sonolenta esterilidade.
O vinho do Bloco
No sábado de manhã, os delegados começaram a chegar (…). No átrio (…) já estavam a postos as bancas das correntes políticas do BE: UDP, Política XXI, PSR e FER/Ruptura. T-shirts do BE, lápis e canetas, ao lado dos livros (…) de Leon Trotski, mas também garrafas de branco de Bucelas (…).
Sem chama
Se na reunião magna de um partido é suposto falar-se do País, dos seus problemas e de soluções para os resolver, então o BE pertence a uma constelação partidária diferente.
No sábado, com o monocórdico tom de uma prédica, os delegados subiram ao palanque sobretudo para discutir a democraticidade interna da organização, sem quaisquer consequências políticas relevantes para o País – nem para o Bloco.
É verdade que Luís Fazenda arrebatou alguns aplausos na sua intervenção em nome das Teses da direcção (…) mas tirando esse momento de maior empolgamento, os acólitos do BE foram de uma estonteante previsibilidade.
O “aprofundamento” ideológico e o reforço da participação requeridos pelos otelistas ficou-se pelas intenções.
As suas críticas foram definitivamente caladas, quando Louça lebrou o “direito de tendência” (…). E Teodósio Alcobia e Helena Carmo enjeitaram, desde logo, serem uma facção ou constituírem uma alternativa à direcção (…).
O outro grande tema, o alinhamento internacional da organização, também redundou numa estéril discussão, sobre o “estalinismo” de alguns dos partidos 1ue integram a plataforma do PEE, a que o Bloco irá pedir a adesão, depois de um “estágio “ como observador.
Só Louça brilhou, antes da previsível vitória– a sua moção foi aprovada sem votos contra -, quando lembrou os candidatos às autárquicas: o advogado Sá Frnandes em Lsboa; a jornalista Diana Andriga, na Amadora; e o ex-comunista João Semedo, em Gondomar. E, (…) quando garantiu que o BE avançará com uma candidatura presidencial “republicana e socialista” contra o “esfíngico Cavaco (…).
Os rebeldes
Gil Garcia
Juntamente com os activistas da FER/Ruptura foi o grande opositor das coligações contra o PS, nas autárquicas, e da adesão do BE ao PEE (…). Noutro partido, talvez a coisa se resolvesse, expressando claramente esta posição – mas no BE houve uma tumultuosa troca de ideias, por escrito, antes da Convenção.
No debate, travado, entre outros, por Jorge Costa (da actual direcção) e Gil Garcia, professor e um dos assessores do BE no Parlamento, o pomo da discórdia também foi a própria natureza do partido.
Garcia invocou o filósofo Fukuyama para assegurar que o BE não é “o fim da política partidária da esquerda em Portugal”. Mas nem assim calou Jorge Costa, para quem “o Bloco não é um convívio temporário de correntes em trânsito, mas sim um compromisso (…) baseado na clareza e na frontalidade”.
Os otelistas
Helena Carmo, uma das condenadas no processo FUP, foi a voz e a cara da oposição à direcção do Bloco. Apoiante da moção (…) de que o electricista Teodósio Alcobia foi o primeiro subscritor, insistiu, sobretudo, na necessidade de aprofundar o debate ideológico e a “democracia participativa”.
A sua moção (…) exigiu iniciativas sem carácter de “catequese”, propôs que o BE fizesse “os trabalhos de casa” e que aos novos activistas não fossem atribuídas, unicamente, tarefas de “coladores de cartazes”. Miguel Portas classificou a proposta como umbiguista e Ana Drago comparou os seus subscritores aos “santanistas”. E se não fossem todos amigos)
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