| Subject: As falsas virgens |
Author:
São José Almeida
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Date Posted: 14/05/05 16:19:30
In reply to:
Paulo Chitas
's message, "A catequese do Bloco" on 14/05/05 12:14:47
As falsas virgens
São José Almeida, Público, 14-05-05
(…) 2. O BE realizou este fim-de-semana a sua convenção e nela elegeu por unanimidade como seu coordenador Francisco Louça, que era já na prática o líder mediatizado.
A eleição de Louça esteve associada à vitória da moção da direcção, aprovada sem votos contra, embora tivesse sido apresentada uma moção suportamente alternativa quanto à estratégia e à organização interna, da autoria de um grupo de supostos críticos, que optaram por representar o papel de figurantes da entronização de Louça.
Já eleito, Louça reafirmou a ideia de que o BE é o partido verdadeiramente novo, verdadeiramente moralizador da vida pública.
E assumiu oficialmente o apoio à candidatura independente de José Sá Fernandes, um apoio que é dado depois de falidas as negociações com o PS para uma eventual coligação eleitoral na capital, mas que foi negociada em contactos mantidos entre dirigentes do BE e Sá Fernandes ao longo de meses, como o Público noticiou no passado domingo, em notícia baseada em informações recolhidas e confirmadas junto de diversos dirigentes do BE.
Conversações essas que se desenrolaram, por exemplo, em torno da contestação ao túnel do Marquês, e que foram aceleradas e oficializadas após as legislativas de 20 de Fevereiro.
Na sequência da notícia do Público, José Sá Fernandes decidiu desmenti-la. O Público aceitou o desmentido, publicando-o na terça-feira. Antes da publicação, na segunda-feira, a jornalista Mª José Oliveira falou telefonicamente com Francisco Louça, que lhe garantiu, em nome do BE, que a notícia não seria desmentida por este partido, porque estava correcta na substância, as negociações não tinham atingido um ano mas decorreram durante meses.
O Público fez assim uma nota de direcção em que assumiu que as fontes da notícia eram do BE e que mantinham as informações. Na terça-feira, ao fim do dia, o Público recebeu um e-mail, enviado do grupo parlamentar do BE, em que, a título de esclarecimento, se parafraseava o desmentido de José Sá Fernandes.
Na quarta-feira à tarde, José Sá Fernandes escreve segunda carta ao Público, também ao abrigo da lei de imprensa, tornando assim a sua publicação obrigatória, exigindo a divulgação do comunicado do BE. Isto sem que houvesse tempo real ainda para a sua eventual publicação.
Perante o facto de se sentirem atingidos na sua honorabilidade e envolvidos num braço-de-ferro entre a direcção do BE e José Sá Fernandes, os jornalistas do Público Mª José Oliveira, autora da notícia, e Nuno Sá Lourenço, que contribuiu para a sua confirmação, decidiram denunciar algumas fontes de informação, com total apoio da editoria da secção Nacional e do director do jornal e no cumprimento do Livro de Estilo no que se refere a situações de tentativa de manipulação do jornal.
Os jornalistas do Público sabem a gravidade da denúncia de fontes e o que isso representa como quebra de confiança na relação entre fontes e jornalistas, mas sabem também que essa relação não é unívoca e pressupõe seriedade de ambas as partes.
Não é a primeira vez que direcções partidárias ou políticos individualmente tentam responsabilizar apenas os jornalistas pelas consequências da publicação de informações. Não é a primeira vez que tal acontece, aliás, entre o BE e o Público.
E agora, como muito provavelmente a publicação da notícia acabou por interferir nas relações entre o BE e o putativo candidato, o BE achou normal vir fazer um comunicado em que, com o maior descaramento e sem nenhum rebate de consciência, dava o dito por não dito, procurava salvar a face perante o seu parceiro de negociação, tentando difamar uma jornalista séria e rigorosa.
Francisco Louçã não se sentiu constrangido por dizer uma coisa e praticar outra. É até um comportamento recorrente entre muitos políticos tentar endossar a eventual culpa para os jornalistas, que são, aliás, amiúde tratados como estúpidos, ignorantes, desonestos, malformados, manipuladores, manipuláveis.
Ora, a um partido que se apresenta como novo e diferente e que jura defender uma prática política séria, é de exigir que tenha a mesma seriedade a tratar os jornalistas do Público que estes têm quando tratam com o BE.
A recorrência a desmentidos e à tentativa de difamação de jornalistas para resolver a gestão de problemas internos não colhe cobertura na secção de Nacional do Público.
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