| Subject: gostei |
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asterix
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Date Posted: 9/05/05 18:44:35
In reply to:
Para que nunca mais aconteça o fascismo
's message, "A guerra podia ter sido evitada (3)" on 8/05/05 22:38:03
-Muito obrigada pelo artigo. Mais destes !
>Para que nunca mais aconteça o fascismo, Editorial
>Avante, 1996 (páginas 58-57)
>
>A guerra podia ter sido evitada (3)
>
>A entrega vergonhosa
>
>O acordo foi imediatamente encontrado. Hitler
>conseguiu tudo o que reivindicava. A Alemanha ocuparia
>o território predominantemente alemão “de 1 a 7 de
>Outubro”. O território restante, após delimitação da
>Comissão Internacional seria ocupado até 10 de
>Outubro.
>
>Nenhuma instalação do território evacuado pela
>Checoslováquia podia ser destruída. Posteriormente, a
>Comissão Internacional organizaria plebiscitos nos
>territórios onde existissem dúvidas sobre se a maioria
>dos habitantes era alemã. Por fim delimitaria as novas
>fronteiras.
>
>Num anexo ao acordo a França e a Inglaterra mantinham
>a oferta de garantias das novas fronteiras contra uma
>opressão internacional.
>
>A Alemanha e a Itália comprometiam-se no mesmo
>sentido, quando a questão das minorias polaca e
>húngara fosse resolvida. Escusado será dizer que nunca
>houve quaisquer plebiscitos nem nenhum dos países
>respeitou os seus compromissos.
>
>Os representantes checos, que não puderam assistir à
>Conferência, foram informados do facto consumado por
>Daladier e Chamberlain. Ainda esboçaram resistência,
>mas os seus interlocutores ameaçaram-nos de que se não
>aceitassem teriam de se haver sozinhos com os alemães.
>
>Os checos acabaram por capitular. Benes renunciou à
>presidência por pressão de Berlim. A 30 de Novembro
>sucedeu-lhe o Dr. Emil Hacha, um homem senil e
>reaccionário.
>
>No seu regresso a Inglaterra, Chamberlain ainda foi
>aclamado por muitos como pacificador. Contudo,
>Churchill não deixou de afirmar na Câmara dos Comuns,
>perante os protestos gerais: “Sofremos uma derrota
>total e completa”. Em França os comunistas votam
>contra o acordo de Munique, os socialistas abstêm-se e
>os restantes aprovam-no.
>Em Portugal, Salazar elogia Chamberlain.
>
>Em Novembro, a Polónia ocupa o território de Teschen,
>que abrangia uma população de 220.000 pessoas. A
>Hungria ocupa por decisão de Ribbentrop e Ciano, a
>Eslováquia Meridional, um território onde viviam 800
>mil pessoas.
>
>A Checoslováquia fora arruinada. Sem perder uma única
>vida, Hitler conseguira adicionar à Alemanha a Áustria
>e os Sudetas (mais de 10 milhões de pessoas) e um
>vasto território estratégico.
>
>A conferência de Munique foi uma página vergonhosa da
>História da Inglaterra e da França.
>
>O Acordo de Munique é o culminar da denominada
>“política de apaziguamento” de Chamberlain e Daladier.
>A URSS, que fora afastada dessa Conferência denuncia o
>carácter ilegal desse acordo.
>
>Seis meses depois de Munique, Hitler ocupa
>completamente a Checoslováquia; rompe o tratado de não
>agressão com a Polónia e faz-lhe exigências a pretexto
>de Dantzig; exige as antigas colónias atribuídas à
>França e à Inglaterra em consequência do Tratado de
>Versalhes; rompe o acordo naval com a Inglaterra; e
>ocupa o porto lituano de Klaipeda.
>
>Tornava-se claro que os nazis alemães não respeitavam
>as próprias conclusões de Munique (declarações
>franco-alemã e anglo-alemã que constituíam verdadeiros
>acordos de não agressão). Perante estes
>acontecimentos, as massas populares e mesmo certos
>sectores da burguesia de França e Inglaterra exigem
>dos seus governos a alteração da política de
>concessões e cedências aos nazis.
>
>As propostas soviéticas
>
>Em todo este período, o Partido Comunista e o governo
>soviético desenvolveram esforços coerentes e firmes no
>sentido da unificação de esforços de todos os que se
>opunham à ameaça nazi-fascista.
>
>- Em 1933, O Partido Comunista e o governo soviético
>propuseram a criação de um sistema de segurança
>colectiva na Europa, conduzindo a alguns
>desenvolvimentos e concretizações positivas na
>assinatura dos tratados soviético-checoslovaco (16 de
>Maio de 1935) e soviético-francês (2 de Maio de 1935),
>destinados a prevenir a ameaça de agressão alemã.
>
>- Em 1936, ao abrigo deste tratado, a URSS manifesta a
>sua disponibilidade para ajudar a França quando Hitler
>invade as zonas desmilitarizadas do Reno (1936), ajuda
>que não foi aceite pelo governo francês.
>
>- Em 28 de Setembro de 1937, o Pravda escrevia a
>propósito da Áustria (anexada em Março de 1936 pela
>Alemanha nazi): “A manutenção da independência da
>Áustria exige acções rápidas e unidas de todos os
>países interessados em garantir a Paz na Europa. Só
>essas acções podem deter o agressor e prevenir a
>criação de um novo foco de guerra”.
>
>- Poucos dias após a invasão da Áustria (em 17 de
>Março de 1938) o governo soviético – o único que o
>condenou – afirmava em declaração oficial: “Amanhã
>pode já ser tarde, mas hoje ainda estamos a tempo
>disso, se todos os Estados particularmente as grandes
>potências, assumirem a posição firme e inequívoca
>relativamente ao problema de defesa colectivo da paz”.
>
>- Em Setembro de 1938, poucos dias antes da assinatura
>do Pacto de Munique, e em resposta a um pedido do
>governo checoslovaco da época, a URSS declarava-se
>pronta a prestar ajuda à Checoslováquia, face a uma
>agressão da Alemanha, cumprindo o tratado de 1935. Com
>este objectivo foi, aliás, deslocado para as
>fronteiras ocidentais da URSS um grande agrupamento de
>tropas soviéticas, onde se manteve até 25 de Outubro
>de 1938 – pronto a combater na Checoslováquia. A
>capitulação do governo checoslovaco em Munique em
>conluio com os governos da Inglaterra e da França,
>retirou qualquer sentido e eficácia à disponibilidade
>do governo soviético.
>
>A 18 de Março de 1938, a URSS, apesar das fundadas
>razões para desconfiar das intenções dos círculos
>dirigentes da França e da Inglaterra, propõe a
>realização de uma Conferência em que participem
>representantes da URSS, Inglaterra, França, Polónia,
>Roménia e Turquia.
>
>A 16 de Abril, Litvinov, comissário soviético dos
>Negócios Estrangeiros, propõe ao embaixador britânico
>em Moscovo a realização de um Pacto de Assistência
>Mútua entre a URSS, a Inglaterra e a França. Esse
>Pacto deveria ser reforçado por uma convenção militar
>entre os três Estados que garantiriam auxílio a todos
>os Estados da Europa Central e Oriental que se
>sentissem ameaçados pela Alemanha.
>
>Esta proposta não teve resposta concreta e a 4 de
>Maio, Churchill, num discurso na Câmara dos Comuns,
>lamentava que a oferta soviética ainda não tivesse
>qualquer resposta por parte do governo inglês, pois
>considerava que “não existiam meios para manter uma
>frente oriental contra a agressão nazi sem a
>participação activa da União Soviética”.
>
>A 8 de Maio, Chamberlain discursa nos Comuns e
>desdenhosamente afirma que a recusa às propostas
>soviéticas se deve a “uma espécie de muralha entre os
>dois governos extremamente difícil de penetrar”.
>Churchill, agora secundado por Loyd George, avisa de
>novo Chamberlain que deve negociar imediatamente com a
>URSS.
>
>Pressionado por críticas de todos os sectores,
>Chamberlain decide-se a iniciar discussões com a URSS
>a 27 de Maio. A 30 de Maio, Molotov, o novo comissário
>soviético dos Negócios Estrangeiros, retoma a proposta
>de Litvinov de um pacto tripartido de assistência
>mútua de carácter puramente defensivo e que desse
>garantias a todos os Estados na Europa Central e
>Oriental, incluindo todos os Estados europeus
>limítrofes da URSS.
>
>De imediato, tanto a Polónia como a Roménia, assim
>como os Estados Bálticos e a Finlândia recusaram
>qualquer garantia por parte da URSS.
>
>A Polónia e a Roménia excluíram qualquer possibilidade
>de as tropas soviéticas cruzarem os seus territórios
>para enfrentar uma eventual agressão alemã.
>
>Perante o impasse criado, Molotov convidou o ministro
>dos Negócios Estrangeiros britânico a deslocar-se a
>Moscovo para negociações. Este recusou, por indicação
>de Chamberlain, mas os ingleses decidiram enviar um
>funcionário de segundo plano, William Strang, para
>negociar com os dirigentes soviéticos. Apesar de tudo,
>as negociações políticas continuaram com uma
>impressionante lentidão.
>
>Em Julho, Molotov propõe a assinatura simultânea do
>Acordo político com o militar, hipótese que desagrada
>aos ingleses, mas com a qual acabam por concordar, por
>pressão dos franceses.
>
>A missão militar inglesa, aliás como a francesa, é
>muito pouco representativa, sendo chefiada por um
>almirante reformado, Drax, que nem sequer levava
>credenciais para negociar. Por outro lado, levava
>instruções do seu governo para negociar vagarosamente
>e não revelar aos soviéticos qualquer informação
>sigilosa de carácter militar. A preocupação de andar
>devagar era tão grande que os ingleses viajavam de
>barco, demorando quase uma semana, quando podiam ter
>utilizado o avião.
>
>As negociações iniciaram-se, sendo a delegação
>soviética dirigida pelo marechal Voroshilov,
>comissário da Defesa, e composta ainda pelos
>comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea. Isto
>comprova o empenho soviético nas negociações, ao
>contrário dos ingleses e franceses que haviam enviado
>delegações de segundo nível e com poderes de decisão
>limitadíssimos. O embaixador alemão em Moscovo,
>Schulenburg, em telegrama enviado ao seu governo a 4
>de Agosto declara: “o governo soviético está
>firmemente a concluir um tratado com a França e a
>Inglaterra”.
>
>A duplicidade da Inglaterra
>
>Entretanto, a par das morosas negociações de Moscovo,
>decorriam contactos entre envi-ados secretos ingleses
>(H.Wilson e R, Hudson) e os nazis. Nesses contactos os
>ingleses fizeram propostas de colaboração aos nazis
>que previam nomeadamente a concretização de um acordo
>sobre a delimitação das esferas de influência a nível
>mundial, “a fim de abrir novos mercados mundiais e de
>explorar aqueles que existem”.
>
>Segundo esse projecto, a Europa do Leste e Sudeste
>ficaria na esfera de influência da Alemanha. Por outro
>lado, a Inglaterra propunha, no caso de o acordo se
>concretizar, desinteressar-se pelo futuro da Polónia e
>cessar as negociações com a URSS.
>
>O embaixador alemão em Londres, Dirksen, escrevia em
>relatório enviado a Berlim a 3 de Agosto que “segundo
>os círculos dirigentes britânicos os laços
>estabelecidos ao longo dos últimos meses com outros
>Estados (alusão às garantias dadas pela Inglaterra à
>Polónia, Roménia, Grécia e Turquia) não são mais do
>que um meio subsidiário com vista a chegar-se a um
>entendimento efectivo com a Alemanha”, e que “esses
>laços cessarão logo que se atinja o único objectivo
>importante e digno de esforços: um acordo com a
>Alemanha”.
>
>A atestar o carácter dúplice da sua política, a
>Inglaterra assinara a 22 de Julho um acordo com o
>Japão (Arita-Cragie), segundo o qual se comprometia a
>não apoiar qualquer acção ou medida que pudesse
>impedir o Japão de atingir os seus objectivos na China.
>
>Ora a conclusão deste acordo constituía um apoio
>diplomático à agressão que o Japão militarista
>perpetrava nessa altura contra a Mongólia e a URSS na
>região de Khalkhine Gol.
>
>A situação em Agosto de 1939
>
>Hitler torna claro o seu propósito de invadir a
>Polónia. Os dirigentes reaccionários polacos mantêm-se
>intransigentes quanto à questão do trânsito de tropas
>soviéticas e a Inglaterra e a França pouco fazem para
>os demover.
>
>Se os nazis ocuparem a Polónia. As tropas alemãs
>estacionarão nas imediações das cidades de Minsk e
>Vitessk, que constituem o “tampão” estratégico de
>acesso a Moscovo. Nessa situação a URSS ficaria numa
>posição extremamente perigosa no plano militar.
>
>Por outro lado, no Extremo Oriente, o Japão invade a
>Mongólia e desencadeia hostilidades contra o exército
>mongol e o Exército Vermelho vindo em auxílio da
>República Popular da Mongólia.
>
>O risco de conflagração generalizada entre o Japão e a
>URSS é uma realidade. A URSS corre o grave risco de a
>curto prazo ter de sustentar a guerra em duas frentes
>contra dois poderosos inimigos: a Alemanha e o Japão.
>Mais, a URSS corre o risco de ter de ir para a guerra
>completamente isolada, pois as negociações militantes
>com a Inglaterra e a França não sofrem progressos
>significativos.
>
>O tratado de não agressão germano-soviético
>
>Em meados de Agosto os alemães, na sequência de
>propostas anteriores, de “normalização de relações”,
>propõem à URSS a realização de um tratado de não
>agressão. O governo da URSS só responde quando perde
>as esperanças de chegar a um acordo com a Inglaterra e
>a França. Os nazis chegam a esta posição porque temiam
>que o confronto militar com a URSS fosse demasiado
>oneroso, preferÿ
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