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Subject: A guerra podia ter sido evitada (3)


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Para que nunca mais aconteça o fascismo
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Date Posted: 8/05/05 22:38:03
In reply to: Para que nunca mais aconteça o fascismo 's message, "A Revolução de Outubro, o Tratado de Brest-Litovsk e a intervenção (...) contra o poder soviético" on 8/05/05 19:13:33

Para que nunca mais aconteça o fascismo, Editorial Avante, 1996 (páginas 58-57)

A guerra podia ter sido evitada (3)

A entrega vergonhosa

O acordo foi imediatamente encontrado. Hitler conseguiu tudo o que reivindicava. A Alemanha ocuparia o território predominantemente alemão “de 1 a 7 de Outubro”. O território restante, após delimitação da Comissão Internacional seria ocupado até 10 de Outubro.

Nenhuma instalação do território evacuado pela Checoslováquia podia ser destruída. Posteriormente, a Comissão Internacional organizaria plebiscitos nos territórios onde existissem dúvidas sobre se a maioria dos habitantes era alemã. Por fim delimitaria as novas fronteiras.

Num anexo ao acordo a França e a Inglaterra mantinham a oferta de garantias das novas fronteiras contra uma opressão internacional.

A Alemanha e a Itália comprometiam-se no mesmo sentido, quando a questão das minorias polaca e húngara fosse resolvida. Escusado será dizer que nunca houve quaisquer plebiscitos nem nenhum dos países respeitou os seus compromissos.

Os representantes checos, que não puderam assistir à Conferência, foram informados do facto consumado por Daladier e Chamberlain. Ainda esboçaram resistência, mas os seus interlocutores ameaçaram-nos de que se não aceitassem teriam de se haver sozinhos com os alemães.

Os checos acabaram por capitular. Benes renunciou à presidência por pressão de Berlim. A 30 de Novembro sucedeu-lhe o Dr. Emil Hacha, um homem senil e reaccionário.

No seu regresso a Inglaterra, Chamberlain ainda foi aclamado por muitos como pacificador. Contudo, Churchill não deixou de afirmar na Câmara dos Comuns, perante os protestos gerais: “Sofremos uma derrota total e completa”. Em França os comunistas votam contra o acordo de Munique, os socialistas abstêm-se e os restantes aprovam-no.
Em Portugal, Salazar elogia Chamberlain.

Em Novembro, a Polónia ocupa o território de Teschen, que abrangia uma população de 220.000 pessoas. A Hungria ocupa por decisão de Ribbentrop e Ciano, a Eslováquia Meridional, um território onde viviam 800 mil pessoas.

A Checoslováquia fora arruinada. Sem perder uma única vida, Hitler conseguira adicionar à Alemanha a Áustria e os Sudetas (mais de 10 milhões de pessoas) e um vasto território estratégico.

A conferência de Munique foi uma página vergonhosa da História da Inglaterra e da França.

O Acordo de Munique é o culminar da denominada “política de apaziguamento” de Chamberlain e Daladier. A URSS, que fora afastada dessa Conferência denuncia o carácter ilegal desse acordo.

Seis meses depois de Munique, Hitler ocupa completamente a Checoslováquia; rompe o tratado de não agressão com a Polónia e faz-lhe exigências a pretexto de Dantzig; exige as antigas colónias atribuídas à França e à Inglaterra em consequência do Tratado de Versalhes; rompe o acordo naval com a Inglaterra; e ocupa o porto lituano de Klaipeda.

Tornava-se claro que os nazis alemães não respeitavam as próprias conclusões de Munique (declarações franco-alemã e anglo-alemã que constituíam verdadeiros acordos de não agressão). Perante estes acontecimentos, as massas populares e mesmo certos sectores da burguesia de França e Inglaterra exigem dos seus governos a alteração da política de concessões e cedências aos nazis.

As propostas soviéticas

Em todo este período, o Partido Comunista e o governo soviético desenvolveram esforços coerentes e firmes no sentido da unificação de esforços de todos os que se opunham à ameaça nazi-fascista.

- Em 1933, O Partido Comunista e o governo soviético propuseram a criação de um sistema de segurança colectiva na Europa, conduzindo a alguns desenvolvimentos e concretizações positivas na assinatura dos tratados soviético-checoslovaco (16 de Maio de 1935) e soviético-francês (2 de Maio de 1935), destinados a prevenir a ameaça de agressão alemã.

- Em 1936, ao abrigo deste tratado, a URSS manifesta a sua disponibilidade para ajudar a França quando Hitler invade as zonas desmilitarizadas do Reno (1936), ajuda que não foi aceite pelo governo francês.

- Em 28 de Setembro de 1937, o Pravda escrevia a propósito da Áustria (anexada em Março de 1936 pela Alemanha nazi): “A manutenção da independência da Áustria exige acções rápidas e unidas de todos os países interessados em garantir a Paz na Europa. Só essas acções podem deter o agressor e prevenir a criação de um novo foco de guerra”.

- Poucos dias após a invasão da Áustria (em 17 de Março de 1938) o governo soviético – o único que o condenou – afirmava em declaração oficial: “Amanhã pode já ser tarde, mas hoje ainda estamos a tempo disso, se todos os Estados particularmente as grandes potências, assumirem a posição firme e inequívoca relativamente ao problema de defesa colectivo da paz”.

- Em Setembro de 1938, poucos dias antes da assinatura do Pacto de Munique, e em resposta a um pedido do governo checoslovaco da época, a URSS declarava-se pronta a prestar ajuda à Checoslováquia, face a uma agressão da Alemanha, cumprindo o tratado de 1935. Com este objectivo foi, aliás, deslocado para as fronteiras ocidentais da URSS um grande agrupamento de tropas soviéticas, onde se manteve até 25 de Outubro de 1938 – pronto a combater na Checoslováquia. A capitulação do governo checoslovaco em Munique em conluio com os governos da Inglaterra e da França, retirou qualquer sentido e eficácia à disponibilidade do governo soviético.

A 18 de Março de 1938, a URSS, apesar das fundadas razões para desconfiar das intenções dos círculos dirigentes da França e da Inglaterra, propõe a realização de uma Conferência em que participem representantes da URSS, Inglaterra, França, Polónia, Roménia e Turquia.

A 16 de Abril, Litvinov, comissário soviético dos Negócios Estrangeiros, propõe ao embaixador britânico em Moscovo a realização de um Pacto de Assistência Mútua entre a URSS, a Inglaterra e a França. Esse Pacto deveria ser reforçado por uma convenção militar entre os três Estados que garantiriam auxílio a todos os Estados da Europa Central e Oriental que se sentissem ameaçados pela Alemanha.

Esta proposta não teve resposta concreta e a 4 de Maio, Churchill, num discurso na Câmara dos Comuns, lamentava que a oferta soviética ainda não tivesse qualquer resposta por parte do governo inglês, pois considerava que “não existiam meios para manter uma frente oriental contra a agressão nazi sem a participação activa da União Soviética”.

A 8 de Maio, Chamberlain discursa nos Comuns e desdenhosamente afirma que a recusa às propostas soviéticas se deve a “uma espécie de muralha entre os dois governos extremamente difícil de penetrar”. Churchill, agora secundado por Loyd George, avisa de novo Chamberlain que deve negociar imediatamente com a URSS.

Pressionado por críticas de todos os sectores, Chamberlain decide-se a iniciar discussões com a URSS a 27 de Maio. A 30 de Maio, Molotov, o novo comissário soviético dos Negócios Estrangeiros, retoma a proposta de Litvinov de um pacto tripartido de assistência mútua de carácter puramente defensivo e que desse garantias a todos os Estados na Europa Central e Oriental, incluindo todos os Estados europeus limítrofes da URSS.

De imediato, tanto a Polónia como a Roménia, assim como os Estados Bálticos e a Finlândia recusaram qualquer garantia por parte da URSS.

A Polónia e a Roménia excluíram qualquer possibilidade de as tropas soviéticas cruzarem os seus territórios para enfrentar uma eventual agressão alemã.

Perante o impasse criado, Molotov convidou o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico a deslocar-se a Moscovo para negociações. Este recusou, por indicação de Chamberlain, mas os ingleses decidiram enviar um funcionário de segundo plano, William Strang, para negociar com os dirigentes soviéticos. Apesar de tudo, as negociações políticas continuaram com uma impressionante lentidão.

Em Julho, Molotov propõe a assinatura simultânea do Acordo político com o militar, hipótese que desagrada aos ingleses, mas com a qual acabam por concordar, por pressão dos franceses.

A missão militar inglesa, aliás como a francesa, é muito pouco representativa, sendo chefiada por um almirante reformado, Drax, que nem sequer levava credenciais para negociar. Por outro lado, levava instruções do seu governo para negociar vagarosamente e não revelar aos soviéticos qualquer informação sigilosa de carácter militar. A preocupação de andar devagar era tão grande que os ingleses viajavam de barco, demorando quase uma semana, quando podiam ter utilizado o avião.

As negociações iniciaram-se, sendo a delegação soviética dirigida pelo marechal Voroshilov, comissário da Defesa, e composta ainda pelos comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea. Isto comprova o empenho soviético nas negociações, ao contrário dos ingleses e franceses que haviam enviado delegações de segundo nível e com poderes de decisão limitadíssimos. O embaixador alemão em Moscovo, Schulenburg, em telegrama enviado ao seu governo a 4 de Agosto declara: “o governo soviético está firmemente a concluir um tratado com a França e a Inglaterra”.

A duplicidade da Inglaterra

Entretanto, a par das morosas negociações de Moscovo, decorriam contactos entre enviados secretos ingleses (H.Wilson e R, Hudson) e os nazis. Nesses contactos os ingleses fizeram propostas de colaboração aos nazis que previam nomeadamente a concretização de um acordo sobre a delimitação das esferas de influência a nível mundial, “a fim de abrir novos mercados mundiais e de explorar aqueles que existem”.

Segundo esse projecto, a Europa do Leste e Sudeste ficaria na esfera de influência da Alemanha. Por outro lado, a Inglaterra propunha, no caso de o acordo se concretizar, desinteressar-se pelo futuro da Polónia e cessar as negociações com a URSS.

O embaixador alemão em Londres, Dirksen, escrevia em relatório enviado a Berlim a 3 de Agosto que “segundo os círculos dirigentes britânicos os laços estabelecidos ao longo dos últimos meses com outros Estados (alusão às garantias dadas pela Inglaterra à Polónia, Roménia, Grécia e Turquia) não são mais do que um meio subsidiário com vista a chegar-se a um entendimento efectivo com a Alemanha”, e que “esses laços cessarão logo que se atinja o único objectivo importante e digno de esforços: um acordo com a Alemanha”.

A atestar o carácter dúplice da sua política, a Inglaterra assinara a 22 de Julho um acordo com o Japão (Arita-Cragie), segundo o qual se comprometia a não apoiar qualquer acção ou medida que pudesse impedir o Japão de atingir os seus objectivos na China.

Ora a conclusão deste acordo constituía um apoio diplomático à agressão que o Japão militarista perpetrava nessa altura contra a Mongólia e a URSS na região de Khalkhine Gol.

A situação em Agosto de 1939

Hitler torna claro o seu propósito de invadir a Polónia. Os dirigentes reaccionários polacos mantêm-se intransigentes quanto à questão do trânsito de tropas soviéticas e a Inglaterra e a França pouco fazem para os demover.

Se os nazis ocuparem a Polónia. As tropas alemãs estacionarão nas imediações das cidades de Minsk e Vitessk, que constituem o “tampão” estratégico de acesso a Moscovo. Nessa situação a URSS ficaria numa posição extremamente perigosa no plano militar.

Por outro lado, no Extremo Oriente, o Japão invade a Mongólia e desencadeia hostilidades contra o exército mongol e o Exército Vermelho vindo em auxílio da República Popular da Mongólia.

O risco de conflagração generalizada entre o Japão e a URSS é uma realidade. A URSS corre o grave risco de a curto prazo ter de sustentar a guerra em duas frentes contra dois poderosos inimigos: a Alemanha e o Japão. Mais, a URSS corre o risco de ter de ir para a guerra completamente isolada, pois as negociações militantes com a Inglaterra e a França não sofrem progressos significativos.

O tratado de não agressão germano-soviético

Em meados de Agosto os alemães, na sequência de propostas anteriores, de “normalização de relações”, propõem à URSS a realização de um tratado de não agressão. O governo da URSS só responde quando perde as esperanças de chegar a um acordo com a Inglaterra e a França. Os nazis chegam a esta posição porque temiam que o confronto militar com a URSS fosse demasiado oneroso, preferÿ

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Subject Author Date
gosteiasterix 9/05/05 18:44:35


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