VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

21/04/26 13:46:47Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1234567[8] ]
Subject: O BE concluiu o seu ciclo de extrema-esquerda carrefour e procurou converter-se em partido de poder


Author:
Carlos Blanco de Morais
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 10/05/05 11:43:46
In reply to: Lusa 's message, ""A partir do momento em que o BE diz que é o único (...) democrático não faz sentido apelar à união" on 8/05/05 19:53:20

Experimentar o Bloco

Carlos Blanco de Morais, DN, 10-05-05

Com a sua convenção finda a 8 de Maio, o Bloco de Esquerda concluiu o seu ciclo de extrema-esquerda carrefour e procurou converter-se em partido de poder.

A atestá-lo, não faltaram, nem a coroação de Louçã como "coordenador"da Comissão Política (uma espécie de secretário-geral em pudica filmagem soft core), nem a "exclusão", como paradoxal punição estalinista num partido que protesta o seu carácter "inclusivo".

Esta mutação transgenérica do Bloco, de partido de protesto em partido de "alternativa socialista", era inevitável desde que Portugal passou a ser, para sua desgraça, o único país europeu ocidental onde uma coligação de trotskistas, estalinistas e libertários de esquerda logrou passar de 2,7% para 6,3 % de votos.

O Bloco sente ao longe o "perfume do poder" e prepara-se para ele, mesmo quando não abdica do seu folclore indígena de jamais "vestir a gravata".

Ao optar estrategicamente pela "criação de emprego" e pelo "esvaziamento do centro" a sua convenção elegeu o Partido Socialista como principal concorrente em 2009. Se o PS perder votos à esquerda como efeito do desgaste da realpolitik económica, o grande beneficiário será, sobretudo, um Bloco em expansão e não tanto um PCP (...).

Mas, ao admitir tacticamente nas autárquicas, tanto coligações cirúrgicas com o PS e o PCP em casos como o do Funchal, como candidaturas emblemáticas e próprias como em Lisboa, onde apoia um demagogo que ameaça a vitória de Carrilho, o Bloco inicia uma relação "amargo-doce" com o PS que um dia lhe será útil.

A estratégia do Bloco é, pois, fazer crescer a sua votação entre os 6,3% e os 9%, à custa do PS e subsidiariamente do PCP, na mira de uma futura coligação com um Partido Socialista privado de maioria absoluta.

Criatura 'versus' criadores.

O Bloco de Esquerda é o "mostrengo" de estimação do sistema partidário, tendo tido como criadores semipassivos as grandes formações partidárias e a comunicação social de massas.

Nos partidos, a extrema-esquerda bon chic bon genre sempre foi mimada pela cumplicidade legitimadora do PS que a utilizou para debilitar o PCP. Não deixou, também, de beneficiar da política cultural e comunicacional atávica dos Governos PSD/CDS que se converteram em troféu da sua "propaganda negra".

Nos media, em nome da santidade do "pluralismo", as redacções encontram-se há muito permeáveis a uma tolerada e planeada invasão de bloquistas que aí assentaram arraiais a uma escala infinitamente superior à da sua representação eleitoral.

Se tal se passasse com a extema-direita, todo o sistema tocaria a rebate contra uma conspiração antidemocrática.

Mas, tal como no drama de Macbeth, um dia o "bosque aproximar-se-á do Castelo" e a "inevitabilidade" de Louçã integrar um Governo socialista será preparada pela própria comunicação social na "lógica" de que o Bloco renunciará ao extremismo em face das responsabilidades do poder. (...)

Confesso que esta tentação da "inevitabilidade" das coisas e o delírio da experimentação do abismo me arrepiam.

Com as devidas diferenças, desde há vários anos que muitos dirigentes do PSD balbuciavam resignados que seria "inevitável" que o partido tivesse que experimentar, um dia, uma liderança de Santana Lopes. Graças a eles, o PSD e o País passaram por essa inesquecível experiência.

Há, infelizmente, lições que nunca se aprendem.

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Os media, pelo caminho, já se cansaram da novidade. É normalMiguel Gaspar10/05/05 11:59:00


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.