| Subject: Os media, pelo caminho, já se cansaram da novidade. É normal |
Author:
Miguel Gaspar
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Date Posted: 10/05/05 11:59:00
In reply to:
Lusa
's message, ""A partir do momento em que o BE diz que é o único (...) democrático não faz sentido apelar à união" on 8/05/05 19:53:20
O Bloco de Esquerda já não é giro?
Miguel Gaspar, DN, 10-05-05
As televisões parecem não ter dado lá grande trela à convenção do Bloco de Esquerda. O discurso de encerramento de Francisco Louçã só interessou, em directo, à SIC Notícias e os noticiários de domingo passaram pelo tema sem se demorarem. Mesmo assim, houve um enquadramento mais ou menos uniforme do encontro, na televisão e nos jornais, enquanto momento da normalização esperada. E a pergunta é será que o Bloco perdeu a graça? Já não é giro?
Durante anos, os media foram acusados de terem dado mais ao Bloco do que o Bloco merecia. Era, segundo alguns, o tempo da "Conspiração do Lux" (o nome é uma adaptação furtiva de um título dos Thievery Corporation, ainda será in citá-los?) , onde leads e manchetes eram desenhados no calor do vanguardismo pós-moderno.
Mas o bloco cresceu além dessas fronteiras à beira rio. Francisco Louçã tornou-se estrela da televisão e conquistou um triunfo eleitoral impensável há alguns anos. Ao ser eleito líder que não é líder do partido que não é partido, Louçã foi sobretudo consagrado enquanto obreiro mediático da subida eleitoral, qual Mourinho dos eleitores mais à esquerda.
A credibilidade de Francisco Louçã transcende as fronteiras do Bloco. (...) O seu discurso é mais social-democrata do que revolucionário. Com uma boa presença televisiva (...) Louçã atingiu um público muito maior do que o que estaria tradicionalmente disponível a ouvir as propostas do Bloco. Ao pé disto, a "Conspiração do Lux" são peanuts.
Os media, pelo caminho, já se cansaram da novidade. É normal. Depois da conspiração do Lux, que requer dance music, estamos de volta ao rock puro e duro. Estará o bloco demasiado novo para morrer, mas demasiado velho para o rock'n'roll?
A notoriedade mediática é um trunfo poderoso em qualquer lado. Foi-o no PP de Portas e no PSD de Santana, é-o no PS e de Sócrates e no Bloco de Louçã. Não faz milagres, como Santana aprendeu à sua custa. (...) Sobreviverá o bloco ao culto da notoriedade?
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