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ROSE ANA DUEÑAS E RAISA PAGÉS
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Date Posted: 3/08/05 21:03:24
In reply to:
Rui Namorado Rosa
's message, "6 e 9 de Agosto, 60º aniversário do pior ataque terrorista da história: Hiroshima e Nagazaki hoje" on 3/08/05 11:21:33
HIROSHIMA E NAGASAKI
O ato de terrorismo mais terrível da história
POR ROSE ANA DUEÑAS E RAISA PAGÉS — do Granma Internacional
O Sol brilhava e o céu era azul, em 6 de agosto de 1945 quando Miyoko Matsubara, garota de 12 anos, começou a trabalhar com mais de 200 colegas da turma na escola de ensino secundário em Hiroshima, Japão, construindo tochas, todos riam e falavam. Eram as 8h15 da manhã.
«De repente, minha melhor amiga, Tayiko, gritou: ‘Escuto o barulho dum B-29’. Pensava que não podia ser, porque já estava dado o sinal de campo livre, e olhei para o céu e... vi um corpo luminoso saindo da cauda do avião. Escutei um barulho ensurdecedor, indescritível.
«Quando acordei, a manhã clara e brilhante tinha mudado, parecia de noite. Havia uma neblina densa e poeira espessa. Takiko, que estava perto de mim, simplesmente sumiu... A única roupa que tinha era a roupa íntima, que estava suja, mas era de cor branca. A cor branca da roupa íntima salvou-me da morte... Compreendi que tinha o rosto, as mãos e as pernas queimadas, fiquei sem pele. Com desespero, comecei a correr.
«No caminho da minha casa vi muitas pessoas, Todas estavam nuas e pareciam personagens dos filmes de horror, com a pele horrivelmente queimada. «Milhares de pessoas ficaram sob os prédios derrubados. Os mortos estavam por todos lados; quase sem poder, tentava afastar-me do fogo que nos rodeava, as pessoas caminhavam com os braços levantados, chorando e pedindo com grande desespero, «água, água»!
Era o fim da Segunda Guerra Mundial. Um avião da Força Aérea norte-americana tinha deixado cair uma bomba atômica em Hiroshima, cidade de 350 mil pessoas, a maioria civis. A onda expansiva da explosão destruiu todos os prédios em uma área de 2,5 quilômetros. A maioria das pessoas foi esmagada pelos prédios destruídos ou queimada viva pela tempestade de fogo.
Aproximadamente, 100 mil pessoas morreram instantaneamente, incluindo 8 mil crianças como Miyoko, que tinham sido mobilizadas para construir tochas. Três dias depois, em 9 de agosto, os Estados Unidos jogaram mais uma bomba atômica na cidade de Nagasaki, justamente na área mais povoada, matando 74 mil pessoas e ferindo mais 75 mil mais. Muitas dessas pessoas agonizavam com pouco ou nenhum atendimento médico, durante dias ou semanas, infectadas por grandes dose de radiação, queimaduras e outras feridas. Mais de 60 mil morreram nos meses seguintes e mais 70 mil antes de chegar a 1950. Morreram de câncer.
No dia do bombardeio de Hiroshima, 65% dos mortos foram idosos, mulheres e crianças. Em Nagasaki, aproximadamente 10 mil dos mortos civis eram coreanos que viviam no Japão nesse momento, muitos como operários escravos.
Jamais encontrou-se 40% dos que morreram em ambas as cidades. Sumiram, viraram cinzas ou foram arrastados pelo mar quando entraram aos rios procurando água.
Por quê o governo dos EUA provocou tamanho sofrimento?
O pretexto oficial — ainda defendido por alguns hoje em dia — foi uma mentira: que os bombardeios acelerariam a rendição do Japão, para pôr termo à guerra.
Realmente, o Japão já tinha expressado seu desejo de acabar com a guerra e os EUA sabiam disso, mas fizeram ouvidos moucos. O chefe do Estado-Maior das forças militares norte-americanas nesse momento, almirante William D. Leia, reconheceu: «Os japoneses já estavam derrotados e prestes para se renderem pelo bloqueio marítimo e os bombardeios com armas convencionais. Tive a impressão de que os cientistas e outras pessoas queriam fazer esse teste devido ao dinheiro que tinha sido investido no projeto. Truman sabia disso, mesmo com as outras pessoas envolvidas».
Contudo, oficiais do governo reconheceram isso, só um ano depois. Juntamente com um estudo da Seção de Operações do Departamento de Guerra (revelado em meados de 1946), a Enquête de Bombardeio Estratégico dos EUA opinou que «com certeza, antes de 31 de dezembro de 1945 e muito possivelmente antes de 1º de novembro de 1945 (data de uma invasão organizada), o Japão se teria rendido, inclusive se a Rússia não tivesse participado da guerra e não se tivesse planejado nenhuma invasão».
Previamente, os EUA tinham bombardeado com fogo a maioria das outras cidades do Japão, incluindo Tóquio. Em 9 de março desse mesmo ano, 300 bombardeiros norte-americanos deixaram cair petróleo e mais de 1.600 toneladas de bombas de napalm nessa cidade. Mais de 100 mil habitantes morreram queimados. (As forças aliadas tinham bombardeado de maneira similar Dresden, Alemanha — um alvo não militar — um mês antes). Um relatório feito nesse momento pela Enquête de Bombardeio Estratégico dos EUA concluiu que «possivelmente, mais pessoas morreram queimadas em Tóquio, em um período de seis horas, do que em qualquer outro momento da história do homem».
David Kruidenier foi piloto dos aviões B-29 que fizeram ataques aéreos ao Japão, em 1945. Ele admitiu: «Tínhamos bombardeado com fogo as maiores cidades para que morresse o maior número de civis, e Hiroshima era a maior cidade ainda não atacada». Com uma bomba fez o mesmo que, antes, precisou de centenas de aviões e milhares de toneladas de explosivos».
Segundo parece, a bomba atômica foi utilizada para provar em alvos viventes e demonstrar a superioridade militar dos EUA. Não só tinham uma bomba de plutônio, mas sim estavam dispostos a jogá-la. Estavam dispostos a matar em massa milhares de civis.
A quem era dirigida esta mensagem de intimidação, de terrorismo?
Ao restante do mundo, mas nomeadamente à União Soviética. Os aliados tinham acordado, na Conferência de Yalta, que a URSS atacaria o Japão três meses depois da rendição da Alemanha.
Stalin tinha informado que as forças soviéticas estariam prestes para esse ataque: quer dizer, em 8 de agosto. Mas realmente os EUA não queriam que a URSS participasse da guerra contra o Japão. A bomba foi jogada sobre Hiroshima em 6 de agosto.
O imperialismo norte-americano não estava na guerra simplesmente para derrotar os nazistas alemães e os imperialistas japoneses.
Também tinha o propósito de controlar a Europa e possivelmente a China.
A URSS já tinha feito o que os EUA necessitavam: tinha vencido a Alemanha com o sangue de milhões de camponeses e trabalhadores russos, que morreram defendendo a pátria e os sucessos de sua Revolução. Os EUA já não precisavam da URSS como aliado
Pouco depois da rendição do Japão, em 14 de agosto, o presidente Truman deteve todos os envios, incluindo os alimentos, à URSS, seu aliado na guerra. Em outubro, Truman tentava unir o povo dos EUA para um confronto com a URSS — «a ameaça comunista».
«Não se pode chegar a um acordo mútuo com as forças do mal...(as) bombas de Hiroshima e Nagasaki deverão ser um aviso», declarou.
As populações civis de Hiroshima e Nagasaki não foram assassinadas para pôr fim à Segunda Guerra Mundial, mas sim para começar a Guerra Fria. O chamado «século norte-americano» tinha começado.
Logo após os bombardeios, os ianques começaram a mentir sobre o que tinham feito. No mesmo dia em que bombardearam Nagasaki, em 9 de agosto, o presidente Harry Truman declarou: «O mundo deve tomar nota de que a primeira bomba atômica foi jogada em Hiroshima, em uma base militar. Isso foi porque queríamos evitar neste primeiro ataque — na medida que fosse possível — as mortes de civis».
DETURPAR A HISTÓRIA
O termo terrorismo tem sido mistificado pela mídia. Se um iraquiano, cansado de ver como morrem as crianças no seu país, faz explodir um comboio militar norte-americano no Iraque , isso é um ato de terrorismo. Mas se um soldado norte-americano dispara mísseis sobre a população civil desse país, isso não é terrorismo, mas sim uma ação militar defensiva contra a guerrilha.
Com os atos desumanos de Hiroshima e Nagasaki manipulou-se a imprensa.
Até 1960, o governo estadunidense proibiu tornar pública as fotografias dos danos provocados pelos bombardeios. O então secretário de Estado, Christian Herter, escreveu uma carta a John McCone, diretor da Comissão de Energia Atômica para expressar que sua seção tinha «graves reservas acerca da divulgação destas fotografias porque temos estado preocupados pelo impacto político, nomeadamente no Japão, e porque não estamos dispostos a dar de presente um arma de propaganda aos comunistas, que eles utilizariam contra nós pelo mundo todo».
Durante a ocupação do Japão por parte dos EUA, que se prolongou desde o fim da guerra até 1952, os oficiais ianques aprovaram um código de imprensa, censurando as reportagens japonesas e as publicações científicas com informação sobre os bombardeios. As autoridades norte-americanas ocuparam diários pessoais, poemas, fotografias, filmes, exames médicos, porta-objetos de microscópios, e os arquivos dos médicos sobre tratamentos da radiação. Foram, aproximadamente, 32 mil artigos. Os médicos japoneses tinham que fazer a autópsia em segredo e circular os resultados pessoalmente, ameaçados de perseguição.
Por este ambiente politicamente hostil, os sobreviventes foram privados do luto normal e necessário depois desse trauma em massa e tiveram que sofrer em silêncio e isolados. Os hibakusha (sobreviventes) foram mutilados fisicamente, psicologicamente e rejeitados pelo resto da sociedade japonesa. Foi difícil para eles e seus filhos casarem, porque muitos tinham medo dos efeitos genéticos da radiação.
Os atos de terrorismo são repudiáveis, mas além de condenar é preciso entender as razões que explicam a multiplicação desses atos. O intelectual Atilio Borón advertiu acerca da astúcia de alguns «intelectuais» para utilizar a expressão afortunada de Alfonso Sastre: eles convidam-nos a destruir sem atenuantes tamanha monstruosidade, mas sem perguntar-nos as causas, banindo qualquer discussão sobre o outro terrorismo, esse que surge e se consolida a partir de Hiroshima e Nagasaki como uma política de Estado, implementada por Washington com o aval ético e político dos governos do capitalismo moderno.
«Os ideólogos da ordem naturalizam e tornam invisível o terrorismo institucionalizado», afirma Borón. E expressa que mediante esta alquimia ideológica o mesmo torna-se «luta contra o terrorismo, enquanto o terrorismo de seus adversários quebra sua relação diáletica com o primeiro, ficando como a expressão cruel de alguns demônios que andam à solta pelo mundo».
Declarações recentes do presidente dos EUA mostram como se faz esta alquimia ideológica, afirmando com grande cinismo que «os que atacam o metrô e ônibus não são pessoas com as quais se possa negociar ou chegar a acordos». E destacou que quem mata pessoas inocentes é terrorista.
O que eram então os que ordenaram bombardear Hiroshima e Nagasaki com bombas atômicas?, Tantos milhares de crianças e pessoas que morreram por esses fatos de terror não eram pessoas inocentes? O que eram os 4 milhões de vietnamitas massacrados, lutando por sua independência? O que são os iraquianos invadidos, torturados e assassinados? O que eram então os 73 cubanos que morreram em um avião em pleno vôo e cujo executor dessa ação é protegido pelos Estados Unidos? O imperialismo não busca as causas que geram a violência, senão as multiplica com mais ações de terror. Os princípios éticos e morais são iguais para todos. Qual ética aplicou Harry Truman quando quis amedrontar o mundo, jogando duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Ainda estamos sofrendo as conseqüências dessa ação.
A versão oficial dos Estados Unidos sobre esses ataques hediondos deve ser pulverizada. Jamais o mundo foi igual depois de Hiroshima e Nagasaki. A verdade sobre os maiores atos de terrorismo da história deve ser desvendada. Somente transformando os sistemas econômicos e sociais que geram a violência, estaremos lutando contra a raiz da violência que predomina no mundo atual.
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