| Subject: "Hoje, somos todos sobreviventes" |
Author:
JN, 07/08/05
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Date Posted: 7/08/05 14:01:10
In reply to:
Rui Namorado Rosa
's message, "6 e 9 de Agosto, 60º aniversário do pior ataque terrorista da história: Hiroshima e Nagazaki hoje" on 3/08/05 11:21:33
JN, 07/08/05
"Hoje, somos todos sobreviventes"
Hiroshima recordou os 140 mil japoneses mortos pela bomba atómica, há 60 anos Kofi Annan criticou esforços de reforço dos arsenais
As 8.18 horas de ontem, ao ouvir o som grave de uma sirene, a cidade japonesa de Hiroshima, capital mundial do pacifismo, parou para observar um minuto de silêncio em homenagem aos 140 mil mortos no primeiro ataque com bomba atómica da história, ocorrido há 60 anos, e que determinou o fim da Segunda Guerra Mundial.
Vestidos de negro, os sobreviventes e parentes das vítimas ajoelharam-se para rezar, perturbados apenas pelos manifestantes pacifistas. "Basta de comemorações hipócritas enquanto o Japão se alia com os americanos para fazer a guerra", gritavam, numa referência ao tratado de segurança EUA/Japão e ao envio de tropas nipónicas para o Iraque.
O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, prometeu que o país continuará a ser uma nação pacifista e não nuclear, diante de 55mil pessoas reunidas no Parque da Paz de Hiroshima. A cerimónia foi celebrada na esplanada do Parque Memorial, dominada pelo esqueleto do "Domo atómico", o único edifício do centro da cidade que resistiu à bomba de 6 de Agosto de 1945.
No mesmo local, pessoas de várias gerações, desde trabalhadores de uniforme até idosos em cadeiras de rodas ou caminhando com a ajuda de bengalas, compareceram ao ponto de encontro com velas acesas, para depositar ramos de margaridas, rosas ou girassóis e rezar pelos mortos.
A procissão aconteceu em silêncio. Alguns sobreviventes aceitavam as entrevistas, enquanto outros, com olhos cheios de lágrimas, abandonavam furtivamente o lugar. "Se perguntar o que sinto, não posso explicar. Durante mais de 50 anos depois da Guerra, não consegui vir aqui. Tão pouco, posso visitar o museu", afirmou, à agência France Press, Michie Kakimoto, uma mulher de 79 anos.
Procedente de Osaka, Takashi Nishikawa, de 74 anos, morava em Hiroshima na época da bomba atómica. "A explosão da bomba acordou-me de surpresa. Três membros da minha família morreram queimados, os outros dois sobreviveram".
Denúncia
"Hoje somos todos 'hibaku- shas'", afirmou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, numa referência ao nome japonês dado aos 266 mil sobreviventes vítimas de radiações provocadas pelos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki (a 9 de Agosto de 1945).
"Também enfrentamos uma ameaça real de que as armas nucleares se propaguem. Sem uma acção associada, corremos o perigo de nos vermos confrontados com uma proliferação nuclear em cadeia", alertou Annan numa mensagem lida na cerimónia do Parque da Paz de Hiroshima.
Na sua intervenção, Annan denunciou os contínuos esforços para reforçar e modernizar arsenais nucleares e lembrou que as ambições nucleares do Irão e da Coreia do Norte desencadearam graves crises internacionais.
Pediu, igualmente, aos líderes mundiais que adoptem medidas concretas contra as armas nucleares na próxima sessão da Assembleia-Geral da ONU, que começa no próximo sábado, em Nova Iorque.
Menos diplomático, Tadatoshi Akiba, prefeito de Hiroshima, acusou as oito potências nucleares do planeta (EUA, Rússia, Grã-Bretanha, China, França, Índia, Israel e Paquistão) de ameaçarem a sobrevivência da espécie humana.
Numa "Declaração da Paz de 6 de agosto de 2005", Akiba incentivou as Nações Unidas a criar um comité especial responsável por estudar os meios de erradicar definitivamente as armas nucleares.
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