Author:
António Pinho Vargas
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Date Posted: 13/08/05 13:03:23
In reply to:
Pedro Lomba
's message, "Sentimento de fim" on 13/08/05 13:01:32
Nos últimos tempos tem-se tornado cada vez mais recorrente nos diversos comentários políticos, escritos e falados, a ideia de que é inevitável uma mudança de regime como único meio de conseguir o equilíbrio das finanças públicas e impedir o previsível afundamento do país nas mãos do PS, irresponsável e gastador. A primeira formulação que ouvi foi feita por Joaquim Aguiar em duas intervenções na televisão. Articulava-se sobre os seguintes pontos:
1. Acrescentava o nome de Cavaco Silva à lista dos primeiros-ministros que "fugiram", neste caso, por ter percebido que não conseguia controlar o apetite descontrolado do aparelho do PSD, tornado indomável após uma década de exercício do poder.
2. Salientava o fim da possibilidade da desvalorização da moeda, recurso a que todos os governos podiam recorrer, antes da adesão ao euro, para relançar a economia e equilibrar as finanças,.
3. Sublinhava o crescimento descontrolado do aparelho de Estado com Cavaco, Guterres e Durão, a incapacidade de vencer as resistências sindicais e corporativas, o fim dos fundos comunitários a médio prazo, depois de duas décadas de desperdício ou más utilizações.
4. Finalmente um dado económico fatal: Portugal gasta mais do que produz. Assim sendo o então futuro primeiro-ministro, José Sócrates, ao fim de oito meses de governo iria também concluir ser impossível governar e teria igualmente de fugir.
Seguia-se a conclusão: o facto de Portugal pertencer à União Europeia impediu e impede um golpe de Estado ou uma revolução, mas, neste quadro, uma mudança de regime será inevitável e o momento decisivo para tal seria o das próximas eleições presidenciais.
A ideia foi-se infiltrando, o seu retorno tem sido cada vez mais frequente em vários outros comentadores embora sem a sofisticação dos argumentos de Joaquim Aguiar. Vai-se construindo uma espécie de imaginário de redenção à vista, de saída possível para uma crise sem saída. Mas desde essa impressionante intervenção que duas dúvidas me ocorrem: Qual será a forma e o alcance da mudança de regime? Porque é que as presidenciais serão o momento-chave?
Continuo sem saber mas suspeito que não deve ser o fim da democracia. O que poderá ser então? Um regime presidencial à francesa ou à americana? O fim das eleições autárquicas? Será a redução drástica da função pública, a criação de uma democracia sem partidos ou a privatização do Estado? Confesso não saber de que mudança de regime se tem falado, como também não sei se os que falam dela sabem. E no entanto a ideia não pára de circular. (...)
António Pinho Vargas
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