Author:
joão morgado fernandes
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Date Posted: 16/08/05 14:44:21
Não é ainda o fim do mundo. Mas neste Verão tivemos suficientes sinais para fazerem soar campainhas de alarme. A sociedade de conforto crescente e inesgotável é um mito, como de resto alertam os ecologistas há décadas, sem que ninguém os leve suficientemente a sério.
A escassez de água tornou-se uma realidade e, embora os portugueses não a tenham sentido no seu quotidiano, os seus efeitos são bem visíveis nos campos ressequidos e na desertificação galopante na Europa meridional.
O preço do petróleo bate recordes todos as semanas e se, para já, isso não põe em causa a sociedade da mobilidade e do conforto que construímos na última metade do século XX, os efeitos na economia mundial começam a surgir.
Em ambos os casos, é cedo de mais para saber se se trata de fenómenos cíclicos ou de deterioração irreversível, mas já ninguém espera que o barril de petróleo retroceda para os 30 dólares, ou que a água doce volte a jorrar em força no Alentejo ou em zonas que o fogo anualmente se encarrega de transformar em paisagens lunares.
Portugal, com uma enorme dependência energética do exterior e com um quase nulo ordenamento do território, surge particularmente fragilizado em qualquer cenário de manutenção das actuais tendências.
Enquanto Espanha desvia rios de forma a amenizar os efeitos da seca e a manter produtivos os seus campos do Sul, Portugal parece contentar-se em ter construído o Alqueva, não sendo visíveis projectos de monta para o seu aproveitamento.
Já no plano da energia, os sucessivos governos têm primado pela inoperância, nomeadamente quanto ao essencial, ou seja, a diversificação de fontes. Desde que Guterres desistiu do Alqueva que se anda a discutir o Sabor; as eólicas necessitaram de um novo fôlego, por enquanto ainda apenas no papel.
Portugal tem seguramente problemas que requerem atenção imediata. Mas nem todas as energias podem ser para aí canalizadas. A nossa incapacidade de planeamento estratégico custar-nos-á muito caro no futuro.
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