Author:
João Miguel Simões
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Date Posted: 29/07/05 19:34:30
In reply to:
Agostinho Lopes
's message, "Incêndios Florestais em 2005" on 27/07/05 21:15:20
REVER A ESTRATÉGIA FLORESTAL
carta de João Miguel Simões, publicada a 13 de Julho na Tribuna Livre do DN)
Ao contrário do que é geralmente aceite, não acredito que os problemas dos incêndios em Portugal se resolvam com mais meios, mais homens e mais vigilância. Basta ver como era a floresta hã cem anos, para perceber que, não havendo qualquer meio, também não havia qualquer incêndio.
Em minha opinião, o incêndio (mesmo que provocado) é um fenómeno em que a natureza nos diz que a nossa floresta não presta e deve ser substituída.
Isto acontece por três razões:
1. Substituição da floresta tradicional portuguesa (carvalhos, castanheiros, nogueiras), normalmente húmida, por uma artificial, de espécies secas (eucalipto e pinheiro). Esta substituição deu-se de forma desregrada nos anos 80 do século XX por motivos económicos.
2. Substituição dos resíduos florestais (lenha, caruma e folhas secas) como combustível de aquecimento pelo petróleo e electricidade.
3. Desertificação do interior do País. Muitos dos proprietários de floresta são idosos ou não residentes que herdaram a floresta, o que leva ao seu abandono.
Para resolver estes problemas que estão na base dos incêndios é necessário criar “cooperativas de gestão dos recursos florestais”. Em cada concelho deve existir uma empresa destas que gira os recursos florestais não de forma individual e desregrada como até aqui, mas colectivamente e segundo princípios técnicos e científicos.
Os proprietários têm duas opções: ou aderem como sócios e participam financeiramente na sua constituição (usufruindo depois dos lucros) ou vendem, dentro de um curto prazo, a quem queira participar como sócio.
Cada cooperativa deve ter um corpo técnico habilitado para a gestão dos recursos florestais e um gestor que a torne financeiramente sustentável. O seu raio de acção seria, em cada concelho:
• O cultivo controlado e sustentado das espécies mais rentáveis, alternando com a reflorestaçâo das espécies tradicionais portuguesas;
• A exploração sustentada de outras potencialidades da floresta, como sejam o mel, a resina, o turismo, energia eólica, etc;
• A limpeza da floresta através da conversão dos seus resíduos em electricidade para venda através da combustão;
• A prevenção e combate aos incêndios através de protocolos com os bombeiros voluntários de cada município, de forma a haver uma estreita colaboração entre as duas instituições, podendo mesmo haver a fusão de ambos. Os bombeiros ficariam assim mais bem geridos através da sua profissionalização e sustentação financeira pela cooperativa.
Ao Estado caberia apenas a tarefa de regulamentar estas cooperativas e tutelar o seu processo de instalação, pelo que não necessitaria de despender qualquer verba pública significativa. (...)
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