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PAULO NARIGÃO REIS, A Capital, 30/07/05
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Date Posted: 30/07/05 8:47:08
In reply to:
Lusa
's message, "Jornais A Capital e O Comércio do Porto suspensos a partir de sábado" on 29/07/05 17:03:13
Última edição
PAULO NARIGÃO REIS, A Capital, 30/07/05
Quis o destino que eu fosse o último director de A Capital. Que o meu nome, mesmo com a designação de interino à frente, fosse o último a sair no cabeçalho do jornal. Se me perguntarem o que sinto em relação a isso, só poderei responder, em bom inglês, que estou «pissed off». Zangado. Triste. Sinceramente incomodado por ter de ser eu a fechar o que nomes como Norberto Lopes, Mário Neves, David Mourão-Ferreira ou Francisco Sousa Tavares ajudaram a construir.
Não queria ser também eu a escrever o que, para já, é o último editorial de A Capital. Digo para já porque acredito que o título não morre aqui e agora. A Capital nasceu em 1910, renasceu em 1968, voltará um dia às bancas de Portugal. Como o sempre nosso Appio Sottomayor escreve nesta edição, não há duas sem três. Pelo menos assim quero acreditar.
Seja como for, esta fase de A Capital acaba hoje. No escasso mês que durou esta direcção interina, tentámos que a saída da anterior equipa directiva, liderada pelo Luís Osório, não causasse danos significativos na moral deste jornal. Penso que isso foi conseguido. Continuámos a fazer um bom jornal, como o demonstram as manchetes que fizemos ao longo deste, afinal, trágico mês de Julho. Provámos, assim, que este projecto continuava a ter pernas para andar, porque a verdade é que ninguém é insubstituível.
Infelizmente, um jornal hoje em dia já não se faz só de notícias, sejam elas boas ou más. Houve alguma coisa que falhou neste projecto, e a visibilidade reconquistada no último ano não se traduziu no aumento das vendas. Não é este o espaço para procurar explicações e apontar culpados. A realidade é esta: A Capital não conseguiu aguentar-se num mundo onde quem corre como «outsider» tem, cada vez mais, a vida dificultada. Num dia que espero não ver, todos teremos apenas a informação que alguns deixarão dar.
Nesta última edição de A Capital, que trará na capa o número 11 911 (felizmente não sou supersticioso?), quero agradecer a todos os leitores que continuaram a acreditar neste jornal. Trabalhámos, todos, com dedicação e sem olhar às dificuldades inerentes a uma publicação com poucos meios, para levar até si o melhor jornal possível, e posso garantir que todos aqui nos orgulhamos do que fizemos.
Se este dia é triste para A Capital também o é para O Comércio do Porto. Une-nos este lamentável desfecho. Para as pessoas que trabalham no mais antigo jornal de Portugal continental, deixo um abraço sentido.
Finalmente, quero também agradecer a todos os que aqui trabalham, e que me ajudaram, no mês que passou, a dirigir A Capital. Se não soubesse o que eles valem, não teria aceite este desafio que, afinal, acabou por ser o último.
Obrigado
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