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Ruben de Carvalho, JN, 01/08/05
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Date Posted: 1/08/05 17:01:30
In reply to:
Ruben de Carvalho, DN, 30/07/05
's message, "Ota e TGV - a confusão" on 30/07/05 7:36:42
entrevista
Ruben de Carvalho, JN, 01/08/05
"Aeroporto da Portela pode alargar-se à base aérea"
A venda dos terrenos da Feira Popular e o negócio com o Parque Mayer continuam envoltos em polémica. Subscreve as suspeitas de corrupção levantadas pelo candidato do BE?
RC - Subscrevo as declarações da CDU. O partido que apoia Sá Fernandes e o PS viabilizaram propostas do PSD. Convém não esquecer. A permuta foi altamente lesiva dos interesses do município. A hasta pública e a invenção de um direito de preferência por parte da Bragaparques entram no campo da ilegalidade.
Santana diz que ainda vai fechar contrato com Gehry...
RC - É inqualificável que o faça, face a um processo polémico e a dois meses das eleições. Porquê tanta pressa em consumar a permuta e a hasta pública? Não há memória em Lisboa de se assinar escrituras em cinco dias!
O processo está em tribunal. Caso volte à estaca zero, que propõe para o Parque Mayer?
RC - Sempre defendemos a recuperação com uma vocação de espaço público e cultural, nomeadamente na área do teatro. Mas há uma questão o PDM obriga à realização de um plano de pormenor e à conclusão do Plano de Cérceas da Av. da Liberdade. Faça-se isso primeiro.
E a questão da propriedade?
RC - Há várias soluções. Uma delas era expropriar até valores legítimos de mercado. Se a CML tivesse feito isso, em vez da permuta, tinha ganho milhões de euros. O terreno que foi permutado vale incomparavelmente mais do que o Parque Mayer. Se estiver nas nossas mãos, toda esta operação é para desmanchar. Pode ser complicado, se houver direito a indemnizações, como voltar tudo à estaca zero caso o tribunal considere o processo ferido de ilegalidade.
Acredita nisso?
RC - Tenho fortes esperanças. Mas, se calhar, quando houver sentença já lá estão os edifícios...
E o túnel do Marquês?
RC - É um erro conceptual. Lisboa necessita de vias circulares e não radiais, muito menos de uma que vai ter a um ponto sensível da cidade.
Mas o que fazer agora?
RC - Já que o dinheiro foi gasto, defendemos que se prolongue o túnel das Amoreiras para eliminar o cruzamento da Artilharia 1, saindo o túnel antes da Castilho. Sem mexer no Marquês.
Quem deve pagar a indemnização ao empreiteiro pela suspensão da obra, que se estima em quatro milhões de euros?
RC - A Câmara. Se a obra tivesse sido feita com todos os requisitos, o problema não se colocava. É evidente que nos vai sair do bolso. Ao menos politicamente, assaquem-se responsabilibilidades.
E a Feira Popular?
RC - A primeira reacção é a de perda de património. É evidente que não era o sítio ideal. Mas esse tipo de equipamentos é um contraponto à cultura de centro comercial. Não falamos de "dineylândias", mas de equipamentos relacionados com áreas verdes.
Lisboa tem espaço para isso?
RC - A CDU já sugeriu os terrenos da antiga Docapesca. Sou contra a qualquer tipo de solução que envolva Monsanto.
Como resolver o trânsito?
RC - Não é um problema só do concelho. Diariamente, entram e saem mais de 200 mil carros. É absolutamente indispensável limitar o acesso do transporte individual.
Com taxas?
RC - Não. É necessário medidas estruturais como a criação de uma entidade que teoricamente existe mas nunca funcionou a Autoridade Metropolitana de Transportes. Exemplo: fez-se em 1998 o metro até à Expo e é fundamental prolongá-lo até ao aeroporto. Se tivéssemos uma estação na Portela, problemas como a OTA não se colocavam.
Portanto, defende a manutenção do aeroporto da Portela?
RC - Absolutamente. As suas capacidades não estão esgotadas. É preciso não esquecer que tem ao lado uma base aérea, que poderá permitir a sua ampliação.
Devem continuar os condicionamentos ao trânsito automóvel nos bairros históricos?
RC - Nem defendo nem critico. É preciso ver caso a caso e fazer o que esta Câmara não faz planificar e monitorizar. Quando se toma uma medida, é preciso saber se resultou.
Como pensa repovoar Lisboa?
RC - Tem de se disciplinar o mercado imobiliário. Receamos que as Sociedades de Reabilitação Urbana sejam mais um elemento de especulação para empreendimentos de luxo. O respeito pelo ordenamento é fundamental e é o contrário do que se tem passado nos últimos quatro anos. Reconheço que a coligação PS/CDU não está isenta de pecados. No último ano, votámos contra João Soares por causa do Alcântara Rio.
É positiva a aposta em grandes nomes da arquitectura?
RC - Sim, mas Portugal tem excelentes arquitectos. Todo o mundo vem cá buscá-los!
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