| Subject: Será o mesmo gago que andou com o Cavaco ás costas? |
Author:
Pau neles
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 9/07/05 0:12:33
In reply to:
José Pacheco Pereira
's message, "Autoridade do Estado ? Leis? Legalidade? Vão explicar isso à população de Milagres" on 8/07/05 11:30:22
-Até parece que este gajo não esteve no poder anos.
-Onde param os responsáveis, nomes dos sacanas e de quem os apoiou politicamente durante anos a fio.
>Deixem-me rir, se fosse para rir. Um único caso mostra
>todos os dias, por que é que quase nada funciona em
>Portugal, por que é que ninguém acredita no Estado,
>nas leis, nas autoridades, nas instituições: as
>descargas das suiniculturas na ribeira dos Milagres.
>Foi anteontem, foi hoje, será amanhã. Já dura há
>vários anos, 30, diz o presidente da junta. Todos
>sabem, ninguém quer saber. Ninguém actua. Nem
>autarquias, nem GNR, nem o Ministério do Ambiente, nem
>o Ministério da Agricultura, com excepção de meia
>dúzia de agitadores, certamente subversivos, da
>Comissão de Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres,
>que devem ser olhados de lado como inimigos do emprego
>e da economia.
>Este caso até já chegou à televisão, pelo que já se
>utiliza armamento pesado. Várias vezes,
>recorrentemente, em vários anos. Sem resultados. Há
>questões onde nem as armas navais, as de maior
>calibre, como é a televisão, servem para alguma coisa.
>O que se verifica é que há sítios muito elásticos do
>ponto de vista da resistência à legalidade, quando o
>Estado é conivente e quer fechar os olhos, em nome dos
>interesses mais mesquinhos de uma economia predatória,
>com força na política local e nacional (no Ministério
>da Agricultura, pelo menos), violando os direitos dos
>cidadãos, com a desculpa que ainda não há outra para
>absorver o desemprego.
>Sítios onde quem manda são 400.000 porcos (só no
>distrito de Leiria, que não é o único a ter estes
>problemas), o equivalente a um milhão e duzentas mil
>pessoas a poluir o ambiente. Esta economia das
>suiniculturas despejando a céu aberto, que vive na
>ilegalidade, à vista de toda a gente, ao olfacto de
>toda a gente, convive com outros sectores, como as
>pedreiras, que também não cumprem a lei. Ora
>suiniculturas poluentes e pedreiras nas áreas
>protegidas não são actividades que possam passar
>despercebidas.
>Voltemos à nossa ribeira malfadada. Vistas à luz do
>que acontece todos os dias - e uma descarga numa
>ribeira é de difícil contestação, se não haveria
>alguém a dizer, com o mesmo estilo fabuloso mas eficaz
>de Artur Albarran, que nada acontece de especial, até
>verdadeiramente a água limpa é de cor preta e não
>transparente, como esses citadinos julgam -, as
>declarações das autoridades são patéticas. No PÚBLICO,
>o Governo Civil de Leiria "pediu uma melhoria do
>relacionamento entre a população da freguesia dos
>Milagres e os empresários que estão a desenvolver um
>projecto de despoluição da ribeira", ou seja,
>colaborai a bem, com quem vos dá cabo todos os dias da
>água, mesmo que a lei esteja do vosso lado e a
>ilegalidade do outro. Comportai-vos como iguais,
>porque é assim que o governo civil vos vê, ou diz que
>vos vê. Na verdade, o dito governo civil, ou seja o
>braço do Governo em Leiria, não acha bem que eles
>sejam assim muito iguais, porque usa esta
>classificação para a outra parte, "os empresários que
>estão a desenvolver um projecto de despoluição da
>ribeira", um fabuloso eufemismo, porque se está mesmo
>a ver que são eles que a poluem.
>Os homens e mulheres dos Milagres estão claramente a
>"passar-se" como se costuma dizer. Já foram deitar
>baldes de porcaria em vários sítios. O subversivo da
>Comissão de Defesa da Ribeira faz a pergunta certa,
>que já muitas vezes fez sem resultado: por que é que
>as suiniculturas identificadas como autoras das
>descargas não são encerradas? Não são. "O senhor
>governador disse-nos que não tem poder para encerrar
>as suiniculturas. Se ele não tem, quem é que tem?" Nos
>paços do concelho ficaram a saber a resposta: "que os
>protestos "foram feitos à porta errada", porque os
>responsáveis serão os ministérios do Ambiente e da
>Agricultura". Típico, neste caso ninguém manda,
>ninguém pode, logo, ninguém tem culpa.
>Mas o representante do governo civil explicou-lhe esta
>coisa tão miraculosa como o nome da ribeira: "A
>ribeira dos Milagres é a ribeira mais policiada do
>país." Também há dois anos o secretário de Estado do
>Governo da altura "prometeu uma "fiscalização muito
>rigorosa a partir de Janeiro"". Janeiro era o de 2004,
>entenda-se, antes de muitas outras descargas poluentes
>acontecerem na "ribeira mais policiada do país." Sim,
>de facto, se esta é a mais policiada e acontece o que
>acontece, então no resto do país é uma calamidade.
>Razão tem o presidente da Liga para a Protecção da
>Natureza, quando diz com o mesmo desespero de causa:
>"Não é ilegítimo que nós, cidadãos, questionemos por
>que é que temos que cumprir a lei quando há um sector
>que tem total liberdade para ter um tratamento
>completamente diferenciado por parte da lei."
>Pensam que estas conversas que relato são o resultado
>da descarga de ontem? Engano. São de há já 15 dias, ou
>seja, o tempo necessário para mais do que uma vez, sem
>consequências, a ribeira tornar ao seu estado normal
>de cloaca suína. São de há um ano, dois, três, quatro
>- sempre a mesma coisa. A lista de promessas é
>infinda, mas mesmo as promessas de limpar a ribeira,
>que aliás já foi limpa e depois suja de novo, são uma
>distracção. A questão não é saber que a ribeira está
>poluída e que precisa de ser limpa, isso toda a gente
>sabe. A questão, essa sim maior do que o caso infeliz
>da ribeira dos Milagres, é saber por que se pode
>continuar com impunidade a violar a lei e ninguém
>actua.
>Eu não sou um amador das chamadas "causas ecológicas"
>e tenho muitas objecções à visão abstracta e
>irrealista que têm do país e das suas necessidades.
>Nunca na minha vida pensei escrever sobre porcos, com
>desculpa a vossa mercê. Não é que o animal não seja
>nobre e não tenha qualidades imensas e a arte de o
>fazer em série não tenha a dignidade de todas as
>profissões. Mas cada vez mais estes pequenos
>incidentes me parecem reveladores daquilo que não tem
>qualquer justificação para continuar, a não ser pela
>nossa inércia colectiva. É preciso envergonhar
>publicamente as autoridades que não actuam. É preciso
>denunciar a complacência face à ilegalidade, muito
>mais perigosa para uma sociedade sadia do que, às
>vezes, a ilegalidade.
>Os homens e mulheres da Comissão de Ambiente e Defesa
>da Ribeira dos Milagres, de que não conheço nenhum, ou
>melhor ainda, a população de Milagres, terra a que
>nunca fui, merecem não ficar sozinhos, porque não
>aceitaram a inevitabilidade de serem vítimas. Mais: o
>seu protesto, cuja razão é inequívoca, é também um
>símbolo do mar de ilegalidades que uma certa visão da
>actividade económica, típica de um país atrasado,
>permite subsistir. Tudo aquilo que não nos permite
>saltar em frente verifica-se neste pequeno caso, um
>entre muitos. Se ajudarmos a que não fique impune,
>melhoramos o nosso país. Historiador
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
| |