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| Subject: Balanço instantâneo | |
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Author: António Barreto |
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Date Posted: 24/01/06 10:15:23 In reply to: paulo fidalgo 's message, "que lições irar então destas eleições?" on 23/01/06 22:51:36 Venceu o candidato mais misterioso. De mais difícil qualificação. Mais previsível, na vitória, mais imprevisível no comportamento. Na verdade, o que merece ser sublinhado é que tem as mãos livres. Pode fazer o que entender com o Governo e com os partidos que o apoiaram. Não se comprometeu, a não ser com princípios gerais e intenções bondosas. Venceu graças à reputação, não às ideias, que não exprimiu, nem ao programa, que não tornou claro. O primeiro e o segundo candidatos mais votados foram os mais independentes, talvez os mais populistas, mais próximos dos movimentos sociais, mais... contra ou à margem dos partidos instalados. Que daí não venha mal ao mundo: pode ser que os partidos aprendam! Manuel Alegre é a grande surpresa desta campanha. O seu resultado, de irremediável crueldade para Mário Soares, é a tradução exacta do mal-estar socialista. A votação de Alegre é uma derrota e um problema para Sócrates. Mas não creio que Alegre saiba o que fazer com estes votos. Mário Soares pagou pelos seus erros. Erros desnecessários. A sua candidatura não teve sequer a grandeza dos grandes combates. Pela simples razão que não havia grande combate. Soares, que se podia ter poupado a isto e do mesmo nos podia ter dispensado, pode evidentemente queixar-se de Sócrates e do PS. Mas convenhamos: é sobretudo dele que se pode queixar. Revelou ter perdido o contacto com a população e o eleitorado. Assim como mostrou ter uma ingénua confiança na sua Corte. Esta é, no género, a maior e a mais colorida do país. Mas a sua auto-suficiência é superior à sua lucidez. E Soares, contra os instintos pretéritos, confiou nela. Sem perceber que quem vê a Corte, não vê o país. José Sócrates revelou ser capaz do pior. O seu comportamento foi lamentável. A única preocupação era a de sair incólume desta eleição. Em vista do que não olhou a meios. Torpedeou Alegre, por vingança partidária. Enganou-se na escolha do seu candidato, o que mostra pouca clarividência e nenhum talento. A um verdadeiro combate, com riscos, preferiu uma derrota. Escolheu Soares, mas não lhe deu apoio, a fim de poder garantir que a derrota era do candidato e não a sua nem do seu partido. Por motivos menores e com malícia, desejou a vitória dos adversários. Sócrates deve julgar que ganhou. Mas desenganar-se-á rapidamente. Vai ter enormes sarilhos. Por causa da colossal votação de Manuel Alegre. Por o candidato oficial do PS ter obtido 14 por cento dos votos. E por o seu partido não ter assumido os compromissos nem cumprido os deveres. Mas as suas principais dificuldades serão outras. Ele acha que tem Cavaco Silva nas mãos e que este é sua alma gémea. E que com ele conta para as suas políticas duras. Em breve descobrirá que se engana. Cavaco Silva será tudo menos um incondicional. No seu discurso da noite eleitoral, Sócrates mostrou quem é. Pisou o segundo candidato mais votado, obrigando os canais de televisão a passar para ele. O seu despotismo veio à superfície. Aqueles, infelizmente, num gesto inqualificável, submeteram-se! No seu discurso, Sócrates tentou cavalgar a ficção. Qualificou de "particularmente difíceis" as circunstâncias da candidatura de Mário Soares, quando tal não é verdade. As circunstâncias eram as de um país que, há menos de um ano, lhe tinham dado uma formidável vitória eleitoral. Eram as de um tempo, único na história, em que um governo socialista beneficiava de uma maioria parlamentar robusta! Para Sócrates, as "circunstâncias particularmente difíceis" começam hoje! [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Re: Balanço instantâneo | Marco | 25/01/06 19:24:02 |
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