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| Subject: Re: Temas presidenciais (5.ª série) | |
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Author: IA |
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Date Posted: 16/12/05 19:22:57 In reply to: José Pacheco Pereira 's message, "Temas presidenciais (5.ª série)" on 16/12/05 0:20:40 Prosseguindo o que disse ontem, e para que a afirmação de «desonestidade intelectual» não fique por demonstrar (a alternativa é pensar que Pacheco Pereira é burro), aqui vai o comentário ao seu artigo: >2. Saliente-se, logo à cabeça, que não penso que esta >candidatura tenha alguma coisa a ver com as eleições >presidenciais. Louçã aproveita o tempo de antena >presidencial para promover a sua organização política >e a si próprio, o que é aliás legítimo em candidaturas >de carácter tribunício, como também é a de Jerónimo de >Sousa. O que ele quer dizer é que, ao contrário de outros, Louçã e Jerónimo não têm hipótese de passar à segunda volta. Isto diz-nos muito sobre o conceito de democracia de Pacheco Pereira. As candidaturas de pessoas apoiadas pelo BE ou pelo PCP seriam sempre classificadas desta maneira por Pacheco Pereira. Parece que para Pacheco Pereira a democracia não se faz também pela apresentação de propostas que, num determinado momento, até podem ser minoritárias, mas são propostas com a mesma dignidade das outras. Como se vê, trata-se de um não-argumento, que Pacheco Pereira, embora disfarçadamente (fala de legitimidade), não deixa de aptresentar como um argumento de menorização dessas candidaturas, como se a última palavra não a tivessem os portugueses no dia das eleições. E nessa função, após um arranque débil, a > O modelo dos debates começa por colocar >todos os candidatos que os jornalistas escolhem (e não >todos os candidatos) no mesmo nível de importância. >Logo à partida essa posição de relevo igualizadora >é-lhe favorável, coloca-o como Grande entre os >Grandes, o primeiro objectivo de um Pequeno. Louçã não >tem desmerecido dessa condição. Resta saber que modelo de debates defende Pacheco Pereira. Nós sabemos que ele participa na Quadratura do Círculo, um modelo onde determinadas forças políticas não têm lugar. Nunca o ouvimos sentir-se incómodo com isso. Cada um que tire as suas conclusões. >3. Ainda mais favorável é o facto de Louçã poder usar >de toda a liberdade discursiva, e tratar, como aliás >justificou, de tudo. Um candidato presidencial pode >tratar de tudo, só que nem a todos se lhe admite a >liberdade de tratar de tudo sem ter que teorizar sobre >os poderes presidenciais, ou sem que se lhe suspeitem >intenções de subversão da Constituição e do regime. >Esta liberdade é-lhe concedida pelos jornalistas e >pelos seus adversários, que ainda não o confrontaram >com os limites dos poderes presidenciais, porque pura >e simplesmente não o tomam como candidato >presidencial, mas como o líder do BE. Quem tem seguido os debates, já reparou que todos os candidatos falam sobre tudo (mesmo Cavaco, que se recusa a tomar posição sobre algumas matérias, ainda que de âmbito presidencial, aborda temas que extravasam as funções presidencias). Também já reparou que Louçã falou nos limites do poder presidencial. Ou seja, PP faz uma consideração completamente desligada da realidade. Só a podemos classificar como "desonestidade intelectual. >5. O problema com Louçã não são as suas capacidades, é >o facto de elas ofuscarem, na nossa mediania >comunicacional, o escrutínio do seu radicalismo, das >inverdades da sua propaganda, e da essência demagógica >e populista do seu discurso arrogante e moralista. PP começa aqui a classificar (leia-se "denegrir"), sem nenhuma concretização. Limita-se a fazer consderações teóricas. Não pega nas posições de Louça para as rebater (será incapaz), prefere fugir ao debate adjectivando-as. Esta é outra forma de desonestidade intelectual. >Louçã é o único que fala como escreve, inclui os >sublinhados, as aspas, as vírgulas e os pontos finais. >É um discurso fechado e cerrado a qualquer >interpretação, ou porque ele próprio fornece o quadro >da sua interpretação, como se uma mão invisível fosse >sublinhando a marcador amarelo e vermelho as frases >que temos que ver, ou porque nos acena de imediato com >o pecado moral em que estamos a cair se com ele não >concordamos. Quando fala da guerra do Iraque, o >ouvinte que com ele não concorda já está de imediato >na posição de réu moral de qualquer crime. Nisso ele e >Paulo Portas são quase iguais. E qual é a sua posição, senhor PP? E, já agora, qual é o quadro de interpretação correcto? Louçã falou na legalidade internacional, por isso ficamos a saber qual é o referencial dele. Qual é o seu, senhor PP? Será que não há mesmo razões para alguns se sentirem como réus? Não forma, pelas suas posições, realmente cúmplices de crimes, pelos quais alguns dirigentes máximos deveriam ser julgados pelo Tribunal Penal Internacional? >6. A sua vantagem nos debates não vem só das suas >capacidades retóricas e argumentativas (menos aliás do >que do seu saber, porque Louçã deturpa os dados de uma >forma pouco académica para servirem para a >propaganda), Que tal se concretizasse? Mas não se trta de ser objectivo, não é, senhor PP? Trata-se de denegrir, de deixar gravada no leitor uma certa imagem de Louçã. E atreve-se a falar de propaganda? Tenha dó. mas também do facto de ele ter um dos >discursos políticos com menos baias que se fazem em >Portugal. Ele tem baias, enormes e rígidas baias, só >que é preciso percebê-lo política e ideologicamente >muito bem, para as revelar. É preciso conhecer muito >bem as novas formas de "língua de pau" do radicalismo, >que mudou de madeira quando a anterior se esboroou. Que tal ser mais específico? Ou é incapaz? >7. Na prática, Louçã fala do que quer, como quer, >dizendo o que quer, porque não tem que prestar contas, >não tem responsabilidades por nada, nem tem memória, >nem actua em função dos cargos a que concorre, nem das >leis, nem da democracia, nem da economia de mercado. A palavra "cassete" diz-lhe alguma coisa? Acha que isso é um argumento político? Que tal rebater as ideias concretas defendidas por Louçã? >Louçã é um socialista colectivista, uma forma peculiar >de comunista, se o termo não estivesse tão >abastardado, um revolucionário de raiz leninista, >aceitando o princípio do direito à violência para >derrubar o "capitalismo", defensor de um regime >político-social autoritário, sempre presente como pano >de fundo na lógica da sua argumentação. Ele nunca o >dirá, porque somente faz a crítica ao existente. Outra prova da desonestidade intelectual de Pacheco Pereira. O problema aqui é que Pacheco Pereira já foi tudo isso ou parecido e não consegue dissociar os outros daquilo que ele próprio foi. Estamos a falar de uma das pessoas que esteve por trás do famoso cerco ao Palácio de Cristal aquando do congresso do CDS (e que recebeu, recentemente a ordem da liberdade). Quem tem seguido os artigos de PP, pode constatar que ele não critica os seus adversários de esquerda por aquilo que eles são, mas sim por aquilo que ele próprio já foi, um dogmático que mudou de campo, mas que nem por isso deixa de continuar a ser o mesmo dogmático, incapaz de julgar os outros a não ser pela estreita bitola que sempre teve. É na >crítica que ele brilha, mas não tem que pagar o preço >de falar das alternativas, a não ser através de uma >retórica de ocultação, porque as alternativas com que >ele concorda lhe estragariam a imagem e a propaganda. As alternativas que ele invoca são bem conhecidas. Só quem se quer aproveitar da ignorância dos leitores (e, portanto, quem está a ser intelectualemente desonesto) pode afirmar uma coisa destas. >8. Que país se aproxima, no seu regime >político-económico, do que Louçã pretende para >Portugal? Aqui PP parece sugerir que a evolução só se pode fazer mediante o seguimento de modelos já existentes. Será possível PP descer a tamanha mediocridade? Então ele ainda não percebeu as discussões que se têm verificado a nível mundial? As críticas ao neoliberalismo? O movimento altermundialista? Ainda não percebeu o que separa o Norte do Sul nas discussões que estão a decorrer na OMC? Não percebeu o que se está a passar na América Latina? Não percebeu porque é que alguns países votaram contra o Tratado Constitucional? Será que PP é burro? Ou intelectulamente desonesto? Aqui está uma pergunta a que ele não >responde facilmente, em particular se quem lha colocar >souber evitar as fugas que a sua habilidade fará >aparecer. O albanês, o da Nicarágua sandinista, o de >Cuba, o sueco, o argelino, o do Brasil de Lula, o >holandês, a Venezuela de Chávez? Ele tenderá a >sugerir, sem o dizer, que é o sueco na segurança >social e o holandês nos costumes, mas sugestio falsi, >diria um jesuíta ilustrado. E outro jesuíta ilustrado acabaria de dar os parabéns ao PP por ter sido tão jesuítico na sua "argumentação". Em que partidos e >movimentos, fora e dentro da Europa, Louçã se revê? >Nos zapatistas de Chiapa, nos trotsquistas franceses >(quais?), nos peronistas, no PT de Lula, ou na ala >esquerda do PT? Prudente silêncio nas grandes >intervenções, e só levantando a ponta do véu nos >círculos partidários. Afinal, não é assim tão desconhecedor como isso. Mas, significativamente, invoca movimentos que têm lugar em realidades completamente diferentes da nossa. Será que pretende, aos olhos do leitor, caricaturar as posições de Louçã? Que política externa devemos ter >face à Europa, à OTAN e aos EUA? Aqui Louçã é mais >transparente, mas convinha perceber que, na prática, a >política que ele nos sugere é muito parecida com a da >Venezuela, ou a da Líbia, excluídos os respectivos >particularismos regionais. Ou seja, só há uma via para a política externa portuguesa, segundo o PP. Adivinhem qual é? >9. O mundo de Louçã, que é transparente para quem >conheça as suas posições, é obscuro para quem apenas o >ouça a fazer grandes debates e para a maioria das >audiências que o conhece apenas da televisão e da >propaganda. O que é que ele realmente pensa da >economia de mercado? Como é que ele entende as >empresas no seu país ideal, como vê a propriedade >privada, até onde é que ele pensa que devem ir os >impostos para financiar o país providencial que sugere >ser o alfa e ómega do seu programa político. >Não basta só falar do desemprego e da segurança >social, dos impostos, e enunciar um programa meio >sindicalista, assistencial e de fiscalidade punitiva >dos "ricos", completamente irrealista. Esse programa >levaria a uma forte conflituosidade social, ao >encerramento de muitas empresas, à fuga de capitais, >ao fim do investimento e seria ineficaz sem repressão. >O programa de Louçã nunca aparece nos debates, mas é a >uma espécie de PREC que conduz. Ouvi-lo pode ser >mavioso, moderno e desempoeirado, mas tomá-lo à letra >é sinistro. Historiador O artigo tinha que terminar em beleza, com a invocação do papão comunista, atentador da propriedade privada e afugentador do capital. Será que ele não percebe a diferença entre 8 e 80? O pensamento de PP é mesmo limitado ou está simplesmente a ser intelectualmente desonesto? [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Debates | Vicente jorge Silva | 16/12/05 19:32:27 |
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