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Subject: Aprender a liberdade


Author:
Ruben de Carvalho, DN, 08/01/06
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Date Posted: 8/01/06 9:05:09
In reply to: Ruben de Carvalho, DN, 07/01/06 's message, "O tempo contra a direita" on 7/01/06 9:22:52

Aprender a liberdade

Ruben de Carvalho, DN, 08/01/06

A geração a que pertencem Ilse Losa e seu marido, o arquitecto Arménio Losa, deixou uma vastíssima obra que mantém uma presença viva na nossa sociedade. É estimulante verificar a forma como se multiplicam os trabalhos académicos sobre os criadores do determinante período dos anos 30-70 da vida cultural portuguesa.

Contudo, mesmo este esforço acaba a deixar uma difusa sensação de que alguma coisa não se consegue fazer passar. Talvez para esta espécie de hiato contribua uma lógica (e possivelmente inevitável) metodologia a análise paralela, mas sempre um tanto separada, da criação artística e de um igualmente activo empenhamento político e ideológico.

Ou enfrentamos a abordagem ensaística da obra - seja ela literária, plástica ou outra - e as opções e intervenções ideológicas e políticas surgem como factor de enquadramento da produção intelectual, ou então o tipo fotobiografia que tende a hipervalorizar o puro descritivo cronológico, a sucessão de vida onde a força da própria imagem dilui e afasta a subjectividade e os ambientes.

Os livros de Ilse Losa continuam a ser lidos e estudados - em Portugal e na Alemanha -, a obra de Arménio Losa tem a perenidade da arquitectura. Mas como se transmitirá o que era a casa da rua de Campo Alegre, o quotidiano onde os amigos das duas filhas, Alexandra e Margarida, quotidianamente cruzavam com tudo quanto havia de escritores, políticos, poetas, pintores, do Porto ou por lá passando?

E com um aspecto determinante, comum a outras famílias que forjaram a geração que se lhes seguiu é que, então adolescentes e jovens, sentimos que fazíamos parte do mundo, num convívio de serena responsabilidade e afectuosa exigência que não separava - como então era de regra - os "miúdos" dos adultos. Uma presença constante na opinião ou na sugestão convivendo com um respeito igualmente constante pelo espaço próprio, pela autonomia, pela liberdade.

Em casas como as de Ilse e Arménio Losa houve, além de tudo o mais, isso aprendeu-se a liberdade.

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