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| Subject: O inimigo principal | |
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Author: Filipe Diniz, blog Mais Livre |
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Date Posted: 4/12/05 18:54:25 In reply to: Lusa 's message, "PCP tentou candidato único da esquerda - Jerónimo de Sousa" on 3/12/05 23:18:54 O inimigo principal Os órgãos de informação ficaram muito surpreendidos com a revelação de que o PCP encarou a possibilidade de uma candidatura presidencial da área à esquerda do PSD. Só quem desconheça a forma de actuar do PCP pode ser surpreendido. E só quem desconheça a forma de actuar de outras forças que se afirmam à esquerda poderá ficar surpreendido com a impossibilidade de essa perspectiva se ter concretizado. Nem o hegemonismo do PS, nem a obsessão bloquista com a sua própria afirmação deixavam margem para outra coisa. A burguesia já foi em tempos uma força revolucionária, antes de se organizar em classe dominante e se tornar uma força opressora e contra-revolucionária. Desses tempos guardou na sua memória genética a capacidade de definir o inimigo principal e de agir em função disso. A revolução portuguesa é um compêndio prático dessa actuação: em cada momento os quadros da contra-revolução trataram de estabelecer todas as alianças possíveis contra as forças progressistas. Hoje que se evoca a personalidade de Sá Carneiro é de lembrar a sua infatigável acção e conspiração contra a Revolução e o Portugal de Abril, e a sua capacidade de se entender com o PS e Mário Soares (e Manuel Alegre, que tem muito a contar sobre as conspirações com Spínola...) nessa base. Já do lado de várias das forças democráticas civis e militares essa capacidade não existiu, com os resultados que se sabem. Também nestas eleições presidenciais a lição tem que ser lembrada. Nenhuma força democrática deveria ignorar o inimigo principal. Mas a desorientação é óbvia. Soares ataca Cavaco, é certo. Mas ataca a pessoa de Cavaco, ignorando o essencial, que é quem o apoia e promove, e quem se serviria do órgão de soberania que ele viesse a ocupar como plataforma para a liquidação definitiva do regime democrático tal com a constituição de 1976 o define. Alegre diz umas coisas acerca de Cavaco. Mas o seu objectivo transparente é ajustar contas com o seu próprio partido, que primeiro lhe fez a desconsideração de não o eleger Secretário-Geral, e depois lhe fez a desconsideração de não o candidatar nestas eleições. Louçã faz umas rábulas sobre Cavaco, mas o essencial da sua campanha é expor aos retalho as linhas programáticas de governo do BE, para mostrar ao PS que está em condições de compartilhar essa tarefa. Entretanto a candidatura de Cavaco vai fazendo o seu caminho. Para uma força de esquerda digna desse nome, só vale a pena identificar o inimigo principal enquanto é tempo de o derrotar. Depois, já é tarde. Publicado Domingo, Dezembro 04, 2005 por Filipe Diniz, blog Mais Livre. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |