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| Subject: Quanto maior é a necessidade de falar sobre os ideais da democracia, menos democrático é o sistema | |
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Author: Noam Chomsky, Donaldo Macedo |
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Date Posted: 1/12/05 10:47:58 PARA ALÉM DE UMA EDUCAÇÃO DOMESTICADORA: Um Diálogo com Noam Chomsky, Donaldo Macedo University of Massachussets, Boston, USA Donaldo Macedo – Há alguns anos, fiquei intrigado com um episódio ocorrido na Boston Latin School. David Spritzler, um aluno de doze anos, sofreu um processo disciplinar por se ter recusado a recitar o Juramento de Fidelidade (Pledge of Allegiance (NT1), juramento que ele considerava “uma exortação hipócrita do patriotismo” uma vez que não existe “liberdade e justiça para todos”. O que lhe quero perguntar é por que é que um rapaz de doze anos consegue perceber a hipocrisia do juramento de fidelidade, e o seu professor e os administradores da escola não? Eu acho desconcertante que professores, que pela própria natureza da sua função se deveriam considerar intelectuais, não sejam capazes ou se recusem conscientemente a ver o que é tão óbvio para alguém tão jovem. Noam Chomsky – Isso não é assim tão difícil de compreender. O que você acabou de descrever é um sinal do grau de enraizamento da doutrinação nas nossas escolas, que leva a que unia pessoa instruída não seja capaz de entender idéias elementares capazes de serem compreendidas por qualquer criança de doze anos. Donaldo Macedo: Eu acho desconcertante que um professor altamente instruído e um diretor de uma escola estejam dispostos a sacrificar o conteúdo do Juramento de Fidelidade para imporem obediência, ao exigirem que um aluno recite o Juramento de Fidelidade. Noam Chomsky – Eu não considero isso nada desconcertante. Na realidade, o que aconteceu com David Spritzler é o que se espera das escolas, que são instituições dedicadas à doutrinação e à imposição de obediência. Longe de criarem pensadores independentes, ao longo da história as escolas sempre tiveram um papel institucional num sistema de controle e coerção. E, uma vez convenientemente educado, o indivíduo foi socializado de um modo que dá suporte à estrutura de poder que, por seu lado, o recompensa generosamente. Vejamos o exemplo de Harvard. Aí os estudantes não se limitam a aprender matemática. Aprendem também o que é esperado de um graduado de Harvard no que diz respeito ao seu comportamento e ao tipo de perguntas que nunca se devem fazer. Aprendem as subtilezas das recepções, as formas de se vestir mais adequadas e como falar com sotaque de Harvard. Donaldo Macedo – E também de como se mover no seio de uma classe particular e descobrir as metas, os objetivos e os interesses da classe dominante. Noam Chomsky – Sim. Neste caso existe uma diferença fundamental entre Harvard e o MIT. Apesar de se poder caracterizar o MIT seguramente como sendo mais de direita, é uma instituição muito mais aberta que Harvard. Existe um adágio sobre Cambridge que retrata essa diferença: Harvard treina pessoas para governar o mundo, o MIT treina as que o fazem funcionar. O resultado é que a preocupação de controle ideológico é muito menor no MIT, havendo mais espaço para o pensamento independente. A minha situação nessa instituição é prova do que acabei de dizer. Eu nunca senti qualquer interferência no meu trabalho ou ativismo político. Dito isto, eu não considero que o MIT seja um trampolim para o ativismo político. Ainda está subjugado a um papel institucional de evitar uma boa parte da verdade acerca do mundo e da sociedade. Caso contrário, se ensinasse a verdade, não sobreviveria muito tempo. Como não ensinam a verdade sobre o mundo, as escolas têm que martelar na cabeça dos estudantes até lhes impingir a propaganda sobre a democracia. Se as escolas fossem realmente democráticas, não seria necessário bombardear os estudantes com banalidades acerca da democracia. Estes agiriam e comportar-se-iam de uma forma simplesmente democrática, e nós sabemos que isso não acontece. Habitualmente, quanto maior é a necessidade de falar sobre os ideais da democracia, menos democrático é o sistema. Este é um dado bem conhecido pelos políticos e por vezes estes nem sequer se esforçam por escondê-lo. A Comissão Trilateral (NT2) referiu-se às escolas como “instituições” responsáveis pela “doutrinação dos jovens”. A doutrinação é necessária porque as escolas são, de um modo geral, concebidas para apoiar os interesses do segmento dominante da sociedade, das pessoas detentoras da riqueza e do poder. Numa fase inicial da educação, as pessoas são socializadas de modo a compreenderem a necessidade de apoiar a estrutura do poder, com as corporações em primeiro plano – a classe empresarial. A lição aprendida na socialização através da educação é que se não se apoiar os interesses dos detentores da riqueza e do poder, não se sobrevive por muito tempo. É-se excluído do sistema ou marginalizado. E as escolas são bem sucedidas na “doutrinação da juventude” – para usar as palavras da Comissão Trilateral – ao operarem num enquadramento propagandístico que consegue distorcer ou reprimir idéias e informações indesejadas. (…) [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |