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Subject: "Não estou a ver o PCP apresentar qualquer caderno reivindicativo para apoiar alguém numa 2ª volta"


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Entrevista a Jerónimo de Sousa
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Date Posted: 8/12/05 12:54:12
In reply to: Ruben de carvalho 's message, "Catarina e os cronistas (II)" on 8/12/05 1:07:14

Entrevista a Jerónimo de Sousa
"Não estou a ver o PCP apresentar qualquer caderno reivindicativo para apoiar alguém numa segunda volta"
08.12.2005 - 10h52 Nuno Pacheco, Helena PereiraPÚBLICO

O candidato presidencial do PCP considera que qualquer desistência de um candidato de esquerda, neste momento, só aumenta o risco de Cavaco ganhar à primeira volta. Jerónimo de Sousa está a fazer campanha para evitar que o ex-primeiro-ministro "se aposse" da Presidência e para consolidar o voto de protesto contra o Governo PS. O secretário-geral comunista suspeita que Sócrates prefere governar com Cavaco em Belém e, por isso, diz que o líder do PS nunca chegou a fundamentar o apoio a Soares. Numa eventual segunda volta admite fazer campanha ao lado do candidato de esquerda que passar
Jerónimo de Sousa saiu mais cedo da reunião da comissão política para dar a entrevista ao PÚBLICO, na sede do PCP, na Soeiro Pereira Gomes. Desceu para a sala do primeiro andar onde os dirigentes do PCP dão sempre as entrevistas munido com uma Constituição, algumas notas, que não consultou, e o maço de cigarros. Supersticioso, ao longo da conversa, bate três vezes na mesa de madeira, quando fala da hipótese de Cavaco Silva ganhar as eleições.
De manhã, tinha sido a vez da imprensa estrangeira. O secretário-geral confessa ter ficado surpreendido pelo interesse dos vários correspondentes em Lisboa pelas questões nacionais e por quem lidera actualmente o PCP.

PÚBLICO - É a primeira vez que um secretário-geral do PCP é candidato presidencial. Porquê esta escolha?

JERÓNIMO DE SOUSA - Não há nenhuma questão de princípio, nem nenhuma norma estatutária que tenha impedido a apresentação de um candidato que fosse secretário-geral. Houve uma situação próxima com o meu camarada Carlos Carvalhas, secretário-geral adjunto na altura. Neste contexto, num quadro diferente pela complexidade e importância das eleições presidenciais, a direcção do meu partido de uma forma unânime considerou que era eu, o secretário-geral, quem poderia assumir esta tarefa.

PÚBLICO - Isso significa que acaba por ser uma oportunidade de afirmação do partido de uma forma mais directa?

JERÓNIMO DE SOUSA - Admito que esta decisão corresponde à importância que damos a esta batalha das presidenciais. Admito perfeitamente isso. Foi precisamente com esse sentido, logo à partida, que dissemos que era uma candidatura disposta a ir até ao fim, ir a votos dia 22.

PÚBLICO - Quando disse na RTP que o PCP tinha ponderado apoiar uma candidatura única de esquerda, estava a pensar em que tipo de figura? Nalgum nome em concreto?

JERÓNIMO DE SOUSA - As eleições de Fevereiro deram uma derrota clara da direita. Havia a grande questão das eleições presidenciais e o comité central do PCP, na análise que fez aos resultados, chamou a atenção para a necessidade de dar resposta a um processo que estava em curso. Estava a construir-se de uma forma hábil uma candidatura de direita. Por parte das forças à esquerda, havia uma espécie de resignação, indiferença, fundamentalmente por parte do PS. Cito de memória a declaração de José Sócrates a dizer que mais lá para a frente, para Setembro, pensaria nisso. A este apelo [do PCP], que era uma disponibilidade, verificou-se pouca vontade por parte do PS. Quisemos publicamente fazer esse alerta, chamada de atenção, mas foi pouco animadora a resposta.

PÚBLICO - Mas tentaram algum contacto com o PS?

JERÓNIMO DE SOUSA - Não. Houve uma posição pública que nunca chegou a ser formalizada. Em relação à figura, obviamente nunca seria o PCP a tomar a iniciativa, dizendo beltrano ou sicrano. Seria uma figura que pudesse, com base nessa vontade de mudança e de um amplo espaço à esquerda da candidatura de Cavaco Silva, ser encontrada, ou um independente ou alguém da área de algum dos partidos.

PÚBLICO - Poderia ter sido Mário Soares?

JERÓNIMO DE SOUSA - Sinceramente, não pensámos na figura de Mário Soares, mas obviamente não íamos com uma disposição de dialogar, arrumando nomes. Antes pelo contrário, íamos com uma grande disponibilidade para um processo de convergência. Sem nomes, sem programa, mas procurando que isso fosse concretizável, tendo em conta o processo que se estava a desenrolar à direita.

PÚBLICO - Não houve uma procura do PCP por parte de Mário Soares?

JERÓNIMO DE SOUSA - Não, não, sinceramente.

PÚBLICO - O PCP não soube da candidatura de Soares antes de esta ser anunciada?

JERÓNIMO DE SOUSA - Não, não.

PÚBLICO - Terá sido uma surpresa, quando ele anunciou?

JERÓNIMO DE SOUSA - Eu creio que o PS anunciou antes. Não foi Mário Soares, foi José Sócrates no JN que fez o anúncio de pré-disposição de apoio à candidatura de Soares. Foi uma notícia que nos surpreendeu pela boca do primeiro-ministro e não pela boca de Mário Soares.

PÚBLICO - Se as sondagens derem uma muito provável vitória de Cavaco na primeira volta, acha que seria preferível desistir para fortalecer uma eventual candidatura única de esquerda?

JERÓNIMO DE SOUSA - Qualquer desistência, neste momento, não beneficia nenhuma das candidaturas à esquerda de Cavaco Silva. Cada um dos quatro candidatos, com todas as divergências e diferenças que existem, pode ter aqui um papel que signifique que essas quatro candidaturas podem conseguir mais de 50 por cento, enquanto qualquer desistência, isso sim, poderia levar à vitória de Cavaco Silva na primeira volta.

PÚBLICO - Qual é a sua convicção? Acha que vai haver segunda volta ou não?

JERÓNIMO DE SOUSA - Um dos objectivos que temos é haver uma segunda volta. Está tudo em aberto, tal como em relação a uma vitória de Cavaco Silva, ou este ou aquele passar à segunda volta. Ainda falta muito caminho para percorrer. Sinto que há neste momento, até tendo em conta a situação particular no PS, que há confusão, hesitação e indefinição de opção de voto. Esta batalha da pré-campanha e da campanha, onde vai haver muita clarificação, pode dar uma coisa: os resultados vão ser bastante diferentes dos que foram anunciados nas primeiras sondagens.

PÚBLICO - Imagine que passa um candidato da área do PS. Pensa fazer campanha ao lado desse candidato, ou a posição de princípio será de deixar isso ao candidato?

JERÓNIMO DE SOUSA - Nós temos um objectivo estratégico claramente assumido: participar nesta campanha para impedir que a direita se aposse deste importante órgão de soberania. Continua a ter validade e actualidade esta orientação. Não estamos aqui com um estatuto subalterno nem de candidatura complementar de qualquer outra. Numa segunda volta, que desejamos, é o povo que decide. À partida, está tudo em aberto. Admitindo que a minha candidatura também possa estar ao nível daqueles que têm por objectivo passar à segunda volta, se assim for, a resposta está dada. Se passar outro candidato, com base nesse objectivo de derrota da candidatura de direita, não temos qualquer problema em indicar uma intenção de voto.

PÚBLICO - Qual vai ser o empenhamento. Aparecer ao lado do candidato, dizer aos eleitores para votar naquela pessoa?

JERÓNIMO DE SOUSA - Tratemos de fazer tudo nesta primeira volta para que haja uma segunda. Depois, perante os resultados concretos, avaliaremos e decidiremos em conformidade. Não há ainda uma decisão colectiva.

PÚBLICO - Nesse caso, o PCP porá condições para apoiar o candidato que passe ou dará uma espécie de apoio incondicional?

JERÓNIMO DE SOUSA - Nós não vamos impor condições a ninguém. Mesmo neste quadro de uma perspectiva de convergência não estávamos a ver um rol ou um caderno reivindicativo de posições. As diferenças vão manter-se entre nós e os outros três candidatos à esquerda de Cavaco Silva. Mais do que a pessoa ou a fulanização desta importante batalha política, a nossa inquietação reside nos apoios e naquilo que Cavaco Silva pode representar, caso fosse eleito Presidente da República. Eu não estou a ver o PCP a apresentar qualquer caderno reivindicativo.

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Protecção idosos devia ser princípio constitucional-Jerónimo SousaLusa 8/12/05 16:26:42
    Já o Paulo Portas, na oposição, era da mesma opinião...Paulo Amorim 8/12/05 17:57:06


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