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| Subject: Catarina e os cronistas (II) | |
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Author: Ruben de carvalho |
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Date Posted: 8/12/05 1:07:14 Catarina e os cronistas (II) Ruben de carvalho http://dn.sapo.pt/2005/12/04/opiniao/catarina_e_cronistas_ii.html A existência da autópsia e o facto de ela não comprovar a gravidez da camponesa assassinada é de há muito conhecida. Ao divulgar com grande estardalhaço o depoimento do médico legista que a realizou e confirma aquele facto, o Público fez o prestimoso serviço de arrombar uma porta aberta. Mas a verdade é que a pseudonovidade serviu para um tão surpreendente como obtuso exercício de escrita por parte de um habitualmente bem mais equilibrado Nuno Pacheco e a um nada surpreendente texto de um frequentemente ignóbil Vasco Pulido Valente. O subdirector do Público enovela-se nos "significados" políticos da não confirmada gravidez da Catarina a partir de uma premissa completamente falsa como é óbvio, todas as denúncias que ao longo de meio século foram feitas sobre esse crime do salazarismo sublinhavam essencialmente a sua brutal violência e o constituir um exemplo extremo da repressão que marcou a vida dos trabalhadores agrícolas alentejanos e, simultaneamente, da sua heróica combatividade. A componente "poética" que Nuno Pacheco vislumbra é frontalmente desmentida exactamente por isso, pela poesia: no mais significativo do vasto cancioneiro, de Sophia de Mello Breyner a José Afonso, dedicado à ceifeira assassinada (veja-se a bela edição da Inova) não figura qualquer referência ao facto de se encontrar grávida. O texto de Vasco Pulido Valente é apenas mais um episódio grotesco da necessidade de ajustar contas com a sua adolescência e a sua família. Pena é que o faça obscenamente em público. Entretanto, o depoimento clínico traz um facto que não parece ter sido antes referido os tiros disparados pela pistola--metralhadora do tenente Carrajola foram-no com a arma rigorosamente encostada ao corpo de Catarina, literalmente à queima-roupa. O assassino sabia o que estava a fazer. Mas com certeza não imaginaria que, meio século decorrido, as suas balas fossem usadas por um escriba para torpemente chamar "a santa de Baleizão" à ceifeira que friamente assassinara. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |