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| Subject: Trinta anos depois | |
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Author: Luciano Amaral |
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Date Posted: 1/12/05 8:29:08 Trinta anos depois Luciano Amaral,DN, 1 de Dezembro de 2005 Passaram 30 anos do 25 de Novembro e pouco se falou. A esquerda prefere não o mencionar. Alguma direita lá vai repetindo a ladainha da "vitória da liberdade e da democracia" sobre o "totalitarismo comunista", e a coisa fica-se por aí, com um ar de festa triste É necessário, para quem se quer respeitado, situar-se da social- -democracia para a esquerda. Devemos ao 25 de Novembro ter ajudado a evitar o pior dos excessos revolucioná-rios. Mas também lhe devemos muito do que deles sobrevive ainda hoje na nossa vida política Este poderia ter sido um ano rico em efemérides, caso a sociedade portuguesa não tivesse optado maioritariamente pelo silêncio. Por exemplo, na última semana passaram 30 anos sobre o 25 de Novembro e pouco se falou disso - a maior excepção terá sido mesmo este jornal. A esquerda prefere não mencionar o assunto. Alguma direita lá vai repetindo a ladainha da "vitória da liberdade e da democracia" sobre o "totalitarismo comunista", e a coisa fica-se por aí, com um ar de festa triste, que quase poderia ter sido organizada por David Brent, o chefe da série The Office. Talvez isto se deva ao facto de tudo ser mais complicado do que parece. O 25 de Novembro não foi a derrota da esquerda e a vitória da direita, nem a vitória da democracia sobre o totalitarismo. Foi apenas o momento em que direita e esquerda preferiram não ganhar completamente e entender-se com o outro lado, usando a democracia como instrumento para garantir a sua própria sobrevivência. Só que, até se chegar a este ponto, muita coisa aconteceu. Muitos dos que desde então se apresentam como campeões da "liberdade" foram os mesmos que antes, a partir do 25 de Abril, andaram noutras paragens mais radicais. O 25 de Novembro pôs termo ao PREC. Mas o PREC, como uma tragédia shakespeareana, teve de tudo loucura, sangue, traição e espantosas reviravoltas. Em Abril de 74, no centro de tudo estava Spínola, em volta do qual gravitavam os capitães (cujo objectivo praticamente único era saírem de África) e, numa órbita um pouco mais vasta, os políticos civis, quase todos (incluindo os comunistas) dispostos a ajudarem à instauração de uma democracia pluripartidária. Depois, tudo se complicou. O maior factor de perturbação foi África. Os capitães começaram a achar que Spínola, nas suas dilações sobre a independência, se estava a assemelhar demasiado com Caetano, o que os levou a minar decisivamente o seu esforço diplomático. À medida que foi perdendo o controlo da situação colonial, Spínola tenta controlar a situação "metropolitana", naquilo que a esquerda logo considerou ser uma tentativa de regresso ao "fascismo". Spínola é derrotado a 28 de Setembro de 74, passando então o PCP, a esquerda radical e a chamada esquerda militar a marcar o ritmo político. Ao longo deste tempo, posteriores heróis democráticos de Novembro, como Melo Antunes ou Mário Soares, tinham sido importantes agentes de radicalização. Melo Antunes, muito próximo da esquerda militar e do esquerdismo. Soares, tentando ultrapassar o PCP pela esquerda. O PCP apresentou-se em Abril de 74 numa posição ordeira. O PS, todo revolucionário, entendendo-se com o esquerdismo, promovendo greves, ocupações e comissões de trabalhadores. Quando chegamos a Setembro de 74, já está ateado o fogo da revolução, e a culpa nem sequer é do PCP, que acabou por ajudar à festa na cauda de outros. Depois foi o crescendo, com o 11 de Março, as nacionalizações e o Verão quente. O PS só se descobre moderado a partir das eleições de Abril de 75. É então que, para preservar o capital político aí adquirido, muda de lado, passando a alinhar com toda a direita, de Sá Carneiro ao cónego Melo, passando por Spínola. Por esta altura, o País está próximo da guerra civil. A questão agora é saber quem ataca ou cede primeiro. O PCP, que nunca gostara muito da onda revolucionária, começa a dar sinais de conciliação desde Agosto. O seu problema é dominar a esquerda militar e o esquerdismo. Entretanto, a aliança do PS com a direita também se dotara, desde Maio, de uma ala militar, com o chamado Grupo dos Nove, onde (noutra reviravolta dramática) pontificava agora Melo Antunes. Os Nove passaram parte do Verão e do Outono de 75 a provocar a esquerda, para a forçar a atacar primeiro. Finalmente, a 25 de Novembro, assim acontece. Ainda hoje não sabemos se a acção dos pára-quedistas correspondeu a um verdadeiro golpe. Mas os Nove não desperdiçaram o pretexto para contra-atacar. Costuma dizer-se que a sua situação militar (com os Comandos) era superior. Não é necessariamente verdade. Se os Fuzileiros tivessem decidido enfrentá-los, não era óbvio que assim fosse. E os Fuzileiros não saíram porque o PCP não quis. Foi o PCP que, naquele dia, preferiu a sobrevivência na democracia à incógnita do enfrentamento militar e da voragem revolucionária às mãos da esquerda militar e do esquerdismo. Com tudo isto, a esquerda acabou por se tornar no centro do processo. O PS, certamente, mas também (à última da hora) o PCP. Daí que o 25 de Novembro tenha garantido a democracia, mas limitando-a pelas chamadas "conquistas revolucionárias" da Constituição de 76. Se é verdade que as nacionalizações já não são "irreversíveis" e a reforma agrária acabou, muita coisa desse tempo permanece. Ainda hoje é necessário, para quem se quer respeitado, situar-se da social-democracia para a esquerda. Devemos ao 25 de Novembro ter ajudado a evitar o pior dos excessos revolucionários. Mas também lhe devemos muito do que deles sobrevive ainda hoje na nossa vida política. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
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