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Subject: É Soares que os cavaquistas temem


Author:
Pedro D’Anunciação, Expresso, 03/12/05
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Date Posted: 4/12/05 11:53:25
In reply to: José António Saraiva 's message, "A única forma de vencer Cavaco" on 4/12/05 0:59:01

É Soares que os cavaquistas temem

Pedro D’Anunciação, Expresso, 03/12/05

Cavaco Silva mostrou saber bem falar directamente para o eleitorado, nos tempos em que toda a imprensa o tratava com a displicente hostilidade que hoje dispensa a Mário Soares.

Este formato de entrevistas da RTP, por se limitar a uma escassa meia hora, acaba por favorecer o estilo Cavaco: numa linguagem enxuta, passa as mensagens que quer (pronto a colaborar com Sócrates, apostando na recuperação de um clima de confiança, pretendendo mobilizar a sociedade civil para consensos). Esgueirou-se na perfeição das questões pessoais, e esmagou a entrevistadora quando tentou pôr em causa aspectos da sua política económica (por falta de preparação dela). Só claudicou na questão da intromissão na vida partidária, depois de 96.

Claro que os estrategos da campanha de Cavaco, se pudessem, o mantinham calado, e longe dos rivais.

Mário Soares é hoje, contudo, quem tem de se preparar para o ingrato papel de falar directamente para a população, por cima dos jornalistas. Da série de entrevistados pela RTP nestes últimos dias, foi o único apresentado pouco depois, a abrir o “Choque Ideológico” da RTPN em que se debateu a sua prestação, desta forma depreciativa: “Ouvimos esta noite um Mário Soares algo crispado, a tentar fugir às polémicas do momento…”

Afinal, tudo o que ele fizera fora evitar as tricas pessoais que a entrevistadora lhe queria impor – do mesmo modo que o fizeram os restantes candidatos. É certo que deixando-se cair em maior enervamento.

Judite de Sousa não usou o tom desagradavelmente agressivo de Constança Cunha e Sá, na TVI. Contudo, enquanto Constança evidenciou uma preparação mais sólida nas questões políticas que poria a cada um em particular, Judite privilegiou os “fait-divers” pessoais. Um sorrizinho alcoviteiro, o olho a brilhar-lhe de bisbilhotice, agarrou-se toda à tricazinha Soares-Alegre.

Eles não queriam responder, varriam o assunto com gestos dignos, mas acabaram por escorregar, escaparam-se-lhes uns azedumes.

Mário Soares (10% de audiência), de resto, frisou bem as mensagens que quer deixar: as curriculares (negociações com a CEE, evitar a banca rota com o FMI, estar sempre presente nos momentos de crise, a experiência em todos os cargos: “Saí da Presidência com um coro de aplausos”), e a ideia-base para o futuro Presidente (“ouvidor e árbitro”). De resto, aproveitou para lembrar a coerência da sua posição sobre o Iraque, e defendeu uma globalização com regras (sem deixar de notar, sobre Davos: “Não gostei de lá estar”). Foi também seguro no que não devia falar: a substituição de Souto Moura.

Manuel Alegre (8,5% audiência), o primeiro a ser enredado no estilo Judite, teve naturalmente maior dificuldade em escapar às questõezitas pessoais. Mal pôde falar no seu projecto de “fazer renascer a esperança nas pessoas”, ou de “garantir a saúde e a decência da democracia” (“Não quero ser chefe da oposição nem do Governo, quero ser árbitro”).

Francisco Louça (8,5% audiência), um comunicador especial, com a vantagem da sua formação académica em economia, já foi a tempo de tornear as questiúnculas pessoais da entrevistadora. Ela bem dizia que ele não lhe respondera, mas lá avançava Louça, naquele seu tom insinuante, a moderar também o discurso. (“É preciso um grande consenso para reduzir o défice da Segurança Social”): quando o oiço na televisão, imagino-o sempre a somar votos.

Nos debates que se seguem, apesar da mexeriquice que pode estimular o confronto Soares-Alegre (4ª, 14, TVI), as expectativas políticas centram-se na discussão entre Cavaco e Soares (3ª, 20, RTP). É Soares que os cavaquistas mais temem que passe à segunda volta, como se viu no “CXhoque Ideológico” da RTPN, na 3ª-feira: comentava-se a entrevista de Alegre, mas Helena Matos chegou a deixar-lhe alguns elogios e concentrou-se a atacar Mário Soares.

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A única forma de o JAS perceber... É explicar-lhe como se fabricam "sondagens"... (NT)Visitante Cinico (e numa de brincadeira...) 4/12/05 22:09:53


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