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| Subject: O PARTIDO ÚNICO | |
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Author: VASCO PULIDO VALENTE |
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Date Posted: 14/11/05 16:49:27 Pedro Magalhães, do ICS e da Universidade Católica, escreveu esta semana que não havia verdadeiramente um candidato presidencial da Direita. Anteontem, em S. Bento, o PS acusou o PSD de criticar na oposição a política que fazia no governo, um velho argumento que o PSD também costuma usar contra o PS. O PC e o "Bloco" dão uns passinhos fora da ortodoxia, mas com cuidado e à conta da sua institucional irresponsabilidade. Como, no seu tempo o CDS de Portas, que, de resto, o poder largamente amansou. Portugal, no fundo, vive num regime de Partido Único, mais do que num regime multipartidário. Com crise ou sem ela, o "Centrão" continua muito bem, e agradece, e, para lá de algumas quezílias de puro teatro, o "consenso" alastra. Simbolicamente, em viagem pela Cavaquistão, Cavaco falou como um genuíno "homem de esquerda". Em Portugal, isto vem de longe. As grandes divisões foram sempre sobre a natureza do regime e tinham naturalmente por fim eliminar o adversário e nunca por nunca conviver com ele. De certa maneira, o que se pretendia (pela guerra civil ou pelo método mais banal do pronunciamento militar) era restaurar a unidade perdida. Só duas vezes se chegou a um compromisso: em 1851-1852 e, ultimamente, depois do 25 de Novembro de 75. E das duas vezes, quando se instalou a paz, pouco a pouco as facções convergiram para uma ortodoxia oficial, que, tirando uma ou outra inclinação menor, eliminava qualquer diferença relevante e juntava toda a gente numa massa homogénea, com o mesmo programa e a mesma retórica. Em 1865, até se deu a essa massa o nome apropriado de "Fusão" e se criou com ela um "partido compacto" para salvar a Pátria. Em 2005, sem o nome, não andamos longe. Porquê? Porquê esta tendência indígena para o conformismo e o rebanho que Salazar gostava de apontar aos críticos da sua e, para ele, inevitável "União Nacional"? Basta ir ver o que há 140 anos preocupava os "fusionistas". Primeiro - adivinharam - o défice. A seguir - tornaram a adivinhar - o "desenvolvimento material" (à época ainda se pensava no "moral"). E também, por ordem, a miséria do povo, a administração local, a justiça e o ensino, a que se atribuíam propriedades redentoras. Mudámos muito? Não. Não mudámos nada. A dependência do estrangeiro, uma economia arcaica, um Estado hidrópico e parasitário e uma pobreza quase universal, numa palavra, o "atraso" português, não deixam escolha. Claro que tudo é relativo. Só que, relativamente, estamos como estávamos. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Chiça que este gajo ainda é mais cínico do que eu... (NT) | Visitante Cínico (e às vezes divertido) | 14/11/05 21:48:50 |
| Re: O PARTIDO ÚNICO - E quando o PCP denuncia este estado de coisas... | Margarida | 15/11/05 11:19:49 |
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| "O Grande Mundo do dr. Cavaco" | Vasco Pulido Valente | 15/11/05 18:54:02 |