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Subject: Da água e do camelo


Author:
Carlos Pereira da Silva
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Date Posted: 15/11/05 18:02:00


NO DESERTO, uma garrafa de água vale mais do que um barril de petróleo. Sobretudo se dessa água dependesse a sobrevivência do dono do petróleo. No deserto, um camelo vale mais do que um carro. O camelo aguenta muitos dias sem comer, sabe o caminho dos oásis e obedece ao dono que o cuida. O carro, mesmo com gasolina, não serve para nada se não houver estrada para lá das dunas. Portanto, no deserto, é preferível ser proprietário de um camelo e de uma garrafa de água do que dono de um carro com um barril de petróleo. Mas fica uma questão por resolver. Para quantos dias dá a garrafa de água? Para um dia, para mais? É a questão relevante para os dois proprietários? No primeiro dia o dono da garrafa de água com um camelo vale de certeza muito mais do que no segundo dia. Pelo menos consumiu, com parcimónia, a água que lhe permitiu sobreviver. E ainda lhe resta para mais algum tempo. Pelo contrário, no primeiro dia, o dono do barril do petróleo com um carro está à beira da morte porque não bebeu água. É preciso não esquecer que no deserto há sempre mais sol do que sombra e o camelo já avançou uns quantos quilómetros com o dono no dorso a beberricar gota a gota da garrafa. O dono do carro está no mesmo sítio porque tem o barril do petróleo que não quer perder. Porque a sua riqueza é precisamente a posse daquelas coisas e ele espera que surja alguém que queira trocar uma garrafa de água por um carro e um barril de petróleo. No segundo dia, o dono do camelo já consumiu mais água da garrafa e graças ao trote do camelo está mais adiantado na direcção do destino que traçou. O dono do carro está agonizante no lado da sombra ao lado do carro longe do seu objectivo. Porém, quando for meio-dia, com o sol sobre si, já não terá mais sombra para se proteger nem se calhar conseguirá passar para o lado da sombra quando a terra girar. Para não falar da temperatura que terá de suportar nessa altura! No terceiro dia o dono da garrafa de água chega ao oásis graças ao seu camelo, come uma boa refeição e prepara um plano de resgate para salvar o dono do carro com um barril de petróleo. O problema é que se levou três dias para cá, gastará o mesmo tempo para lá. Quando chegasse junto do dono do carro com petróleo este já estaria morto e desidratado. Então como salvar o infeliz mercador antes de ele se apagar definitivamente? Graças a uma boa comunicação. No deserto, os telemóveis com GPRS funcionam bem. O dono do camelo, que ainda tem água, telefona ao seu amigo Abdulah, que está a duas horas do agonizante dono do carro, e pede-lhe que vá com uma garrafa de água, com a mesma quantidade que tem na sua garrafa, salvar o infeliz, dando-lhe de beber em troca do carro e do barril de petróleo. Quando se encontrarem, depois do salvamento, o dono do camelo devolve a água restante da sua garrafa ao amigo Abdulah, vende o barril de petróleo a um refinador, e divide com o amigo a receita obtida. Depois vão voltar os dois ao deserto e recuperam o carro que vendem no «stand» de Ahmed, na cidade mais próxima onde os carros valem mais do que uma garrafa de água. Investem o produto da venda num poço de água.

Como se vê, o valor das coisas é relativo. Depende da necessidade, da escassez, do trabalho que incorpora e da utilidade que tem para as pessoas. Lembremo-nos sempre de que os recursos são escassos, que não há almoços gratuitos e que a economia e a gestão, além dos números e dos orçamentos, têm que ver com homens que têm fome e sede de justiça.





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Subject Author Date
Será porque a água se bebe nas margens dos arroios que se chama a isto marginalismo? (NT)Visitante Cínico (e armado em "ciêntifico")16/11/05 16:26:45


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