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Subject: Jerónimo de Sousa e o desafio das presidenciais


Author:
Vasco Cardoso*, Expresso, 19/11/05
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Date Posted: 19/11/05 17:40:52
In reply to: j.a.lima 's message, "Esquerda fraccionada" on 19/11/05 11:45:21

Jerónimo de Sousa e o desafio das presidenciais

Vasco Cardoso*, Expresso, 19/11/05

O tratamento mediático dado à candidatura de Cavaco Silva (“carinhosamente” apelidado de “professor”) e a todas as outras candidaturas que melhor contribuem para o objectivo da sua eleição como Presidente da República é, por si só, elucidativo.

Em nenhum outro momento da vida do nosso país, nas últimas décadas, foi tão claro o alinhamento dos jornais, rádios e TV na entronização do “professor”. Desde a forma em como foi ao longo de meses alimentada a novela do candidato que não era candidato, passando pelas inúmeras sondagens que, pelos números apresentados, quase dispensavam os portugueses de ir a votos, até à descarada bajulice em como comentadores, analistas, politólogos e outros que tais, reproduzem insistentemente a tese do “salvador da pátria”.

A gigantesca operação de branqueamento das responsabilidades de Cavaco Silva na actual situação do país só pode ser entendida à luz dos superiores interesses que o poder económico tem na continuidade das políticas que têm arrasado Portugal e os portugueses e, simultaneamente, permitido a respectiva acumulação de lucros e privilégios pelas elites.

O poder económico vê em Sócrates e Cavaco (Belmiro de Azevedo foi peremptório quanto a esta questão) os intérpretes que no presente melhor servem os seus interesses, como projectam para o futuro o aceleramento da descaracterização do regime democrático conquistado no 25 de Abril, aspecto ainda estruturante na resistência que amplas camadas desenvolvem contra a política e objectivos da direita.

Cavaco Silva em Belém é uma sólida garantia de que o essencial dos ataques do Governo a direitos e conquistas dos trabalhadores continuará com o silêncio e a cumplicidade do Presidente da República. Mais do que isso, a perspectiva de avançar com uma profunda revisão constitucional através do entendimento entre PS e PSD (aliás, como em todos os outros momentos), visando alterações no regime democrático (leis eleitorais, alterações no poder judicial, papel das Forças Armadas, aspectos da soberania do país e poderes do Presidente da República), tem em Cavaco um fiel e promissor intérprete.

Cavaco dispensa (e até se irrita) com o apoio dos partidos da direita, como diz Jerónimo de Sousa “não precisa deles” pois tem o apoio e os meios de quem manda nesses mesmos partidos.

E não deixa também de ser curiosa, e até direi perigosa, a forma como outros candidatos se posicionam face aos partidos e ao seu papel na sociedade, nomeadamente Manuel Alegre. Esse mesmo que se bateu dentro do PS para obter o apoio na corrida a Belém, que há trinta anos se senta como deputado socialista na AR, que nunca faltou com o seu voto nem com a sua solidariedade nas mais gravosas medidas do PS (tal como Mário Soares) e que, destilando argumentos contra os partidos, contribui para o coro dos que acham a democracia uma chatice.

Manuel Alegre, na passada semana, afirmou que a eleição de Cavaco não lhe “tira o sono”. Para quem apresentou a sua candidatura na base de que seria o melhor candidato para derrotar Cavaco, esta afirmação é lapidar quanto à verdadeira natureza da sua candidatura, um projecto enraizado na sua ambição pessoal e que usa a falsa ilusão de homem “independente” e de esquerda para, mais uma vez, abrir espaço para a política de direita.

A situação em que se encontra o nosso país tem obviamente responsáveis. Muitos esforçam-se por atribuir culpas ao 25 de Abril, à Constituição, aos direitos dos trabalhadores, à situação internacional. Os mesmos que se têm vindo a revezar no Governo, sem que essa alternância signifique realmente uma alternativa política e políticas alternativas, apresentam-se a cada sufrágio descartando toda e qualquer responsabilidade e ensaiando promessas que quebrarão mal se contem os votos.

É assim que acontece num país cada vez mais dependente do exterior, que desvaloriza e destrói a sua capacidade produtiva, que assenta o seu desenvolvimento num modelo de baixos salários, onde a saúde, a educação e demais prestações sociais se confinam à vertente assistencialista, deixando a parte lucrativa entregue à gula dos interesses privados. Os sacrifícios exigidos (não apenas por este Governo) aos trabalhadores e ao povo do nosso país são mais da mesma receita e os resultados estão à vista – meio milhão de desempregados, os mais baixos salários da EU, perda do poder de compra, dois milhões de pobres, crescente endividamento da população, etc.

Quando se procura confundir o enquadramento internacional e europeu com a abdicação dos interesses nacionais, a democracia com a “economia de mercado”, a destruição de direitos sociais com o combate aos privilégios, os interesses e lucros dos grupos económicos com as necessidades do país, está-se naturalmente a condenar Portugal e os portugueses ao subdesenvolvimento e a uma vida miserável.

No início deste século, o nosso país precisa e aspira a rupturas com estas políticas. Precisa de confiança e esperança como todos os candidatos afirmam, mas ancoradas numa mudança não só necessária como urgente das políticas desenvolvidas. A meu ver para quem acompanha estes argumentos o protagonista desta mudança é Jerónimo de Sousa.

* Membro da Comissão Política do PCP

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Subject Author Date
Carinhosamente?!... Pôrra, o gajo é mesmo Professor... (NT)Visitante Cínico (e sem inveja!...).19/11/05 22:18:27


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