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| Subject: O subúrbio é a França | |
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Author: Pierre Laurent |
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Date Posted: 8/11/05 17:59:47 In reply to: Caderno Vermelho 's message, "TORTURAS EXPORTADAS" on 5/11/05 22:36:42 Jornal l'Humanité Artigo da edição de 5 Novembro 2005. Editorial por Pierre Laurent O subúrbio é a França O cinismo de Nicolas Sarkozy não tem limites. Interrogado pela cadeia I-Télévisão sobre a sua atitude face à crise dos subúrbios, o ministro do Interior declarou beatamente na quinta-feira à noite: “Eu não tenho o direito de sobre-reagir. Não há nada que se possa fazer na agitação e na tensão. O mais difícil para mim, é permanecer lúcido, de sair da panela e de encontrar tempo de reflectir sobre o que convém fazer”. » Sair da panela? Pensamos que sonhamos! Depois de deliberadamente ter posto o fogo na pólvora, o ministro incendiário contempla os estragos com deleite e quer tomar o seu tempo. As populações de Seine-Saint-Denis e de outros sítios, os eleitos, os educadores que passam as noites no terreno apreciarão. Na realidade, se o governo não tem neste momento na boca que duas palavras « firmeza e justiça », podemos legitimamente perguntar-nos se a sua primeira urgência é de trazer a calma. Parece mais preocupado a explorar a situação para aprofundar um pouco mais o prego duma política autoritária e discriminatória, sem nenhuma resposta às urgências sociais das cidades e dos bairros envolvidos. A direita mostrou desde Abril de 2002 que está pronta a tudo para impor uma política rejeitada pelo país. A semana que passou confirma que a provocação, o desprezo, a mentira, a intimidação, a desordem são armas que não hesita a usar para atingir os seus objectivos. Incapaz de se unir à volta dos objectivos da sua política anti-social, desautorizada quando do referendo, em particular nos bairros sociais, hoje sob o escabelo, de novo postos em causa desde a rentrée pelas mobilizações sociais de 4 de Outubro, da SNCM, da Hewlett-Packard, tratando com golpes de tambores os projectos de privatizações condenados pelo país, o governo só tem uma estratégia para durar: dividir, estigmatizar, desesperar. Os jovens dos subúrbios são para Nicolas Sarkozy e os seus amigos do UMP perfeitos bodes expiatórios para iludir o debate sobre as suas responsabilidades. À saída da reunião na 5ª feira no Matignon com os presidentes de câmaras dos subúrbios os media deram abundantemente a palavra a Marc-Philippe Daubresse, eleito do UMP do Norte. Mas nem um se lembrou que ele era ministre da Habitação ao lado de Jean-Louis Borloo, ainda há alguns meses. Porque vamos enfim falar das raízes profundas do mal que corrói os subúrbios? Neste fim-de-semana tem lugar em Bobigny por iniciativa do PCF e do Presidente da Câmara da cidade Bernard Birsinger, os segundos estados gerais da habitação. Quantas câmaras e micros manifestarão a mesma disponibilidade? Aí debateremos porém seriamente o fundo do problema colocado aos subúrbios com dezenas de autores do terreno. Porque, diga o governo o que disser, os acontecimentos destes últimos dias não são o reflexo dum único problema de segurança do subúrbio, mas a constatação terrível do falhanço das políticas de segregação urbana e sociais impostas desde há anos a estes bairros e às suas populações. Os subúrbios não são um caso à parte. Os subúrbios são a França, aquela que pena e sofre no trabalho, aquela que mendiga, aquela a quem a lei do dinheiro quer fechar na precariedade, nas discriminações, no mau-alojamento, no sub-equipamento publico. Sem ambição social pelos subúrbios, o país inteiro não se pode desenvolver, a igualdade dos direitos onde assentam os princípios republicanos não passa de um trapo de papel. Os subúrbios, é lá que se joga hoje o futuro de todos, o futuro do modelo social francês. Eis porque Nicolas Sarkozy os quer esmagar, partir as solidariedades que permanecem à volta deles, e contra todo um cadinho precioso,. Neste domínio crucial da vida da nação, é urgente exigir uma mudança radical da política governamental. Mais do que passar em série as imagens dos carros ardidos, é preciso dar a palavra aos subúrbios, aos seus eleitos, a todos os actores do terreno. É preciso escutá-los finalmente e verdadeiramente ! Por Pierre Laurent [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |