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Subject: Comunistas inspiram-se nos líderes da América Latina


Author:
Humberto Costa (Expresso, 11 Novembro 2006)
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Date Posted: 11/11/06 16:05:38

Comunistas inspiram-se nos líderes da América Latina


A Venezuela de Hugo Chávez ou a Bolívia de Evo Morales são sinais de esperança na reflexão dos comunistas


O mundo está pior, conclui o dirigente comunista brasileiro, José Reinaldo Carvalho, neste confortável fim de tarde no vestíbulo do hotel lisboeta Metropolitan, à beira do antigo edifício da Bolsa. No ecrã da TV do Wallstreet Bar, uma versão moderna e aristocrata dos velhos bares de Nova Orleães, onde não falta o piano de cauda, George W. Bush acabara de ‘despedir’ Donnald Rumsfeld. O momento é testemunhado pelas fotos que decoram as paredes, de Terence Blanchard a Max Roach, passando por Roy Hargrove e outras sumidades do jazz, têm a harmonia portuguesa de Mário Laginha e Maria João. Reinaldo Carvalho, sentado numa das poltronas, teria então razões para sorrir e nos confessar estar rendido à “proverbial hospitalidade lusitana”.

Foi dos primeiros participantes do encontro internacional de partidos comunistas a chegar a Lisboa. Não tardariam outras delegações. Cuba, Grécia, por exemplo. Mas, coube-lhe a tarefa de, neste fórum comunista, dissertar sobre essa nova realidade a despontar na América Latina que designa por “corrente democrática, patriótica, anti-imperialista e progressista”. Um fenómeno ao lado do qual os partidos comunistas se “vão perfilando”, acrescenta.

Hugo Chávez, na Venezuela, ou Evo Morales, na Bolívia, dão-lhe sinais de esperança. Também o Brasil de Lula, que o PC acompanha desde as primeiras campanhas presidenciais perdidas.

É do continente americano que vêm as boas novas para o fórum. Admite-se que a demissão do secretário da Defesa norte-americano, e a derrota dos republicanos acabem por marcar o encontro: “Significam uma derrota da política de guerra”.

“Nessa altura prometeram-nos um mundo melhor, mais seguro”. Mas, afinal... “está pior!” Melhor só mesmo “as condições para a luta dos povos. Nos anos 90 havia um descrédito nos valores progressistas e, hoje, voltamos à acção com mais perspectivas. Não perdemos a esperança”, assegura.

Ressaltam, de facto, indícios fortes da intenção comunista de cavalgar a onda latino-americana, à procura de um paradigma perdido há mais de uma quinzena de anos, quando o muro e o ‘mundo’ desabaram.

De resto, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do partido anfitrião, ratifica esse sentido de reflexão no discurso de boas-vindas: “Damos grande importância a encontros deste tipo, porque é neles que podemos, a par de outras iniciativas, avançar na reflexão e na intervenção que conduzam à afirmação do socialismo, numa concepção necessariamente renovada e enriquecida pelas lições da experiência, como a real alternativa ao actual sistema”.

Tal como no jazz, o mote era dado. O resto, “um desafio exigente”, sustentaria no discurso o líder dos comunistas portugueses. E, de facto, numa mesa onde se sentam interpretações tão diversas da realidade política, até interna - caso do PC Brasileiro e do PC do Brasil e de muitos outros -, o consenso assemelha-se à quadratura do círculo. Talvez por isso o comunicado final apenas responsabiliza o PCP. Curiosa é também a qualidade de observador da delegação chinesa, que terá dedicado um fim-de-semana a Portugal, com um pé no encontro comunista e outro no congresso socialista.

No «hall» do Metropolitan cruzam-se conversas e cumprimentos. Sabe-se que a delegação da Coreia do Norte, ao contrário do que aconteceu em anteriores edições, não vai estar presente, por causa da “situação política na região”, refere fonte do PCP.

A realidade norte-coreana e a recente polémica em torno dos testes nucleares não deverão ser reflectidas nesta assembleia. Crítico da experiência belicista coreana, Reginaldo Carvalho relativiza, porém, a reacção negativa da comunidade internacional, sobretudo do que considera ser a “hipocrisia” americana: “Sempre que há um teste nuclear o perigo aumenta. Lutamos pela abolição de todas as armas nucleares, mas há, igualmente, 1000 ogivas norte-americanas na península coreana apontadas para o Norte”. Em todos os cantos do mundo a actual política de Bush funciona como a antítese do pensamento comunista. Também por isso, diria Reinaldo Carvalho: “Bush não terá esta noite um sono sossegado”.



Humberto Costa

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