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| Subject: Re: Um colóquio inquietante Já levas a resposta! | |
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Author: entre bombos barulhentos de Viana |
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Date Posted: 13/10/06 11:10:10 In reply to: Rui Ramos 's message, "Um colóquio inquietante" on 5/10/06 9:48:25 > > >Duas semanas depois da convenção do movimento >Compromisso Portugal, no Convento do Beato, em Lisboa, >as ondas de choque na imprensa ainda não pararam. Há >dois dias, neste jornal, foi a vez de o meu estimado >colega André Freire cumprir o seu dever cívico de >derramar alguma indignação sobre o que lhe deu jeito >imaginar como uma missa negra de grandes patrões, e >"extremistas de direita" - uma espécie de Festa do >Avante! do mitológico "liberalismo selvagem". Ora, >aconteceu-me ter passado pelo Beato, como outras >dezenas de cidadãos que não eram necessariamente >grandes patrões, e muito menos extremistas. Um dos >cavalheiros que nos governam, menos dramático do que >os cavalheiros que escrevem nos jornais, chamou à >reunião do Beato um "colóquio". Porque é que, duas >semanas depois, esse colóquio continua a incomodar >tanta gente? >Por causa do atrevimento de ter discutido o "papel do >Estado"? É um velho tema. Por causa da ousadia das >suas "propostas concretas"? Muitas delas, como os >próprios promotores da convenção notaram, vêem ao >encontro do que este Governo está a fazer ou a >discutir. Não. O que ofendeu no Beato não foi a >doutrina, nem foram as políticas, mas o simples facto >de haver um grupo de cidadãos que, sem reclamar uma >identidade corporativa nem um projecto partidário, se >atreve a discutir e a fazer sugestões sobre a forma >como a sociedade portuguesa está organizada e é >governada. É significativo que a primeira das críticas >à convenção tenha sido essa. Alguns dos organizadores >eram empresários e gestores, como todos sabem, porque >foi só neles que a imprensa quis reparar. É antiga, em >Portugal, a tradição da intervenção política das >"forças vivas" e dos "interesses económicos", isto é, >dos grupos de empresários e proprietários unidos para >exigirem ao Estado que garanta os seus haveres e >rendimentos. O regime democrático, seguindo o Estado >Novo, arranjou lugar para os representantes >associativos desses grupos. Os organizadores do >Compromisso Portugal procuraram escapar a essa lógica >corporativa. Mas foi em nome dessa velha mentalidade >que foram confrontados com a censura de que deveriam >ter-se limitado a falar das suas próprias empresas e >da maneira de as gerir. Não ocorreu a esses censores >que os empresários e gestores que ali estavam estavam >como cidadãos, em pé de igualdade com outros cidadãos >que não têm fábricas nem escritórios. Para a tradição >corporativa portuguesa, o Compromisso Portugal foi um >escândalo. >A maioria dos promotores e convidados da convenção >tinha uma só coisa em comum: nas suas actividades, >estão geralmente entre os mais bem sucedidos. Não eram >as vítimas do corrente modelo social: os que >abandonaram as escolas, os que estão desempregados, os >que são utentes de maus serviços públicos. Mas foi por >causa destes que os promotores da convenção estiveram >no Beato. Porquê? A eles, o statu quo serve-lhes >perfeitamente. E, no entanto, moveram-se, deram a >cara, vieram submeter-se à suspeita e ao ridículo de >que é feita a cortina de ferro com que em Portugal se >impede qualquer tipo de intervenção cívica. Como >designar este impulso para sair do seu cantinho e >discutir na praça pública com os outros cidadãos? >Antigamente, chamava-se a isto "patriotismo" - era o >que definia o cidadão, a consciência de que, por mais >próspera que fosse a sua vida privada, tinha a >obrigação de se preocupar com o bem da comunidade. Não >se pode falar agora de "patriotismo". Mas também não >parece bem actuar patrioticamente. Vivemos num meio >que ainda aceita mal a iniciativa do cidadão >independente e que não se convenceu de que a >pluralidade de opiniões e a controvérsia são >indispensáveis ao dinamismo e à criação de >oportunidades. >Daí a quantidade de gente que passou duas semanas à >procura de um veneno para o Beato. Alguns >descobriram-no, euforicamente, na severidade de um >relatório do Fórum de Davos sobre a competitividade >das empresas portuguesas. O Estado em Portugal foi >declarado certo, competitivo e fulgurante. Quem está >mal são os cidadãos, a quem não se pode confiar a >gestão eficiente das suas propriedades. O que é que se >vai descobrir a seguir? Talvez que as escolas públicas >são excelentes e que os alunos é que são burros. Terão >os entusiastas portugueses de Davos percebido a >ladeira que começaram a descer? Se não se pode confiar >nos cidadãos para criar riqueza e cooperar entre si >como iguais, porquê confiar neles para eleger >governantes e autarcas? Alguém quer responder? >Historiador "Governo Sócrates [é] igual [à] bomba de Hiroxima." A funcionária da Câmara da Moita, que empunhava o cartaz escrito na sua exagerada caligrafia, estava na cauda da manifestação de protesto da CGTP, que juntou, ontem à tarde, "mais de cem mil pessoas", no cálculo final de Carvalho da Silva (a PSP estimou em 80 mil), num desfile contínuo que demorou quase duas horas e meia até toda a gente passar diante da escadaria da Assembleia da República. Surpreendido com aquele mar de gente, o dirigente da CGTP José Ernesto Cartaxo admitia ao DN que não se lembrava de uma tal adesão desde a greve geral de 1982, quando o Governo era da AD e o primeiro- -ministro se chamava... Pinto Balsemão! Desde essa altura, chefiaram executivos Soares e Cavaco, Guterres e Barroso, Santana e Sócrates. "Mentiroso! Mentiroso! Mentiroso!", gritado ou cantado, seria o mais moderado dos adjectivos colados a Sócrates por professores e metalúrgicos, sindicalistas vindos desde Faro a Bragança, humildes de mãos calejadas e dedos delicados de secretária, ferroviários e corticeiras, T-shirts com a efígie de Che ou do Rock in Rio. Numa tarde de Outubro com um sol de Maio, marchavam os líderes do PCP (Jerónimo de Sousa) e do BE (Francisco Louçã), filiados desde o Sindicato Nacional dos Psicólogos até ao Sindicato dos Trabalhadores das Pescas, mineiros da Panasqueira e empregados da administração local, boinas bascas e bonés do Sporting, mais pins com Lenine que medalhas em esmalte com Nossa Senhora. E Carvalho da Silva era obri- gado a interromper, várias vezes, o discurso para ser dada a indicação de que era impossível parar. Palavras de ordem distribuídas, faixas das organizações sindicais, slogans repetidos, placas improvisadas. As grandes causas nacionais. "Há lucros aos milhões e só cortam nas pensões"; "Segurança Social é nossa, não é do capital"; "Contenção salarial só serve o capital"; "Custo de vida aumenta, o povo não aguenta". Os problemas locais. "Exigimos um médico porque não temos nenhum"; "As 3 maternidades [da Guarda] são necessárias". Bandeiras de cada classe. "Militares em defesa dos direitos"; "Se trabalhassem 5 anos na construção civil estes 'amigos' [fotos de Sócrates, do ministro Vieira da Silva e do presidente da CIP, Francisco van Zeller] reivindicavam a reforma aos 50 anos". Aflições em algumas empresas. "Corticeiros do Barreiro - Esence - exigem salários"; "Trabalhadores da Flor do Campo - 97 despedimentos por fazer greve". E, entre bombos barulhentos de Viana e funcionários públicos a bater testos em tachos, um reformado da CP, natural de Pias, mas residente em Lisboa, no meio do seu discurso contra o Governo, nem hesitava: "Sócrates é Salazar ressuscitado." Pode a rua fazer abalar a boa estrela de Sócrates? Dezenas de milhares a chamar "mentiroso" a Sócrates [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |