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| Subject: A «Marcha pelo Emprego» | |
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Author: Daniel Amaral (Expresso (3 Set 2006)) |
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Date Posted: 3/09/06 19:52:12 ESTÁVAMOS em meados de Julho. O Bloco de Esquerda (BE), desejando marcar a «rentrée», prometia novidades para o início de Setembro: «Vamos apresentar um programa com soluções para a criação de emprego, e mostrar como se responde a um problema social, de forma concreta e sem populismos». Recortei e guardei. E, porque o tema me interessava, ali mesmo pensei com os meus botões: bem-vindo seja o Bloco ao promover este debate. Das «cerca de 70» soluções, escolhi uma: «Redução da semana de trabalho para as 36 horas, sem redução de salário, com a opção de o trabalhador poder fazer quatro dias com nove horas de trabalho, tendo um terceiro dia de descanso». Era a recuperação do modelo francês, que por acaso não resultou. Uma proposta «concreta»? Claro. E «sem populismos»? Bom… O leitor, que já me conhece, sabe que adoro trabalhar com números. É com números que vou procurar responder. Uma redução de 10% no tempo de trabalho significa uma redução de peso equivalente no produto. E, como se mantém o número de trabalhadores e os salários auferidos, caem a produtividade e sobem os custos unitários da produção (M1). Nota para o Bloco: os nossos custos salariais unitários já são dos mais altos da Europa; se os elevamos em mais 10%, deixamos pura e simplesmente de competir. Como o PIB caiu, é natural que queiramos repô-lo: para isso aumentamos o emprego em conformidade. Mas não há desemprego que chegue, pelo que teremos que recorrer à imigração. Em qualquer dos casos, os custos salariais acompanham o crescimento do produto - e os custos unitários mantêm-se ao nível que já tinham anteriormente (M2). Para recuperar a competitividade perdida, seria necessário que a produtividade aumentasse cerca de 11%, sem acréscimos salariais, o que, pelas minhas contas, levaria para aí uns dez anos (M3). É curioso. O BE propõe 10% de salários a mais. Um banqueiro, ainda não há muito tempo, defendia 10% de salários a menos. Atenção, televisões: promovam de imediato um debate entre Fernando Ulrich e Francisco Louçã. Vai ser giríssimo. Mas, enquanto o debate não chega, gostaria de sublinhar duas coisas. Primeira: a nossa situação económica é muito grave, por força de desequilíbrios vários que não conseguimos ultrapassar. Segunda: a proposta do Bloco, a ser aceite, rebentaria com as poucas exportações que ainda existem. O que quer dizer que nada do que afirma é realista, e muito menos sustentável. Esta proposta é um exemplo acabado de populismo e de demagogia. Quando um banqueiro defendeu cortes substanciais nos salários, eu estive contra: além do óbvio «nonsense», nenhum poder democrático seria capaz de os impor. Agora que um político defende a posição simétrica, a minha discordância mantém-se: o «nonsense» apenas mudou de sinal, e uma eventual adesão ao modelo seria uma tragédia para a economia. Sejamos razoáveis. A nossa estrutura produtiva enfrenta problemas sérios de produtividade, não de salários: para quê estas manifestações pueris, de que as pessoas desdenham e não conduzem a nada? [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| dispensar os "empregadores" | portuga | 4/09/06 14:18:57 |
| O BE faz muito bem em denunciar o desemprego. | carlos sousa | 7/09/06 11:58:07 |