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| Subject: O BE faz muito bem em denunciar o desemprego. | |
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Author: carlos sousa |
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Date Posted: 7/09/06 11:58:07 In reply to: Daniel Amaral 's message, "A «Marcha pelo Emprego»" on 3/09/06 19:52:12 >ESTÁVAMOS em meados de Julho. O Bloco de Esquerda >(BE), desejando marcar a «rentrée», prometia novidades >para o início de Setembro: «Vamos apresentar um >programa com soluções para a criação de emprego, e >mostrar como se responde a um problema social, de >forma concreta e sem populismos». Recortei e guardei. >E, porque o tema me interessava, ali mesmo pensei com >os meus botões: bem-vindo seja o Bloco ao promover >este debate. > >Das «cerca de 70» soluções, escolhi uma: «Redução da >semana de trabalho para as 36 horas, sem redução de >salário, com a opção de o trabalhador poder fazer >quatro dias com nove horas de trabalho, tendo um >terceiro dia de descanso». Era a recuperação do modelo >francês, que por acaso não resultou. Uma proposta >«concreta»? Claro. E «sem populismos»? Bom… O leitor, >que já me conhece, sabe que adoro trabalhar com >números. É com números que vou procurar responder. > >Uma redução de 10% no tempo de trabalho significa uma >redução de peso equivalente no produto. E, como se >mantém o número de trabalhadores e os salários >auferidos, caem a produtividade e sobem os custos >unitários da produção (M1). Nota para o Bloco: os >nossos custos salariais unitários já são dos mais >altos da Europa; se os elevamos em mais 10%, deixamos >pura e simplesmente de competir. > >Como o PIB caiu, é natural que queiramos repô-lo: para >isso aumentamos o emprego em conformidade. Mas não há >desemprego que chegue, pelo que teremos que recorrer à >imigração. Em qualquer dos casos, os custos salariais >acompanham o crescimento do produto - e os custos >unitários mantêm-se ao nível que já tinham >anteriormente (M2). Para recuperar a competitividade >perdida, seria necessário que a produtividade >aumentasse cerca de 11%, sem acréscimos salariais, o >que, pelas minhas contas, levaria para aí uns dez anos >(M3). > >É curioso. O BE propõe 10% de salários a mais. Um >banqueiro, ainda não há muito tempo, defendia 10% de >salários a menos. Atenção, televisões: promovam de >imediato um debate entre Fernando Ulrich e Francisco >Louçã. Vai ser giríssimo. > >Mas, enquanto o debate não chega, gostaria de >sublinhar duas coisas. Primeira: a nossa situação >económica é muito grave, por força de desequilíbrios >vários que não conseguimos ultrapassar. Segunda: a >proposta do Bloco, a ser aceite, rebentaria com as >poucas exportações que ainda existem. O que quer dizer >que nada do que afirma é realista, e muito menos >sustentável. Esta proposta é um exemplo acabado de >populismo e de demagogia. > >Quando um banqueiro defendeu cortes substanciais nos >salários, eu estive contra: além do óbvio «nonsense», >nenhum poder democrático seria capaz de os impor. >Agora que um político defende a posição simétrica, a >minha discordância mantém-se: o «nonsense» apenas >mudou de sinal, e uma eventual adesão ao modelo seria >uma tragédia para a economia. > >Sejamos razoáveis. A nossa estrutura produtiva >enfrenta problemas sérios de produtividade, não de >salários: para quê estas manifestações pueris, de que >as pessoas desdenham e não conduzem a nada? [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |