VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

19/04/26 6:14:38Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12[3]45678 ]
Subject: Re: Verdades inconvenientes


Author:
Humanidades :: História
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 26/09/06 16:21:51
In reply to: Sérgio de Andrade 's message, "Verdades inconvenientes" on 26/09/06 12:02:04

>O "outro lado" do 11/9
>

Humanidades :: História
Longe de Deus, perto dos EUA
Dezembro 2005 - Edição 118
(Página 2 de 3)
Dismouted: The Forth Trooper Moving The Led Horses, Frederic Remington, 1890

Os peregrinos que saíram da Europa para a aventura no Novo Mundo, onde fundaram a colônia que se transformaria nos Estados Unidos, se consideravam “protagonistas de um exercício de excepcionalismo, crentes de que eram capazes de um papel que outros povos não podiam desempenhar”. Já em 1912, recorda Moniz, o embaixador do Brasil em Washington, Domício da Gama, resumiu o que era o espírito ianque: “O duro egoísmo individual ampliou-se às proporções do que se poderia chamar de egoísmo nacional”. “Não sem razão, em janeiro de 2003, um alto funcionário do Departamento de Estado, ao ser indagado até que ponto os Estados Unidos se dispunham a delegar sua soberania, ao juntar-se a instituições multilaterais ou tratados internacionais, declarou: ‘It depends’. Infere-se que a única soberania intangível é a da América e somente ela tem o direito de decidir o que deve ou não internacionalmente respeitar”, observa o pesquisador. Assim, o país vai, ao longo de sua história, oscilar entre o isolacionismo e o expansionismo até, enfim, assumir na administração atual “o desprezo pela soberania de outros Estados, o unilateralismo e o militarismo, que eram latentes e por vezes se manifestavam, converteram-se em normas oficiais de sua política internacional”.

Foi um longo caminho, embora percorrido rápida e dubiamente. No início do percurso estava a Doutrina Monroe, a “América para os americanos”, formulada em 1823 pelo presidente James Monroe, que isolava os Estados Unidos do Velho Mundo, reforçando o desejo de George Washington, para quem “a Europa tem interesses sem relação com os nossos, senão remotamente”, mas, ao mesmo tempo, continha a “praxidade” de Thomas Jefferson, que afirmava ter “a América um hemisfério para si mesma”, de um expansionismo explícito. Que começou, aliás, dentro do seu próprio território, com a conquista do oeste e a compra de vastas áreas adjacentes ao seu (como a Louisiana, da França) pertencentes a países europeus.

O progresso industrial pedia novas áreas de consumo e logo o imenso território americano pareceu pequeno. Com o espírito do “destino manifesto”, analisa o historiador, os EUA viram que era preciso “estender a área de liberdade”. A dubiedade da Doutrina Monroe foi funcional nisso e o precursor no uso da “brecha” ideológica do ideal do isolacionismo foi o presidente Theodore Roosevelt, inventor da política do big stick, o porrete pela democracia. “Roosevelt foi a primeira ‘presidência imperial’ dos EUA, já que pela primeira vez foram administradas possessões perto e longe do seu território, alcançou influência dominante no Caribe e na América Central, transformando a sua Marinha na segunda mais poderosa do mundo e, assim, convencendo os demais países a levar seriamente as suas políticas e conselhos”, analisa Moniz.

O país logo compreendeu que as restrições do mercado doméstico exigiam um movimento militar de expansão. Assim, em 1848, a guerra forjada contra o México, o ataque e a anexação do Havaí, em 1898, e, naquele mesmo ano, o confronto com o que restava do império espanhol, fustigado por um movimento de libertação em Cuba. Usando um incidente com um navio americano, o USS Maine, ancorado em Havana, os EUA intervieram militarmente em Cuba e a tomaram como uma espécie de protetorado.

Pouco depois foi a vez das Filipinas, onde também se travava um movimento de libertação contra os espanhóis, que perderam para a América o que restava dos seus domínios no Caribe e no Pacífico. Cessava tudo o que a antiga musa cantava e outro império se levantava. Ou, nas palavras de Teddy Roosevelt, em 1904, “a adesão à Doutrina Monroe podia forçar a América, embora de forma relutante, a exercer um poder de polícia internacional” no caso de “wrong doing or impotence” em países do hemisfério ocidental. O ápice desse primeiro movimento ocorreu após o fim da Primeira Guerra Mundial, quando o expansionismo imperial alemão foi derrotado e os americanos saíram do conflito enriquecidos e todo-poderosos.

E foi a nova tentativa tedesca de competir com os mercados dos EUA que levou Franklin Roosevelt, nos anos 1930 e 1940, a se dedicar a reverter a tendência isolacionista americana e partir para o conflito. Moniz lembra as várias provocações feitas pela América ao Japão e à Alemanha, e evitadas, para que ambos rompessem relações com os americanos. A guerra, observa o historiador, era um imperativo categórico para Roosevelt e Pearl Harbor foi o pretexto de que o presidente precisava. Há mesmo quem afirme que ele cutucou os japoneses ao extremo e sabia do ataque de 7 de dezembro à base e calou-se, ainda que, palavras do secretário da Marinha, Frank Knox, Roosevelt “expected to get hit but no so hurt”. Mas, nota o pesquisador, nem só de armas vivem os impérios.

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.