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Subject: INSOLÚVEL


Author:
Vasco Pulido Valente
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Date Posted: 22/07/06 17:53:20

Insolúvel
Vasco Pulido Valente



Parece que a administração central do Estado tem 580.291 pessoas, contando (ou não contando: não ficou claro) com as 10.166 que já entraram este ano. A promessa eleitoral de admitir um funcionário por cada dois que se reformassem (de resto, absurda) não foi cumprida. O secundário e dezenas de "universidades" despejam anualmente no mercado de trabalho muitos milhares de ingénuos, que acreditaram na propaganda universal sobre a educação. O país, dizem os políticos, precisa de gente "qualificada" e a "qualificação" garante um futuro. Mas não. Nem o país precisa assim tanto de gente "qualificada" (12.º ano, licenciatura, mestrado, doutoramento), nem a "qualificação" leva a parte alguma, mesmo supondo que o "sistema de ensino", como existe, "qualifica" seja quem for para o que for. Ainda por cima o sector privado, exangue e com leis do trabalho que o limitam e o tornaram prudente, não está disposto a empregar ninguém sem uma necessidade imperativa.
A única maneira de reduzir o funcionalismo público está em o tornar pouco atraente: mal pago, sem esperança de uma carreira rápida e, sobretudo, sem prestígio. Infelizmente, sucede o contrário. Os funcionários públicos, para o que fazem, ganham bem, gozam de prerrogativas próprias (pensões, saúde, segurança), sobem (grande parte) relativamente depressa na hierarquia, faltam com absoluta impunidade e, agora, os "de cima" também andam num carro oficial e viajam sem parar por esse mundo fora. Entre este paraíso e o desemprego, não admira que o Estado se tornasse a única esperança de ascensão social para quem sofreu com paciência o "sistema de ensino" e o último recurso para uma classe média sem outra "saída".
Num regime democrático, não há Governo capaz de resistir ao crescimento do "Monstro". A sociedade portuguesa assenta numa "classe média de Estado", que não se tenciona suicidar por puro amor à consolidação financeira. Essa classe média, que manda na administração e nos partidos, para não falar do poder local (mais 200 mil funcionários), pode fingir que se move, mas não move. O problema é insolúvel: o sector privado devia crescer para diminuir o "Monstro" e não cresce porque o "Monstro" não diminui. O eng. Sócrates parece que anda por aí muito contente com a meia dúzia de medidas cosméticas que tomou. Manifestamente, não percebeu a situação. Nem a dele, nem a do país.

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Matemática modernaHenrique Monteiro22/07/06 17:55:54


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