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Subject: O milagre espanhol a nu


Author:
José Alves
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Date Posted: 1/08/06 8:37:37


NOS ÚLTIMOS dez anos, desde 1996, a economia espanhola teve uma taxa média de crescimento de 3,3% e criou mais de 6 milhões de empregos. A taxa de desemprego, que chegou a ultrapassar 23%, situa-se agora nos 9% . Mas este «milagre económico», ao qual se assimilam ainda as sucessivas reduções de impostos, o saneamento da segurança social e os excedentes anuais das finanças públicas - em contraste com os défices orçamentais crónicos dos países vizinhos - reveste também, segundo o Banco de Espanha e a maioria dos economistas, aspectos bastante «preocupantes».

O que está em causa, fundamentalmente, é o próprio modelo económico: o crescimento espanhol apoia-se principalmente no consumo privado, em particular no «boom» imobiliário, cujo sector absorve assim a maior fatia do investimento produtivo. Daí que a poupança familiar represente apenas 10,1% do rendimento disponível, enquanto a dívida das famílias, alimentada sobretudo pelo crédito imobiliário, passou em seis anos de 75% a 132% do PIB e aumentará outros dez pontos no próximo ano.

Nos últimos seis anos, construíram-se em Espanha cerca de 4,5 milhões de casas (mais de 700.000 por ano!), cujos preços se multiplicaram por três, ou seja mais do dobro do aumento dos salários. «A situação é potencialmente explosiva», avisam os economistas. E o Banco de Espanha, que foge das análises alarmistas, admite que o mercado imobiliário está sobrevalorizado em cerca de 35%. Trata-se, pois, da clássica «borbulha imobiliária», cuja «explosão» - perante os riscos de mudança do ciclo económico e o aumento das taxas de juro - não deixaria de afectar gravemente as instituições financeiras (o saldo das hipotecas atinge os 811 mil milhões de euros) e o conjunto da economia. Bancos e Caixas recusam-se, porém, a mudar de política: apostando numa «desaceleração progressiva» do preço do metro quadrado (em dois anos, o aumento das casas reduziu de 25% para 10%), essas entidades continuam a oferecer hipotecas a longo prazo (30, 40, 50 anos), que cobrem praticamente 100% das operações de compra. Mesmo assim, calcula-se que o financiamento da compra de uma casa ( 85% das famílias espanholas são proprietárias da casa onde vivem), absorve já 45% do salário bruto do agregado familiar, como média nacional, e atinge 57% no País Basco e 55% em Madrid.

Modelo ultrapassado




Mas as próprias instituições financeiras admitem que o modelo económico «está ultrapassado». É o caso do BBVA, cuja Fundação acaba de publicar um estudo sobre a evolução da produtividade espanhola, que cresceu 0,7% em 2004 e 0,9% em 2005. Muito menos do que nos países mais desenvolvidos, representando apenas 75% da produtividade americana (contra 85% há dez anos) e situando-se a vinte pontos da média europeia.

Também a organização patronal catalã, Fomento, chegou à mesma conclusão: há que reformar o modelo económico, que destina apenas 1,07% do PIB à investigação (cerca de metade da média europeia) e cujo «dinamismo» repousa nos sectores de menor valor acrescentado, como o imobiliário, a agricultura e o turismo, que juntamente com o trabalho doméstico empregam a maior parte dos 3,8 milhões de imigrantes (8,7% da população), sem grande formação e com baixos salários.

Sem negar a necessidade de «reformas», o ministro da Economia e Finanças, Pedro Solbes, vê o futuro imediato com optimismo: esta semana confirmou aos sindicatos e aos empresários que o PIB poderá crescer 3,5% este ano (duas décimas mais que as previsões iniciais) e 3,2% em 2007, mas na condição de que o preço do petróleo se mantenha ao nível actual.

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