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Subject: Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo - 3


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 26/06/06 17:55:35
In reply to: JMC 's message, "Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo" on 10/06/06 22:51:08

Futurologia não é decididamente o meu forte, nem tenho a isso qualquer pretensão, ao contrário de alguns "think tanks" que facturam os seus "serviços" a clientes empresariais mais ou menos milionários assim como a alguns departamentos estatais cuja função parece ser mais a de gastar o dinheiro dos contribuintes do que propriamente a produção de quaisquer serviços requeridos pelos ditos cujos contribuintes.
Assim sendo, é com a necessária ou recomendável prudência que me atrevo a discorrer sobre o tema da "decadência do capitalismo".
A esse respeito e reportando-me ao texto de JMC, parece-me errado (direi mesmo profundamente errado) falar de "profecias idealistas do Marx".
Não tendo a pretensão de ser "marxiano" (no sentido de não ser um especialista ou autoridade relativamente ao que escreveu – ou deixou de escrever – Marx), quer-me parecer que caracterizar as ideias de Marx relativamente às possibilidades de transformar (ou melhor, superar) o sistema (na sequência da sua análise funcionamento do sistema capitalista), como sendo "profecias idealistas" é algo que me parece – repito - profundamente errado.
Compreendo que se escreva que muitos marxistas "embarcaram em profecias de cariz idealista". Mas, a esse respeito, lembro que o próprio Marx quando questionado acerca do "marxismo" afirmou rotundamente que ele, pelo menos, não era "marxista".
Por outro lado, refere JMC que a "'economia-política realmente existente' ainda que dominada pelo 'capitalismo realmente existente' não se restringe a ele"..
Fica-se com a sensação que JMC concebe a existência (separada ou lado a lado) de um economia capitalista e uma economia de "produção artesanal independente ou familiar".
Muitos outros observadores falam também de uma como que separação entre vários sectores da actividade económica global, coexistindo uma economia formal (esta seria a única de facto capitalista), com diversos tipos de economia informal que alguns autores pretendem que tudo se deveria fazer para que esta venha a ser "integrada na economia formal". Uma outra divisão encontrada será por exemplo a divisão entre "sector público", "sector empresarial privado", "sector social" (ou "terceiro sector").
A questão que importa aqui agora sublinhar é a de que na totalidade do sistema-mundo global em que vivemos, todos os sectores comunicam entre si através de formas que fazem lembrar o mecanismo dos vasos comunicantes da hidráulica.
O chamado modo de produção capitalista há muito que se tornou determinante e estruturante das configurações e modos de produção subsidiários ou coexistentes.
No caso da produção familiar ou artesanal bastará, por exemplo, referir as ferramentas de trabalho utilizadas pelos artesãos nos seus processos laborais e a sua prévia produção e distribuição através dos múltiplos mercados que em todo o mundo fazem chegar essas ferramentas desde as fábricas aos seus utilizadores finais. Ou pensar ainda na energia eléctrica ou nos pequenos motores de combustão interna utilizados pelos artesãos e suas famílias paras as suas actividades produtivas e de venda ou troca (mesmo que directa e sem intermediação de dinheiro).
Tudo isso existe em íntima e iniludível conexão com o núcleo central do sistema capitalista.
Tudo isto apenas para lembrar que sendo o núcleo central (ou "sector capitalista" no sentido que lhe parece dar JMC) o sector predominante, determinante e estrutural, é o seu comportamento que realmente determina o comportamento global do sistema na sua totalidade.
Refere JMC a ideia de Rosa Luxemburgo de "identificar o mercado externo com o mercado dos modos de produção pré-capitalistas". Sem entrar da discussão detalhada do que é que a esse respeito pensava (ou deixava de pensar) Rosa Luxemburgo (não é oportuno nem pertinente para efeitos desta discussão) direi que a abordagem sistémica (seguindo ideias similares às formuladas pelos autores da escola do sistema-mundo) permitirá entender que o sistema capitalista, ao tempo de Marx estava ainda em expansão geográfica. Ao tempo de Rosa Luxemburgo, o sistema tinha "dado a volta ao mundo" e encontrava-se "face a face consigo mesmo". Tinha deixado de ser um "sistema aberto" (e em expansão) para passar a ser um "sistema fechado". É assim que se explica o aparecimento das teses sobre o "Imperialismo" justamente no tempo posterior à morte de Engels.
Dada a inércia do sistema social das "Ideias" é compreensível que Rosa Luxemburgo identificasse o "mercado externo" com o "mercado dos modos de produção pré-capitalista", identificação essa que era razoável e adequada em tempos de expansão do núcleo central do sistema (séculos XXVII, XVIII e XIX).
É também a abordagem sistémica (ou de tipo "cibernético"), olhando a Humanidade como que uma gigantesca "colmeia" ou "formigueiro" constituída por mais de 6.000.000.000 de seres pensantes, é também a abordagem sistémica, dizia, que permitirá entender como é que um determinado sistema ou "modo de produção" dá origem às enormes desigualdades de distribuição de "riqueza" e a centenas de milhões de "desocupados" ou "excedentários".
Vêm estas considerações a propósito do parágrafo de JMC "emergem outras formas de produção, não exclusivamente baseadas no salariato, nas quais os trabalhadores não vendem a sua força de trabalho nem desenvolvem o trabalho subordinado ao comando do capitalista, mas vendem produtos do seu trabalho, que organizam a seu modo. E estas novas actividades, produzindo mercadorias inovadoras (a maior parte delas informacionais), apresentam-se com a capacidade de gerar taxas de lucro muito elevadas, por transferência de valor nas trocas com as actividades produtivas industriais típicas do capitalismo. Não é por mero acaso que a Microsoft, para dar apenas o exemplo mais notório, que se organiza como compradora de muitos produtos produzidos por trabalhadores independentes ou por pequenas equipas cooperativas, obtém lucros fabulosos".
Confesso que fico com a ideia de que JMC está aqui a estabelecer um paralelismo histórico entre, por um lado, as poucas dezenas (centenas?...) de milhares de profissionais altamente qualificados que trabalham por conta própria (os modernos "artesãos") e, por outro lado, os milhões de desapossados da terra que ao longo de uns dois séculos – na sequência da chamada revolução agrícola – vieram a dar origem ao então embrionário proletariado industrial urbano.
Isto – esta minha possível confusão – deve-se ao facto de JMC referir noutra parte do texto a eficácia (ou falta dela) do regime tributário que em utilizar (e portanto desperdiçar) a "capacidade para trabalhar".
Se bem interpreto o raciocínio de JMC, desse "desperdício" teria resultado uma capacidade de trabalho (não aproveitada pelos senhores feudais) e que veio a ser aproveitada pela burguesia emergente.
Tal como no passado foi o desperdício da capacidade para trabalhar pelo modo de produção tributário — devido ao crescimento da produtividade, que esgotou a sua capacidade de a empregar como até então — que proporcionou a emergência do modo de produção capitalista, através da sua utilização sob a forma de mercadoria, também no futuro será o desperdício da força de trabalho pelo capitalismo, esgotando a sua capacidade de a empregar como até então, que ditará a sua superação..
A questão que eu aqui então colocaria era a seguinte: como pensa, antevê ou imagina JMC venham a "ser aproveitadas" as muitas (cada vez mais) centenas de milhões de "trabalhadores" (...) tornados redundantes (enquanto tal, "trabalhadores"...) em todo o mundo, em resultado lógico do contínuo e continuado progresso científico e tecnológico e consequente aumento (exponencial) da produtividade social total?...
E assim que chegamos ao problema de uma eventual superação do sistema capitalista.
Mas isso fica para outra ocasião.

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Replies:
Subject Author Date
Excelente textoJC28/06/06 23:53:12


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